Documento criado em 1° Setembro 05
ASPJ  Em Português 3° Trimestre 2005

Que Tipo de Guerra?
Perspectivas estratégicas na guerra contra o terrorismo

Coronel John D. Jogerst, USAF

O primeiro, o supremo ato de julgar, aquele que tem maiores conseqüências entre os que o estadista e comandante têm de formular é estabelecer, por esse teste, o tipo de guerra em que se está envolvendo, sem equivocar-se nem tentar transformá-la em algo alheio à sua natureza.

Carl von Clausewitz

APÓS TRÊS ANOS de nossa guerra global contra os terroristas transnacionais, a estratégia dos Estados Unidos e de seus parceiros na coalizão, no mundo civilizado, continua a evoluir.1 Os regimes governantes que deram apoio ao terrorismo no Afeganistão e no Iraque foram destruídos. Os movimentos terroristas nas Filipinas e em outros lugares estão sendo atacados. Foram presos terroristas em diversos países, em todo o mundo. Os Estados Unidos publicaram uma National Strategy for Combating Terrorism [Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo] que preconiza "uma estratégia de ação direta e ininterrupta contra grupos terroristas, cujo efeito cumulativo irá inicialmente desarranjar, ao longo do tempo degradar e, finalmente, destruir as organizações terroristas".2 Todavia, continua o debate nacional a respeito das características, da estratégia adequada e da meta final dos Estados Unidos nesta guerra contra o terrorismo.

Logo depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, diversos comentaristas caracterizaram este conflito como um tipo de guerra inteiramente novo.3 O alcance planetário e a integração das organizações terroristas, a possibilidade de eles usarem armas de destruição em massa e a ausência de um Estado-nação como adversário parecia sem precedentes. Nossa National Strategy for Combating Terrorism reconhece que esta "luta contra o terrorismo internacional é diferente de qualquer outra guerra em nossa história. Não triunfaremos apenas nem mesmo primordialmente por meio do poderio militar. Precisamos combater as redes terroristas e todos aqueles que dão apoio a seus esforços de espalhar temor pelo mundo, usando todos os instrumentos do poder nacional: diplomáticos, econômicos, legais, financeiros, de informação, de inteligência e militares".4

Aplicar esses instrumentos de poder nacional de modo coerente exige uma perspectiva unificada—uma definição do conflito bem como do adversário específico—que se aplique do campo de batalha tático aos mais altos níveis de formulação da política dos Estados Unidos. O debate acadêmico e popular cristalizou-se em torno de três candidatos a essa perspectiva. Um partido vê o conflito como um "choque de civilizações" intrínseco ao nosso mundo multicultural e conectado planetariamente. Outro o percebe como parte da tarefa sem fim de uma sociedade planetária civilizada para erradicar e destruir os maus elementos que a agridem. Para um terceiro partido, a atual guerra contra o terrorismo representa uma fase nova e mais ampla de uma guerra civil em andamento pelo controle do mundo árabe-islâmico.

Embora uma análise cuidadosa confirme a validez da terceira perspectiva, a arena planetária e as táticas de terror dos insurgentes tiram a nitidez de nossa visão. Nosso referencial para a guerra contra o terrorismo tem implicações tanto imediatas quanto de longo prazo para a estratégia e planejamento de forças dos Estados Unidos. Cada uma dessas perspectivas oferece aos Estados Unidos um conjunto muito diferente de escolhas estratégicas.

O choque de civilizações

Em seu artigo "The Clash of Civilizations?" e no livro subseqüente acerca do mesmo assunto, Samuel Huntington descreve o conflito futuro não em termos de competição entre nações-estados por recursos e influência, mas em termos de atrito entre as grandes civilizações do mundo.5 No passado, os membros de civilizações diferentes ou não tinham contato um com o outro ou esse contato era apenas intermitente. Os conflitos ocorriam principalmente entre membros da mesma civilização que disputavam controle local de território, população ou influência. Esta situação se alterou com o surgimento dos grandes impérios ocidentais, cuja tecnologia superior lhes permitiu dominar outras civilizações; os membros da civilização ocidental também levaram a efeito guerras de grande escala um contra o outro. Aparentemente, o fim da Guerra Fria fez terminar a guerra dentro da civilização ocidental, mas também removeu as restrições ao conflito entre outros membros da rede mundial de civilizações, agora estreitamente conectadas.

Nesta nova fase da conexão, Huntington espera que surjam conflitos fundamentais a partir das diferenças culturais entre as grandes civilizações, referidas como cristã ocidental, cristã ortodoxa, islâmica, animista africana, hindu, budista, confucionista e japonesa. Ocorrem conflitos nas "linhas de falha" entre essas culturas, em que assuntos de valores e identidade cultural básica substituem as questões geopolíticas internacionais que davam anteriormente combustível para conflitos entre Estados nucleares.6

Usando-se a moldura de Huntington, vê-se o conflito entre o islã e o Ocidente como continuação de 1.400 anos de competição entre duas culturas expansionistas e universalistas similares em sua visão missionária (na medida em que representam a única verdadeira fé e têm o dever de converter todos os "infiéis").7 Seu monoteísmo lhes torna difícil assimilar divindades adicionais e as leva a perceber o mundo em termos dualísticos. Embora para ambas o mundo seja um resultado do "plano de Deus", que elas têm a obrigação de realizar, o conceito muçulmano do islã como modo de vida recobre a religião e a política, enquanto a cristandade ocidental separa a prática da religião do governo secular do Estado.

Uma pluralidade de fóruns endossou essa perspectiva da guerra contra o terrorismo como choque de civilizações—a quarta guerra mundial. Escrevendo logo depois do 11 de setembro e da guerra no Afeganistão, o Dr. Eliot Cohen, da Johns Hopkins University, descreve esta guerra como "luta pelo governo livre e moderado no mundo muçulmano".8 Falando a um Restoration Weekend Symposium, em 2002, James Woolsey, antigo chefe da Central Intelligence Agency (CIA), desenvolveu a tese do Dr. Cohen, resumindo o conflito em termos essencialmente culturais: "somos odiados pela liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade econômica, por nosso tratamento equitativo—ou, pelo menos, quase eqüitativo—das mulheres, por tudo de bom que fazemos".9 Encontra-se um resumo mais acadêmico do conflito cultural entre o islã e o Ocidente nos escritos de Bernard Lewis, professor emérito de estudos de Oriente Próximo na Universidade de Princeton. Em artigos que cobrem a década passada, o Dr. Lewis identifica a causa como um conflito fundamental entre a visão triunfante que o islã tem de suas passadas conquistas e sua atual marginalização política e econômica.10

Osama bin Laden e a al-Qaeda fizeram declarações similares, descrevendo o conflito como um choque planetário apocalíptico. Em uma entrevista em 1999, bin Laden descreve sua guerra: "digamos que haja duas partes em conflito: a primeira é o mundo cristão, com seu aliado, o judaísmo sionista, liderado pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel; o segundo é o mundo muçulmano".11 Esta mensagem consistente reproduz seu comentário anterior de que "esta guerra não será apenas entre as pessoas de duas mesquitas sagradas e os americanos, mas será entre o mundo islâmico e os americanos com seus aliados, porque esta guerra é uma nova cruzada liderada pelos Estados Unidos contra as nações islâmicas".12 A idéia de um grande choque de civilizações—uma guerra que lança o islã contra o ocidente—serve de grito de guerra para estes grupos. A partir desta perspectiva, ambos os lados concentram-se em diferenças culturais fundamentais entre sociedades ocidental e islâmica e sugerem que o êxito nesta guerra está em mudar (isto é, derrotar) o outro.

Se aceitarmos esta moldura para a guerra contra o terrorismo, precisamos então definir nossos objetivos dentro desta moldura. Neste choque, a meta de cada civilização exige mudar (efetivamente destruir) ou conter o outro. Esses objetivos aplicam-se, quer se adote a posição realista (o outro representa a ameaça que precisa ser destruída ou contida), quer a posição idealista (o outro precisa aceitar os valores e as normas de comportamento "que estão certos"). Construir uma estratégia exige que definamos os modos pelos quais empreguemos nossos meios disponíveis para alcançar o objetivo escolhido—nossas finalidades.

Destruir ou conquistar outra cultura ou grupo de nações que compreendem essa cultura implica mudar os regimes governantes que são as expressões dessa cultura no sistema internacional de Estados-nações. Esta afirmativa pressupõe que tenhamos excluído a aniquilação física da cultura e de sua população, por ser incompatível com os valores de nossa própria cultura. Os novos regimes, ou simpáticos ao Ocidente ou diretamente controlados por ele, precisam, então, mudar as sociedades que governam. A história tem exemplos abundantes de como se podem trocar regimes, embora, na maioria dos casos, tal ação pouco valha para alterar a cultura subjacente, uma vez preservada a população. O exemplo britânico na Índia é instrutivo, como o é sua experiência colonial no Iraque. A colonização das Américas modificou as culturas preexistentes, mas a população nativa foi virtualmente eliminada e substituída—ou dominada—por colonos cristãos ocidentais.

Empregar nossos instrumentos disponíveis, de natureza diplomática, informacional, militar e econômica, para mudar os regimes islâmicos revelar-se-ia difícil. Nosso experimento com sanções diplomáticas e econômicas contra o Iraque, nos anos 90, ilustra a extensão da dificuldade. A despeito de uma pressão diplomática mundial quase unânime e de uma década de embargo quase completo, ainda foi preciso ação militar significativa para derrubar o regime de Saddam Hussein.

Travar guerra contra uma "civilização" exigirá uma estratégia de confronto e conquista. Embora seja problemático, o Ocidente poderia, na verdade, travar e vencer uma guerra assim. Certamente, seria oneroso e exigiria um grande número de soldados, junto com forças militares de alta tecnologia. Também acarretaria um período de ocupação significativo para estabelecer controle sobre a população e mudar seu comportamento por meio de educação e doutrinação.

Embora as Operações Enduring Freedom [Liberdade Duradoura], no Afeganistão e a Iraqi Freedom [Liberdade do Iraque] tenham mostrado a capacidade das forças armadas de alta tecnologia ocidental de vencerem batalhas, o período subseqüente a elas nos ensinou que garantir a estabilidade e reconstruir sociedades exige uma quantidade grande de pessoal. Mesmo com um esforço substancial ainda se está por ver se o Ocidente pode vencer a batalha da informação e desfazer os efeitos de anos de condicionamento ideológico nas escolas islâmicas (madrassas) e no regime de cinco orações diárias nas mesquitas. É duvidoso que uma campanha informacional externa possa modificar significativamente a estrutura da cultura do islã, fechada e auto-suficiente.

Conter os estados islâmicos apresenta uma tarefa ainda mais difícil. A contenção, que implica uma fronteira dentro da qual controla-se o inimigo, exige que se contrua uma forte coalizão para criar e manter essa fronteira. O Ocidente teve êxito em conter a União Soviética, mas só em face da ameaça imediata à sobrevivência das nações coligadas e com a herança das alianças militares da Segunda Guerra Mundial como base para construção da coalizão. Nenhuma dessas coisas está, hoje, disponível. É mais do que provável que o potencial militar das nações islâmicas, mesmo incluindo potências nucleares presentes e futuras, jamais chegue à grandeza do Exército Vermelho soviético.

A contenção econômica do islã representa um problema ainda maior. Diferentemente da União Soviética durante a Guerra Fria, os estados islâmicos desempenham papel crucial na economia do mundo. Muitos membros prospectivos de uma coalizão anti-islâmica dependem de nações islâmicas para o suprimento de petróleo. Só a Arábia Saudita tem cerca de um quarto das reservas mundiais conhecidas de petróleo. O desarranjo econômico do Ocidente causado pela perda desses recursos tornaria extremamente improvável a cooptação de apoio popular para a contenção, na ausência de ameaça assustadora imediata.

Com efeito, dificilmente as pessoas se sentiriam levadas a apontar as nações islâmicas como ameaças significativas. Suas forças militares são pequenas e seu alcance limitado; além disso, eles têm um reconhecido interesse em manter o Ocidente como consumidor de seu petróleo e como, afinal, fonte de sua riqueza. Na verdade, membros da coalizão global contra o terrorismo liderada pelos Estados Unidos incluem o Azerbaijão, Egito, Jordânia, Kuwait, Quirguistão, Malásia, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita, Tadjiquistão, Turquia, Turcomenistão, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão.13

Uma estratégia de contenção apenas adia o conflito, o que é um grande problema. A essência da contenção é a estase—impedir a guerra aberta enquanto, ou se espera que mudem as condições internas do adversário, ou se mantém uma competição não-militar. Sem opções econômicas ou militares efetivas, só podemos esperar a mudança ideológica na população do adversário. A natureza auto-suficiente e a estabilidade cultural exibidas pelo islã indicam que essa espera seria longa. Entrementes, a contenção condena a população adversária ao isolamento e à miséria, fortalece as elites governantes, fornecendo um inimigo externo a quem culpar pelos problemas, e semeia o futuro conflito.

A tese de Huntington especifica onde as guerras têm probabilidade de ocorrer, mas ela certamente não obriga à guerra. Ela pressupõe o atrito ao longo das linhas de falha entre civilizações, mas não exclui a possibilidade de cooperação através dessas linhas. Diversos autores censuram Huntington por sua identificação da cultura como força impulsionadora do conflito futuro, em vez das questões locais de poder político, economia e ideologia.14 Na verdade, a estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos rejeita explicitamente que a guerra contra o terrorismo seja um choque de civilizações: " o inimigo não é um único regime político ou pessoa, ou religião, ou ideologia. O inimigo é o terrorismo—violência premeditada, motivada politicamente perpetrada contra inocentes".15

Nossa Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo [National Strategy for Combating Terrorism] refina esta afirmativa pela concentração no combate às redes terroristas, apresentando, assim, o conflito como um combate entre os terrroristas e todas as nações civilizadas. Explicitamente distintos da sociedade islâmica como um todo, os terroristas são oportunistas maus e desorientados que exploram o descontentamento popular e o usam como combustível para sua agenda radical. Não temos qualquer intenção de travar uma guerra de conquista contra o islã.

Al-Qaeda versus o Ocidente

Embora chamemos esta uma guerra contra o terrorismo, guerras são travadas contra adversários específicos, não contra ações. Nossos adversários nesta guerra são identificados de maneira variada como "radicais muçulmanos", "extremistas islâmicos" ou, de maneira mais simples, "malfeitores". Os comentadores identificam islamitas radicais como terreno fértil para esses indivíduos e citam as teses pacíficas do islã como evidências de que os terroristas não representam o povo árabe ou islâmico, cujos governos não apóiam abertamente grupos terroristas. Em mais de 90 países, inclusive Arábia Saudita, Jordânia, Iêmen, Paquistão, Malásia, e Indonésia, as autoridades têm prendido membros da al-Qaeda e grupos associados.16

Jamal Khashoggi, editor-chefe do jornal de língua inglesa Arab News, na Arábia Saudita, oferece um argumento nesta perspectiva ao apontar a vergonha que bin Laden trouxe a sua ilustre família, sua falta de reconhecimento como um erudito islâmico e sua violação das proibições do islã quanto ao derramamento de sangue humano inocente.17 Não obstante, conforme abundantes relatos, a al-Qaeda e outros grupos fundamentalistas gozam de apoio difundido por todo o mundo islâmico. Steven Emerson—especialista em terroristas, diretor do Investigative Project e autor de American Jihad: The Terrorists Living among Us—depondo perante o Congresso, disse que,

usando uma elaborada rede de mesquitas, escolas, organizações "caritativas" e "humanitárias", e até instalações diplomáticas oficiais, a Arábia Saudita tem fomentado, por muitos anos, o crescimento e a difusão de uma interpretação doutrinária militante do islã. A ideologia do wahhabismo foi exportada não apenas por todo o Oriente Médio, mas por todo o mundo, resultando na doutrinação de ódio anti-americano, anti-cristão, anti-semita e anti-ocidental nas novas gerações da juventude islâmica militante.

Todavia, ele adverte que

é imperativo indicar desde logo que o terrorismo de Osama bin Laden e o extremismo do wahhabismo não são a mesma coisa que o islã. A ampla maioria dos muçulmanos não está inclinada ao terrorismo ou extremismo, mas busca uma coexistência pacífica, tal qual os membros de outras denominações religiosas. É apenas uma pequena minoria extremista islâmica que busca impor sua visão ao resto do mundo muçulmano.18

Os próprios terroristas apóiam esta visão de uma guerra contra o Ocidente. A meta explícita de bin Laden e da al-Qaeda envolve a expulsão do sistema globalizado liderado pelo Ocidente do "mundo islâmico", como modo de "corrigir o que aconteceu ao mundo islâmico em geral e à terra dos dois Lugares Santos em particular".19 Esses comentários referem-se à perda de território nos conflitos árabe-israelenses, a libertação do Kuwait por forças ocidentais, à presença continuada dessas forças na península arábica e ao declínio da sorte econômica do Oriente Médio.20

Bin Laden explicita abertamente o compromisso da al-Qaeda com a violência em sua "Declaração de Guerra contra a Ocupação Americana da Terra dos Dois Lugares Sagrados", divulgada em 1996.21 Além disso, um manual de treinamento da al-Qaeda, capturado durante uma batida policial na Grã-Bretanha, revela explicitamente essas intenções da organização: "governos islâmicos nunca foram e nunca serão estabelecidos por meio de soluções pacíficas e conselhos cooperativos. Eles são estabelecidos, como [sempre] foram, pela pena e pelo canhão, pela palavra e pelas balas, pela língua e pelos dentes".22 Assim, os terroristas desejam obrigar o Ocidente a retirar-se da península arábica e da Palestina. Em mais ampla escala, eles clamam pelo estabelecimento, por meios violentos, de governos islâmicos que rejeitem o contato com o Ocidente e sua influência.

Se esta é a guerra que enfrentamos, precisamos estabelecer a meta de capturar ou destruir os membros destes grupos terroristas bem como dissuadi-los de atos de violência e impedir o recrutamento futuro. Paul K. Davis e Brian Michael Jenkins vêem os terroristas como partes de um sistema completo, cada elemento tendo características e canais de influências singulares (fig. 1). Construir uma estratégia mundial para derrotar terroristas exige o trato adequado de cada uma dessas partes e a integração de medidas diplomáticas, informacionais, militares e econômicas. Tais ações, refletidas na Estratégia Nacional de Combate ao Terrorismo, parecem mais uma operação policial do que uma guerra:

Os Estados Unidos e seus parceiros derrotarão as organizações terroristas de alcance mundial atacando-se os santuários, liderança, comando, controle e comunicações, apoio material e finanças. . . .

Denegaremos aos terroristas que continuem tendo patrocínio, apoio e santuário, garantindo que outros Estados assumam suas responsabilidades em agir contra essas ameaças internacionais dentro de seus territórios soberanos. . . .

Diminuiremos as condições subjacentes que os terroristas buscam explorar, engajando a comunidade internacional para que concentre seus esforços e recursos nas áreas de maior risco. . . .

O que é mais importante: defenderemos os Estados Unidos, nossos cidadãos e nossos interesses, no território nacional e no exterior, tanto pela proteção proativa de nossa pátria quanto pela extensão de nossas defesas para garantir que identifiquemos e neutralizemos a ameaça tão cedo quanto possível (grifos no original).23

A estratégia dos Estados Unidos detalha a espécie de atividades e campanhas necessárias para derrotar terroristas. Para os operadores militares, os conceitos mais significativos envolvem a inversão da relação normal entre uma inteligência e o setor operacional. Nas operações militares convencionais, as forças inimigas são geralmente mais fáceis de encontrar e destruir. Formações militares relativamente grandes e seu equipamento geralmente operam em terreno aberto e emitem uma pluralidade de assinaturas sujeitas a interceptação e localização, usando-se meios técnicos. Pode-se, então, convocar uma força superior para destruir uma parte do poder de combate do adversário em proporção suficientemente grande para neutralizar a coesão e a eficácia da unidade. Então, a unidade derrotada retira-se, dispersa-se ou é capturada.

Figura 1. Os atores em um sistema terrorista

Figura 1. Os atores em um sistema terrorista. (Reproduzido de Paul K. Davis e Brian Michael Jenkins, Deterrence and Influence in Counterterrorism: A Component in the War on al Qaeda, MR-1619-DARPA [Santa Monica, CA: RAND, 2002], 15, http://www.rand.org/publications/mr/mr1619.

Em contraste, os terroristas operam como indivíduos ou em grupos pequenos, enterrados em uma população muito maior, produzindo assinaturas pequenas que se perdem facilmente no ruído da sociedade global. Eles podem levar a efeitos suas atividades usando correios e movimentando-se como indivíduos, para evitar a produção de uma assinatura. Encontrá-los exige um extenso esforço de inteligência para tirar o máximo de qualquer informaçãozinha que os terroristas deixem escapar. Com efeito, inteligência humana talvez seja o único modo de reunir informação útil antes de ações terroristas. Após localizar os terroristas, pode-se capturá-los ou destruí-los com força relativamente pequena, assegurando-se de atingir todos eles; de outro modo, eles podem reagrupar-se rapidamente e levar a efeito seus ataques.

As operações militares na guerra ao terrorismo não exigirão aumento substancial nas forças convencionais. Em vez disso, a contribuição militar deve ter como foco a coleta de informações. Precisamos não subestimar a grandeza do esforço necessário para capturar a débil assinatura dos terroristas, a necessidade de inteligência humana e a natureza crítica da coordenação entre agências. As operações militares tradicionais limitar-se-ão, provavelmente, a fornecer mobilidade e pequenas forças incursoras. O combate importante só ocorreria para lidar com grandes concentrações de terroristas ou Estados que os apóiem. Essas operações militares devem acomodar seus objetivos a termos policiais: capturar cada terrorista, vivo ou morto. Devemos solicitar o auxílio de outras organizações e países para fornecer informação e empreender o desenvolvimento e a construção do país em áreas em que se criam terroristas.

Esta perspectiva brota da suposição de que esta guerra é entre terroristas e nações ocidentais, particularmente os Estados Unidos. Se for assim, os terroristas estão travando uma guerra contra os Estados Unidos, seus ideais e o sistema internacional que os apóia. Eles buscam alterar comportamentos ocidentais específicos, fazer seu ponto de vista vitorioso no mundo e, afinal, destruir a civilização ocidental. Contudo, declarações dos próprios terroristas questionam este modo de ver. A liderança da al-Qaeda tem boa formação e conhece a cultura ocidental. Seria provável que eles imaginassem que os ataques de 11 de setembro levassem a mudanças fundamentais na cultura e no governo do Ocidente? Ou a probabilidade maior é de que eles planejassem os ataques para provocar uma resposta ocidental que pudessem explorar para obter apoio de outro público? Osama bin Laden não está interessado em como sua mensagem ideológica é recebida em Peória. Seus objetivos e público alvo estão dentro do mundo islâmico árabe. Em particular, a revisão da história e da retórica de grupos terroristas islâmicos leva à conclusão de que eles constituem uma insurgência ativa travando uma guerra civil. Se for este o caso, então a luta é entre elementos progressistas e fundamentalistas pelo controle do mundo islâmico.

Guerra civil no mundo
islâmico "árabe"

As declarações e ações dos terroristas são consistentes com uma das mais antigas formas da guerra—insurgência—embora levadas a efeito em um palco planetário. O objetivo deles não é a violência indiscriminada, a vingança ou lucro; ao contrário, eles se vêem como "movimento organizado cujo objetivo é derrubar o governo constituído por meio do uso de subversão e conflito armado".24 Sua liderança eficaz, mas frouxamente organizada, sob a bandeira da al-Qaeda, segue uma ideologia definida que influencia sua estratégia e base de apoio, ao agirem para obter a meta de substituir os atuais governos no mundo árabe por um califado islâmico.25 A base de apoio dos terroristas consiste em uma ampla e bem organizada rede de indivíduos, funcionários de governos religiosos, egressos do movimento Irmandade Islamita Muçulmana e grupos locais dissidentes.

Os fundadores e membros seniores da al-Qaeda têm suas raízes nos movimentos nacionalistas islâmicos, exemplificados pela Irmandade Muçulmana, estabelecida no Egito, em 1928, e estreitamente relacionada ao movimento fundamentalista saudita dos wahhabi.26 Fundada em reação ao domínio colonial das nações islâmicas, a irmandade busca conquistar independência nacional e estabelecer governos islâmicos nas novas nações. Ela proliferou numerosos grupos que dela se destacaram e continua a explorar o descontentamento popular para promover sua causa.27 Desde a retirada das potências coloniais, a irmandade dirigiu seus esforços contra os regimes árabes governantes, buscando participação se possível e, se não, agindo em violenta oposição.

Uma leitura cuidadosa dos próprios pronunciamentos dos terroristas revela sua concentração na Península Arábica. Eles reservam suas invectivas e condenações mais rancorosas para os governantes da Arábia Saudita. No que diz respeito aos problemas na Arábia Saudita, escreve bin Laden: "elas [as pessoas] chegam a acreditar que esta situação é decorrente da maldição de Alá porque não reagem ao comportamento opressivo e ilegítimo e às medidas do regime que as governa: ignorar a lei divina da Sharia, privar o povo do seu legítimo direito, permitir que os americanos ocupem a terra dos dois Lugares Sagrados, prender injustamente eruditos sinceros." Ele apela diretamente à ação das forças de segurança sauditas declarando que

o regime inverteu estes princípios [islâmicos] e seu entendimento, humilhando a Umma [comunidade do islã] e desobedecendo a Alá. Há meio século os governantes prometeram à Umma recuperar a primeira Qibla [literalmente direção da prece; no começo de seu ministério, o Profeta voltava-se para a mesquita de Jerusalém para orar] mas 50 anos mais tarde chegou uma nova geração e as promessas foram mudadas; a mesquita Al-Aqsa [o "Domo da Rocha", em Jerusalém, no Monte do Templo] [foi] entregue aos sionistas, e as feridas da Umma [estão] ainda sangrando ali. Não tendo a Umma recuperado a primeira Qibla e a rota de viagem do Profeta (sobre ele a paz e as bênçãos de Alá), e a despeito de... tudo isto, o regime saudita ludibriou a Umma nas relíquias remanescentes, a cidade santa de Meca e a Mesquita do Profeta (Al-Masjid An-Nabawy), chamando o exército dos cristãos para defender o regime. Foi permitido aos cruzados entrarem na terra dos dois Lugares Santos. Não é de se surpreender, então, que o próprio rei usasse a cruz sobre o peito.28

Robert Baer, um veterano 21 anos na CIA e especialista no Oriente Médio, captura a dinâmica dessa insurgência em seu artigo "The Fall of the House of Saud", argumentando que o regime governante da Arábia Saudita frustrou suas expectativas de legitimidade. Monarquia repressora que não dá aos cidadãos qualquer representação significativa no governo, a casa de Saud perdeu suas credenciais diante da cultura islâmica como defensora dos lugares santos, por causa da corrupção amplamente veiculada, lapsos morais, fracasso em libertar a Palestina e a estreita dependência dos Estados Unidos. Finalmente, uma combinação de crescimento populacional, baixos preços do petróleo e gastos da família real diminuiu a renda per capita anual da Arábia Saudita de US$28,600, em 1981 a US$6,200, em 2001.29 Os dispêndios extravagantes tornaram-se um ponto particularmente doloroso; por exemplo, narra-se que um príncipe gastou US$4,6 bilhões no complexo de um palácio e parque temático fora de Riad. A quantidade de dinheiro desviada para o apoio da família real tornaria a Arábia Saudita a cleptocracia número 1 em qualquer lista—a casa de Saud sequer finge que a renda do petróleo pertença a qualquer outro que não ela própria. O financiamento do Estado consiste no que sobra após o pagamento dos estipêndios reais ao que se estima em 10.000 a 12.000 príncipes.30

A atração de que a al-Qaeda desfruta na Arábia Saudita e no mundo islâmico está em sua promessa de reforma por meio da volta aos preceitos fundamentais do islã, em vez do trabalho longo e adiado de construir governos representativos nas nações islâmicas. Nesta linha, o próprio bin Laden se coloca como um Robin Hood do Oriente Médio, vivendo uma vida modesta de serviço "defendendo os pobres e oprimidos contra um tirano distante e seus capangas que estão próximos".31 Em "Islam and the West" e "The Politics of Rage", Fareed Zakaria descreve sumariamente a atração dos terroristas. Uma crescente população jovem islâmica tornou-se política e economicamente frustrada diante dos governos infensos à participação em todo o mundo árabe, da corrupção generalizada, do mau gerenciamento dos recursos do Estado e de uma civilização planetária que apóia este estado de coisas. Com mensagem profundamente calcada na história, os terroristas oferecem a esses jovens a volta aos valores "tradicionais" islâmicos e às glórias do século XIII, quando os exércitos muçulmanos árabes varriam a África, a Ásia e o sul da Europa. Eles tornaram o apelo por uma renovada expansão islâmica seu grito de guerra.32

Assim, o que significa tudo isto? Os insurgentes usam táticas terroristas em uma guerra civil travada contra regimes muçulmanos ilegítimos", destinada a substituí-los. Como explica Lee Harris, a única importância do Ocidente está em servir de propulsor à campanha dos insurgentes:

O ataque terrorista de 11 de setembro não foi planejado para nos fazer mudar de política, mas foi engendrado por seus efeitos nos próprios terroristas: foi uma peça teatral espetacular. Os alvos não foram escolhidos pela al-Qaeda por meio de um cálculo militar—em contraste, por exemplo, com o ataque japonês a Pearl Harbor—mas completamente porque se erguiam como símbolos do poder americano, reconhecidos universalmente pelo homem da rua árabe. Foram gigantescos promotores em um espetáculo grandioso no qual a fantasia coletiva do islã radical foi trazida à vida de maneira marcante: um simples punhado de muçulmanos, homens cuja vontade era absolutamente pura, como provava seu martírio, derrubaram as altivas torres erigidas pelo Grande Satã. Que melhor prova poderia existir de que Deus estava do lado do islã radical e que o reino do Grande Satã podia ser atingido?33

Esta manipulação de símbolos e percepções é característica da insurgência. Como os insurgentes não podem ganhar batalhas convencionais e conquistar territórios, buscam outros canais para alcançar a vitória. Afinal, a esperança deles é persuadir a população a deixar de dar apoio ao governo atual (isto é, destruir sua legitimidade) e, em vez disso, apostar na insurgência.

A legitimidade do governo, o prêmio de qualquer guerra civil, depende de muitos fatores: um equilíbrio aceitável de bem-estar material e segurança, participação significativa no governo e consistência cultural. O lado que atender melhor a essas necessidades obterá apoio popular. Dr. Gordon H. McCormick, da Naval Postgraduate School, usa um triângulo governo-povo-insurgentes para ilustrar este conflito fundamental (fig. 2).34 Os insurgentes buscam romper a conexão do governo com o povo demonstrando a incapacidade que o governo tem de governar. Os ataques a funcionários do governo e a seus defensores revelam a impotência do regime, enquanto os ataques a alvos econômicos solapam sua capacidade de atender às necessidades materiais da população. Muitos grupos insurgentes apresentam uma estrutura em competição—tanto assistência econômica quanto um governo "paralelo"—para começar a substituir ativamente o governo e fortalecer seu laço com o povo. Encontra-se evidências dessas atividades em laços amplamente noticiados entre organizações terroristas e "instituições de caridade" islâmicas, bem como na origem da al-Qaeda em instituições de caridade que não apenas recrutava combatentes para a guerra do Afeganistão contra a União Soviética, mas também concedia benefícios aos veteranos desse conflito. De sua parte, o governo procura distinguir entre insurgentes e a população em geral, atacando os primeiros ou removendo e protegendo a última. Ao mesmo tempo, o governo precisa tratar das queixas que fizeram surgir a insurgência.

Figura 2. Triângulo governo-povo-insurgentes

Figure 2. Triângulo governo-povo-insurgentes

Se os terroristas são insurgentes travando uma guerra civil dentro do mundo islâmico, qual é a estratégia apropriada? E quem precisa executá-la? Derrotar uma insurgência exige que identifiquemos e destruamos os "soldados" inimigos, bem como que ataquemos os alicerces ideológicos dos insurgentes, sua estrutura de apoio e as condições subjacentes que os fizeram surgir e que os sustentam. Derrotar esse sistema mais amplo; destruir a fonte de que se valem os terroristas para novos recrutas, apoio e santuário; e devolver pacificamente os combatentes inimigos às suas sociedades são condições necessárias para a vitória nesta guerra.

Embora seja um assunto bem estudado, a contra-insurgência não é bem compreendida. O simples reconhecer de que os terroristas estão travando uma guerra global de insurgência dá o descortino doutrinário mais importante: as operações militares convencionais não podem ser dominantes em nossa estratégia final para a vitória, e só podemos vencer a batalha dentro do mundo muçulmano. Quer dizer, só os governos dos países podem vencer a luta por legitimidade popular—não uma potência exterior. Encontra-se minuciosa doutrina dos Estados Unidos para contra-insurgência nas diretrizes do Exército dos Estados Unidos relativa à defesa interna no estrangeiro, cujo foco é a defesa interna e o desenvolvimento (IDAD)—o pleno espectro de medidas adotadas por um país para promover seu crescimento e proteger-se da subversão, da ruptura da legalidade e da insurgência. A IDAD concentra-se na construção de instituições viáveis—políticas, econômicas, militares e sociais—que respondam às necessidades da sociedade.35

Essas definições, que se concentram em segurança e desenvolvimento vindo de dentro da sociedade ameaçada, precisam configurar cada aspecto de nossa estratégia. O papel dos Estados Unidos ou de qualquer potência externa em uma estratégia de IDAD é assessorar, treinar e auxiliar as forças do país no estabelecimento do controle governamental dentro de suas fronteiras. A suposição crítica implícita nesta doutrina é a de que o governo do país que recebe esse apoio possa ganhar e manter a legitimidade.36 Embora uma perspectiva de curto prazo se concentre em encontrar e derrotar os insurgentes, uma estratégia completa reconhece o primado dos aspectos político, econômico e social do conflito.

Na IDAD, operações puramente militares devem fornecer um ambiente seguro no qual o desenvolvimento equilibrado possa ocorrer. As operações iniciais dos Estados Unidos no Afeganistão serviram a esta função, destruindo os exércitos dos talibãs e da al-Qaeda e expulsando-os dos centros populacionais. Contudo, operações militares jamais devem tornar-se ações independentes destinadas apenas a destruir forças de combate insurgentes e as áreas de suas bases. As operações militares devem permanecer parte de um esforço sincronizado para obter metas mais amplas.37

A campanha de contra-insurgência nos programas de IDAD assumem a forma de três fases que se superpõem—às vezes são simultâneas. Na primeira fase, as forças militares e paramilitares garantem a área alvo para consolidação. Novamente, admite-se que essas forças sejam tropas do país sob o controle de um governo local legítimo. Elas têm como meta a destruição sistemática tanto da estrutura de força inimiga quanto de insurgentes individuais. Como geralmente vivem pessoas na área a ser consolidada, os soldados precisam limitar o uso de artilharia para reduzir baixas civis e danos à propriedade. O verdadeiro esforço de consolidação começa com a segunda fase, quando as agências de imposição da lei substituem as forças operacionais, após terem essas últimas destruído ou neutralizado os insurgentes e sua infra-estrutura. A fase final diz respeito ao trabalho de desenvolvimento—construção do país—em que o governo local traz à população segurança e prosperidade.38 Aplicar esta doutrina a um conflito global que cruza fronteiras nacionais, culturais e econômicas representam desafio, porque sua natureza mundial amplia o escopo das operações em todas as áreas e complica as interações entre as partes do sistema terrorista e nossa estratégia.

Para tratar dessas complicações, a maior parte dos acadêmicos e da atual doutrina dos Estados Unidos contemplam as insurgências como sistemas complexos. Fazer isto exige que consideremos os efeitos de nossas ações sobre a organização dos insurgentes, sobre as relações entre suas diferentes partes e sobre as relações entre os insurgentes e o resto do mundo. Na perspectiva militar, precisamos usar um tratamento de sistemas para integrar os efeitos políticos, sociais e econômicos das ações militares no conflito mais amplo. Os seguintes comentários combinam a doutrina militar com o trabalho de Bard E. O’Neill, particularmente sua abrangente análise Insurgency and Terrorism: Inside Modern Revolutionary Warfare.39

A doutrina do Exército usa sete elementos como moldura para analisar uma insurgência: liderança, ideologia, objetivos, ambiente, apoio externo, fase temporal e padrões operacionais/organizacionais dos insurgentes.40 O’Neill organiza sua análise em torno da organização e unidade dos insurgentes, natureza da insurgência, estratégias dos insurgentes, ambiente, apoio popular, apoio externo e resposta governamental.41 Em qualquer moldura, precisamos examinar essas características e aplicá-las adequadamente ao atual campo de batalha planetário da insurgência.

A análise da insurgência dá as características de cada componente do sistema terrorista e sugere, então, potenciais métodos de operação e vulnerabilidade dos terroristas, e estratégias para derrotá-los. Contudo, não se podem construir partes individuais da estratégia isoladamente, porque as interações entre as partes do sistema terrorista, o ambiente global e nossas próprias ações podem resultar em que uma dada estratégia tenha efeitos imensamente diferentes em partes diversas do sistema. Por exemplo, a noção tradicional de apoio externo a uma insurgência considera o Estado-nação que fornece aos insurgentes santuários e recursos. Nesta guerra, o apoio aos insurgentes não consiste em Estados, mas de uma rede complexa de indivíduos, funcionários de governos e organizações—ostensivos e secretos—que lhes oferecem assistência e abrigo dentro das sociedades abertas do Ocidente ou das regiões sem lei do mundo. Eles usam comunicações, transportes e infra-estruturas financeiras globais como parte integrante de suas operações. Tudo isto complica a tarefa de localizar, isolar e derrotar os insurgentes.

Destruir uma insurgência é uma tarefa complexa e de longo prazo para a qual não há arma inteligente, bala de prata ou um nó crítico que garanta uma vitória rápida. Esta guerra apresenta poucas oportunidades de combate entre as forças militares organizadas em uma área definida e em que os não combatentes estejam bem separados em uma área distinta de retaguarda. Provavelmente, as operações militares que ocorram serão semelhantes às caóticas e sujas pequenas guerras do passado.42 Mais importante do que esses poucos conflitos abertos será a campanha sustentada e compreensiva para "drenar o charco" em que os terroristas são criados—o que é fundamental para a contra-insurgência. Infelizmente, esta atividade exerce pouca atração sobre o Departamento de Defesa, já que oferece poucas oportunidades para utilizar o melhor de nossa tecnologia, gera poucas exigências de programas dispendiosos e leva, para completar-se, diversos mandatos políticos eleitorais. Nisto há, também, pouco espaço para combates gloriosos entre combatentes valentes, exigindo habilidades mais aparentadas às de um policial fazendo a ronda ou a um político local construindo uma comunidade. Uma rápida comparação dos princípios da guerra com os das operações militares de não-guerra (MOOTW) (Considera-se a contra-insurgência um subconjunto das MOOTW) da doutrina combinada dos Estados Unidos, sublinha essas diferenças (tabela 1).

Tabela 1. Princípios da guerra e princípios de MOOTW4

Guerra MOOTW
Objetiva Objetiva
Ofensiva Contida
Massa  
Economia de Força  
Manobra  
Unidade de Comando Unidade de Esforço
Segurança Segurança
Surpresa Perseverança
Simplicidade Legitimidade

Adaptado do Joint Publication 1, Joint Warfare of the Armed Forces of the United States, 14 November 2000, III-8.

Embora isto possa estar além de nossos recursos e possa não nos caber a solução dos problemas que as sociedades muçulmanas enfrentam, podemos fazer muito para encorajar o mundo muçulmano a resolvê-los internamente. Historicamente, a incapacidade de participar na configuração de uma política pública tem levado os homens a insurgências. Todavia, a democracia e o governo representativo não são incompatíveis com a prática do islã. Os governos da Turquia, da Indonésia, do Irã e ocasionalmente do Paquistão exibem a democracia participativa em graus variados. Grandes números de muçulmanos vivem em nações ocidentais, praticando sua religião e tomando parte na democracia. Precisamos fazer todo esforço para encorajar essas nações e grupos a assumirem a condução do mundo islâmico e de suas organizações.

Contudo, nossa primeira tarefa é impedir ataques futuros aos Estados Unidos e ao resto do mundo civilizado—isolar a insurgência de maneira a combatê-la e derrotá-la em seu próprio território originário. O ideal seria identificarmos, capturarmos e destruirmos todos os terroristas potenciais antes que atacassem. Contudo, a natureza dispersa, difusa e fechada das organizações terroristas/insurgentes torna isso impossível. Igualmente importante é que precisamos manter a legitimidade e uma sólida base legal para nossas ações. A maior parte dos terroristas potenciais não comete um crime evidente até que ataque. Há evidências de que os infames 19 seqüestradores do 11 de setembro entraram nos Estados Unidos legalmente e não violaram a lei até aquele dia. Se não podemos prender os terroristas, então precisamos dissuadi-los de iniciar seu ataque.

Como, porém, podemos dissuadir adversários que de boa vontade se matam para nos atacar? Uma resposta está em ver o sistema que os apóia e sustenta e, então, conceber e executar uma estratégia sustentada que ataque cada parte desse sistema de um modo adequado. Em sua maioria, os membros do sistema terrorista, particularmente os que fazem parte da estrutura de apoio, não estão dispostos a morrer pela causa e podem ser dissuadidos se lhes for imputada a responsabilidade que até aqui eles evitaram. Outra resposta acarreta a denegação aos terroristas de qualquer benefício por suas ações. Fortificar os alvos diminui diretamente o dano que o terrorista inflige em troca de seu sacrifício, e tratar terroristas como criminosos sujeitos a um julgamento público e à prisão nega-lhes o martírio. Talvez a tática mais importante recomende colocar os atos terroristas em seu contexto islâmico completo. A al-Qaeda sofreu fortes críticas de líderes religiosos islâmicos por praticar um ensino islâmico seletivo e falsificado. A morte em combate pode atrair elogios no islã, mas não o suicídio.43

Conclusão

Que tipo de guerra é esta? Há evidências de que é primordialmente uma guerra civil pelo controle do mundo islâmico árabe. Contudo, sua arena global e as táticas de terror dos insurgentes tiram a nitidez de nossa perspectiva. Questões culturais—o atrito entre culturas—são fatores na batalha pelo governo legítimo em países muçulmanos. O conflito ainda não assumiu a forma de um choque de civilizações, mas poderia tornar-se isto.

Nesta guerra, temos apoiado regimes atuais em países muçulmanos, tanto explícita quanto implicitamente, por meio da economia global e das instituições políticas. Os insurgentes—os terroristas—que buscam destruir esses regimes adotaram a tática de eliminar esse apoio, atraindo-nos, desse modo, para a guerra. Os terroristas vêem esta conexão com o Ocidente como um centro de gravidade, e redescobriram o comentário de Clausevitz a respeito desse último: "[para] pequenos países que confiam em outros grandes, ele [o centro de gravidade] é, geralmente, o exército do protetor".44 Vencer a guerra contra o terror nos exige continuar com o auxílio a regimes amigos em seus esforços para eliminar insurgentes—não retirar nosso apoio.

Todavia, nesta guerra civil, nenhum lado defende valores ou exibe ações que admiramos completamente. Independentemente das motivações dos insurgentes, não podemos permitir ataques aos Estados Unidos. O fato de escolherem o terrorismo como tática e de tomarem como alvo cidadãos dos Estados Unidos exige resposta nossa. Entretanto, não precisamos fazer isto dando apoio incondicional aos atuais governos do mundo árabe. Precisamos elaborar cuidadosamente nossa resposta para encaixar-se nas realidades deste conflito, particularmente em termos de pôr fim às operações terroristas nas áreas que estão para além do alcance dos governos muçulmanos, ao mesmo tempo que encorajamos reformas internas para resolver queixas legítimas.

Com efeito, existem insurgências por causa de queixas. Eliminá-las exigirá mudanças fundamentais nos atuais governos árabes—uma parte essencial de qualquer solução de longo prazo. Efetuar essa mudança é uma tarefa difícil e delicada que exige cuidadosa ponderação de nossas palavras e ações. Nosso alvo precisa ser o mal, tanto dos terroristas quanto dos regimes repressivos, em termos coerentes com a cultura deles. Assim como o ato terrorista não é o inimigo, tampouco o é o islã. Em vez disso, os inimigos são indivíduos e instituições que usam violência para dominar seus semelhantes. Precisamos evitar um choque de civilizações estimulando a maturidade dos dirigentes.

O islã e o Ocidente podem ter diferenças, mas as diferenças não levam ao conflito até que um lado desafie o outro. Neste caso, a estratégia nacional dos Estados Unidos, nossos valores fundamentais, a natureza aberta das sociedades ocidentais e as interconexões globais que levam a influência ocidental aos lares em todo o mundo combinaram-se para nos colocar no meio de uma guerra civil em andamento no mundo islâmico. Os Estados Unidos têm, coerentemente, propugnado a democracia no exterior e o trabalho ativo para levar a democracia e o império da lei a cada canto do mundo—comprometendo-se com mudar esses aspectos em outras civilizações.45 As crenças e valores do Ocidente, transportadas pela rede planetária de informação, entraram em virtualmente todas as partes do mundo islâmico.

Se, na verdade, esta guerra contra o terrorismo se tornar um choque de civilizações, terá sido o Ocidente que a iniciou de maneira inadvertida, e a exigência insaciável do mundo quanto aos frutos da civilização ocidental vai sustentá-la. Essa exigência popular torna-me confiante em que as exigências inegociáveis da dignidade humana, explicitadas em nossa estratégia de segurança nacional—"o império da lei, limites ao poder absoluto do Estado, liberdade de expressão, liberdade de crença, justiça imparcial, respeito pelas mulheres, tolerância étnica e religiosa e respeito pela propriedade privada"—no fim hão de triunfar.46

Notas:

1. O significado de terrorismo, conforme usado aqui, é consistente com o que se encontra no relatório anual Patterns of Global Terrorism, do Departamento de Estado dos Estados Unidos, colhido do Título 22 doUS Code, sec. 2656f(d): "O termo terrorismo significa violência premeditada motivada politicamente e perpetrada contra alvos não-combatentes por grupos subnacionais ou agentes clandestinos, geralmente com a intenção de influenciar um público". O significado de terrorismo transnacional alinha-se com o que se encontra no livro de Bard E. O’Neill, Insurgency and Terrorism: Inside Modern Revolutionary Warfare (Dulles, VA: Brassey’s, Inc., 1990): terrorismo levado a efeito por atores autônomos não-estatais, para distingui-lo de atos levados a efeito por grupos controlados por um Estado soberano (24).

2. President George W. Bush, National Strategy for Combating Terrorism (Washington, DC: The White House, February 2003), 2, disponível em: http://www.whitehouse.gov/news/releases/2003/02/counter_terrorism/counter_terrorism_strategy.pdf.

3. Para uma boa perspectiva inicial, veja-se Elaine M. Grossman, "Is the U.S. Military Ready to Take on a Non-Conventional Terror Threat?" Inside the Pentagon, 18 October 2001, 1. Uma perspectiva global, embora ainda concentrada em operações militares convencionais, aparece no artigo de Eliot Cohen, "World War IV," Wall Street Journal, 20 November 2001. Para discussões mais minuciosas, veja-se Lt Col Andrew J. Smith, Royal Australian Army, "Combatting Terrorism," Military Review, January–February 2002, 11–18; e Colin S. Gray, "Thinking Asymmetrically in Times of Terror," Parameters, Spring 2002, 5–14. Para um tratamento geral, veja-se T. Irene Sanders, "To Fight Terror, We Can’t Think Straight," Washington Post, 5 May 2002, B2.

4. Bush, National Strategy for Combating Terrorism, 1.

5. Samuel P. Huntington, "The Clash of Civilizations?" Foreign Affairs 72, no. 3 (Summer 1993): 22–28; e idem, The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order (New York: Simon and Schuster, 1996).

6. Huntington, Clash of Civilizations, 208.

7. Ibid. Este parágrafo sumariza muito do capítulo 9, "The Global Politics of Civilizations."

8. Cohen, "World War IV."

9. O Restoration Weekend é um simpósio conservador anual patrocinado pelo Center for the Study of Popular Culture, um grupo 501(c)(3) sem fins lucrativos sediado em Los Angeles. Em novembro de 2002, o simpósio realizou-se em Palm Beach, FL. James R. Woolsey, "World War IV" (speech, Restoration Weekend Symposium, 16 November 2002, disponível em: http://www.globalsecurity.org/military/library/report/2002/021116-ww4.htm).

10. Bernard Lewis, "The Roots of Muslim Rage," Atlantic Monthly 266, no. 3 (September 1990): 47.

11. Transcrição de "Usamah Bin-Ladin, the Destruction of the Base", apresentada por Salah Najm (realizada por Jamal Isma’il em um lugar não especificado do Afeganistão), divulgado em 10 de junho de 1999, Terrorism Research Center, disponível em: http://www.terrorism.com/terrorism/BinLadinTranscript.shtml.

12. Osama bin Laden, "Dispatches 1997," citado em "A Sampling of Quotations from Osama bin Laden," Boston Herald, 20 September 2001.

13. US Central Command, "International Contributions to the War on Terrorism", disponível em: http://www.centcom.mil/Operations/Coalition/joint.htm (acesso em: 19 August 2003); e US Department of Defense, "International Contributions to the War against Terrorism", fact sheet, 14 June 2002, disponível em: http://www.state.gov/coalition/cr/fs/12753.htm.

14. Para uma selação de artigos a respeito da tese de Huntington, veja-se Richard E. Rubenstein e Jarle Crocker, "Challenging Huntington," Foreign Policy, no. 96 (Fall 1994): 113; Edward W. Said, "The Clash of Ignorance," Nation 273, no. 12 (22 October 2001): 11; e Seifudein Adem Hussein, "On the End of History and the Clash of Civilization: A Dissenter’s View," Journal of Muslim Minority Affairs 21, no. 1 (2001): 25–38.

15. President George W. Bush, The National Security Strategy of the United States of America (Washington, DC: The White House, 17 September 2002), 5, disponível em: disponível em: http://www.whitehouse.gov/nsc/nss.html.

16. United States Embassy, Tokyo, Japan, "White House Details Steady Progress in Global War on Terrorism," fact sheet, 1 July 2003, disponível em: http://japan.usembassy.gov/e/p/tp-20030703a4.html (acesso em 16 de agosto de 2004).

17. Jamal Khashoggi, "War against Terror: a Saudi Perspective," Arab News, 9 October 2001, disponível em: http://www.arabview.com/articles.asp?article=109 (accessed 25 July 2003).

18. Senate, Testimony of Steven Emerson with Jonathon Levin before the United States Senate Committee on Governmental Affairs: "Terrorism Financing: Origination, Organization, and Prevention: Saudi Arabia, Terrorist Financing and the War on Terror," 108th Cong., 1st sess., 31 July 2003, 3, disponível em: http://www.senate.gov/~gov_affairs/073103emerson.pdf. See also Steven Emerson, American Jihad: The Terrorists Living among Us (New York: Free Press, 2002).

19. Osama bin Laden, "Declaration of War against the Americans Occupying the Land of the Two Holy Places," Al Quds Al Arabi, 1 August 1996, disponível em: http://www.defenddemocracy.org/research_topics/research_topics_list.htm?topic=7580&page=2.

20. Dr. Fareed Zakaria, "Special Report: The Politics of Rage," Newsweek 138, no. 16 (15 October 2001): 36.

21. Bin Laden, "Declaration of War."

22. Al Qaeda Training Manual (located by the Manchester [England] Metropolitan Police during a search of an al-Qaeda member’s home), disponível em: http://www.fas.org/irp/world/para/manualpart1.html.

23. Bush, National Strategy for Combating Terrorism, 11–12.

24. Joint Publication 1-02, Department of Defense Dictionary of Military and Associated Terms, 12 April 2001 (as amended through 9 June 2004), 260, disponível em: http://www.dtic.mil/doctrine/jel/new_pubs/jp1_02.pdf.

25. O califado concebido uniria o mundo muçulmano sob o governo de um líder temporal e religioso—um califa, que é considerado sucessor do profeta Maomé.

26. Para uma boa discussão da influência da Irmandade Muçulmana sobre Osama bin Laden, veja-se Peter L. Bergen, Holy War, Inc.: Inside the Secret World of Osama bin Laden (New York: Free Press, 2001).

27. Gary Servold, "The Muslim Brotherhood," in Know Thy Enemy: Profiles of Adversary Leaders and Their Strategic Cultures, ed. Barry R. Schneider e Jerrold M. Post (Maxwell AFB, AL: USAF Counterproliferation Center, November 2002), 41–84.

28. Bin Laden, "Declaration of War."

29. Robert Baer, "The Fall of the House of Saud," Atlantic Monthly, May 2003, 53–62.

30. Ibid., 56.

31. Bernard Lewis, "Deconstructing Osama and His Evil Appeal," Wall Street Journal, 23 August 2002.

32. Zakaria, "Special Report". Este relatório especial em cinco partes—"Islam and the West" e "The Politics of Rage"—oferece uma descrição genérica e abrangente das questões que servem de combustível ao terrorismo islâmico e à violência.

33. Lee Harris, "Al Qaeda’s Fantasy Ideology," Policy Review, no. 114 (August/September 2002): 19.

34. A relação de "legitimidade" entre governo, povo e insurgentes é fundamental para a doutrina e teoria da contra-insurgência. Em conversas com o autor, diversos oficiais empenhados na guerra contra o terrorismo disseram que o triângulo do Dr. McCormick lhes deu um descortino crítico ao desempenharem suas missões.

35. US Army Field Manual (FM) 31-20-3, Foreign Internal Defense Tactics, Techniques, and Procedures for Special Forces, 20 September 1994, 1-1.

36. A legitimidade do governo está nas mentes das pessoas governadas. Elas consentem o mando do governo ou a ele aquiescem em troca de uma combinação de segurança física, participação significativa na tomada de decisão governamental e recompensas materiais—em outras palavras, a "vida, liberdade e busca da felicidade" a respeito de que Thomas Jefferson escreveu na Declaração da Independência. Isto não significa que governos legítimos precisem ser democracias liberais ou atender igualmente a todas as exigências. Enquanto existam mecanismos adequados para satisfazer as necessidades aparentes dos governados, o povo verá o governo como legítimo. Por exemplo, a despeito da natureza repressiva da URSS, seu povo parecia conferir legitimidade ao governo comunista até que ele se tornasse completamente incapaz de atender às necessidades materiais. O atual governo da China parece manter legitimidade atendendo à segurança da população e as suas necessidades materiais, a despeito de oferecer pouca participação significativa na tomada de decisões governamentais.

37. FM 31-20-3, Foreign Internal Defense, 1-18.

38. Ibid., appendix C.

39. O’Neill, Insurgency and Terrorism.

40. FM 31-20-3, Foreign Internal Defense, 1-8.

41. O’Neill, Insurgency and Terrorism. Alterei a ordem da apresentação para facilitar o paralelismo com informações anteriores tiradas da Doutrina do Exército.

42. Para uma boa definição, veja-se o texto clássico: Col C. E. Callwell Small Wars: Their Principles and Practice, 3d ed. (1906; repr., Lincoln: University of Nebraska Press, 1996):

Pequena guerra é um termo que se tornou de uso amplo nos últimos anos e que se admite algo difícil de definir. Pode-se praticamente dizer que inclui todas as campanhas diferentes das que opõem lados que consistem em soldados regulares. Compreende expedições de soldados disciplinados contra selvagens e semi-civilizados; compreende campanhas empreendidas para suprimir rebeliões e guerrilhas em todas as partes do mundo em que exércitos organizados estão lutando contra oponentes que não os enfrentarão em campo aberto e, assim, cobre obviamente operações muito variadas quanto ao escopo e quanto às condições (21).

43. "Suicide Bombings Are UnIslamic, Says Grand Mufti," Gulf News, online ed., 25 April 2001, disponível em: http://www.gulf-news.com/Articles/print.asp?ArticleID=15483.

44. Carl von Clausewitz, On War, ed. and trans. Michael Howard and Peter Paret (Princeton, NJ: Princeton University Press, 1976), 596.

45. President William J. Clinton, A National Security Strategy for a New Century (Washington, DC: The White House, May 1997), i; e Bush, National Security Strategy, introduction.

46. Bush, National Security Strategy, 3.


Colaborador

Coronel John D. Jogerst, USAF

O Coronel John D. Jogerst (Academia da Força Aérea dos EUA; Mestrado, University of Arkansas) é vice-inspetor geral do Comando de Operações Especiais da Força Aérea. Foi o titular da Cátedra de Operações Especiais na Universidade da Força Aérea, no corpo docente da Air War College, Maxwell AFB, Alabama. Exerceu também as funções de diretor de estado-maior no QG do Comando de Operações Especiais dos EUA, Base Aérea MacDill, Flórida, comandante do 19º Esquadrão de Operações Especiais, Hurlburt Field, Flórida, e navegador de C/MC-130. Colaborador da Air & Space Power Journal, o Cel Jogerst tem os seguintes cursos: Squadron Officer School, Air Command and Staff College e Air War College, todos em regime presencial.

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