Documento criado em 1° Setembro 05
ASPJ  Em Português 3° Trimestre 2005

Símbolos Heráldicos da
Força Aérea Brasileira
origem e significação da heráldica

Capitão QOEA SVA Osíris Gomes
do Nascimento, Força Aérea Brasileira
Suboficial SAD Guerda Rachor, Força Aérea Brasileira

CORES, BRASÕES E insígnias têm sido associados às forças militares, ao longo dos anos. As legiões romanas usavam estandartes próprios para indicar sua posição e, na China, as legiões dividiam-se em unidades que eram identificadas por diferentes bandeiras coloridas.

Na Idade Média européia, o emprego de armaduras e de elmos para proteção obrigava os combatentes a se identificarem pelas cores das sobrevestes e dos escudos. Os regimentos do exército britânico, por sua vez, utilizavam um estandarte, conhecido como "as cores", que simbolizavam a alma do regimento, e ia para combate no centro da tropa. Sempre zelosamente guardado, onde ficava o estandarte, lá permanecia o regimento e, se necessário, o último homem deveria defendê-lo até a morte. Perder "as cores" para o inimigo era a pior desonra que o regimento podia sofrer.

"As cores" eram o símbolo do regimento. Os símbolos são imagens que representam as idéias e os fenômenos da realidade. O mundo à nossa volta está repleto de símbolos, cujo significado se arrasta ao longo dos séculos. Em todo o mundo, os símbolos têm relação com as verdades mais profundas. Assim podemos dizer que existe no mundo uma fascinante linguagem sintética chamada simbologia. Com ela sabemos que a balança é o símbolo da justiça, o Sol o da vida, a água da purificação, a cruz do cristianismo, o Pégasus da rapidez e criatividade.

Um dos usos mais coloridos e atraentes de símbolos ocorre na Heráldica. Com uma variedade de elementos temos plantas, animais, pessoas, seres mitológicos, formas geométricas, cores e inscrições que são reunidos num brasão ou numa bandeira para representar uma família, uma empresa ou uma nação. A prática da heráldica vem da Idade Média, para identificar cavaleiros em combates ou torneios. Logo se formou um sistema complicado, que teve de seguir normas escritas, postas em prática por arautos ou "heraldos" dos reis. Os cavaleiros e seus cavalos se vestiam suntuosamente para uma "justa" (disputa em torneio). Os símbolos heráldicos apareciam no escudo, na armadura e no manto (cota de armas) usado sobre ela. O brasão servia para identificar o dignitário a cujo serviço o arauto se encontrava e suas roupas ostentavam as cores desse nobre. O vocábulo heráldico deriva do alemão "Herald", anunciador, arauto, transmissor das ordens ou leis dos soberanos e suseranos.

Heráldica é a ciência e arte que estuda e interpreta as origens, evolução, representação e simbolismo dos Brasões de Armas. É também o conhecimento das regras, segundo as quais as armas devem ser compostas, definidas e reproduzidas. A heráldica é uma representação de símbolos criados desde a Idade Média, no tempo das cruzadas, e acessíveis ao homem moderno. Como reflexo do comportamento humano, a arte heráldica chegou até nós como uma atividade plena de criação, atualizando-se no tempo, e, guardadas as leis heráldicas básicas, notabilizando-se em cada país e em cada corporação pela força única de eternizar suas culturas e costumes. Esta ciência também chamada "Ciência Heróica" define-se como o conjunto de preceitos que regulam a forma por que se devem simbolizar acontecimentos, basicamente de ordem histórica, que pareceu conveniente perpetuar.

A verdadeira ciência heráldica remonta ao século XI, quando surgem alguns regulamentos referentes a ela, embora a arte dos brasões seja bastante antiga, originando-se nos distintivos de penas, peles, tatuagens ou pinturas dos povos primitivos. São antiqüíssimos os símbolos das famílias, tribos e cidades; por exemplo: a loba de Roma, o escaravelho egípcio, etc. Os poemas dos ciclos hindus e gregos descrevem as armas e escudos simbólicos dos chefes militares. Da representação dessas figuras nos escudos nasceu a Heráldica.

A partir do século XIII, a ciência heráldica passa a subordinar-se às regras até hoje conservadas. Foi então que cada família passou a dispor de um brasão, propriedade pessoal e intransferível. Constitui-se, assim, definitivamente, a linguagem simbólica da nobreza.

Com o surgimento do avião, no começo do século passado, foi necessário criar algum tipo de sinal distintivo ou codificado, capaz de identificar seu operador e sua nacionalidade. O uso de bandeiras nos aviões não é aerodinamicamente prático e, por isso, os emblemas nacionais começaram a ser pintados na asas, na cauda e na fuselagem das primeiras aeronaves. Em 1907, a Convenção de Haia firmou as regras para as insígnias militares aéreas e, em 1919, os regulamentos da aeronáutica civil foram instituídos internacionalmente na Convenção Aérea de Paris.

As insígnias nacionais geralmente estão relacionadas à bandeira de cada país e seus desenhos variam bastante. Quase sempre, as cores também correspondem ao emblema nacional, embora limitadas pela tendência atual de reduzir ou eliminar totalmente o brilho das marcas nos aviões de combate. Em lugar delas aplicam-se, atualmente, tons pastel ou apenas o esboço das marcas originais. Em situações de tensão ou de conflito aberto entre países, as insígnias são reduzidas em tamanho ou totalmente removidas, mas isso é recomendável apenas para o país que tenha superioridade aérea ou um eficiente sistema IFF (identificação de amigo-ou-inimigo), pois, caso contrário, a ausência de insígnias pode levar o avião a ser abatido.

Inserindo-se na heráldica militar, a área de heráldica da Força Aérea versa, obviamente, sobre a Aeronáutica nas suas variadas manifestações, formas e cores. Todas as marcas dos modernos aviões de combate têm uma função. Uma função simbológica. Desta forma, também a Força Aérea Brasileira atingiu a sua maturidade heráldica, e aqueles que mergulharem em seus fatos históricos e tradições serão surpreendidos com brasões e escudos de uma sensível presença lógica, a mais pura significação do Homem na Força Aérea.

O objetivo deste artigo, é mostrar como os símbolos da Força Aérea Brasileira devem ser conhecidos e entendidos.

A Heráldica na Força
Aérea Brasileira

Os primeiros contatos com a Força Aérea Americana, através do 1º Grupo de Aviação de Caça, foi um marco original para a heráldica da Força Aérea Brasileira. Ali, os nossos pilotos foram impregnados, como tantos outros, pela misteriosa magia dos escudos coloridos, descobrindo que através da forma caricaturizada dos escudos podiam descarregar todas as tensões que os comprimiam, da mesma maneira que as antigas tribos quando usavam imagens para afugentar os maus espíritos e os possíveis inimigos, exigindo-lhes o respeito.

A Força Expedicionária Brasileira—FEB, era composta de Esquadrões de Caça e de Reconhecimento que receberam equipamentos dos Aliados que, por força da convenção, teriam que utilizar os símbolos americanos nas suas fuselagens, devido ao ataque das artilharias antiaéreas.

Na medida em que fomos nos afastando do combate, também os escudos foram tomando novas formas e características, sendo novos emblemas criados e voltados para a intimidade das Organizações, assumindo a verdadeira função de refletir os fatos históricos e atos heróicos das Organizações Militares da nova Arma. Um Brasão de Armas será a imagem pictórica da Organização.

A imagem das Corporações deve ser refletida da forma heráldica mais expressiva e mais rica possível, buscando os símbolos mais significativos do brasonário pátrio. Só um conjunto harmonioso poderá representar os feitos de uma Organização Militar, uma Unidade Aérea ou Unidade Administrativa, embelezando as fachadas dos edifícios e as paradas militares.

O Gládio Alado e o Cocar são os símbolos que representam a Força Aérea Brasileira. Divulgar os principais símbolos heráldicos da nossa Força é proporcionar alguns conhecimentos básicos desta simbologia a todos os amantes do gênero, fornecendo ferramentas úteis no entendimento das tradições e dos valores históricos de uma das forças armadas brasileiras mais modernas: a Aeronáutica, contudo rica em tradições militares na nobre arte dos Brasões e Estandartes. A Força Aérea Brasileira já detinha como símbolos heráldicos o Gládio Alado e o Cocar desde a criação do antigo Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, bem como as cores verde e amarela no leme vertical das aeronaves militares brasileiras, somando-se assim aos outros criados em seguida, tais como o emblema da 1ª ELO, do 1º GAvCA, da Escola de Aeronáutica e tantos outros.

Gládio Alado—símbolo da
Força Aérea Brasileira

O Gládio Alado é o símbolo da Força Aérea Brasileira, e sua origem remonta à antiga Aviação Militar criada em 1927, ou seja, a 5ª Arma do Exército Brasileiro, a Aviação. Consta de duas asas abertas apoiadas na lâmina de um sabre, símbolo da força e alusão aos heróis que fizeram a República. A asa significa o vôo e a espada o ânimo guerreiro e a justiça.

Atualmente pela legislação em vigor, nos emblemas do Comando da Aeronáutica é obrigatório o seu uso, bem como nos demais símbolos, e quando figurar deve estar nos metais ouro (amarelo) ou prata (branco), e quando representar em negrito deve obedecer à convenção dos esmaltes. Ele não pode ser sobreposto por nenhum outro elemento ou símbolo e seu emprego é disciplinado no Regulamento de Uniformes para Militares da Aeronáutica Brasileira.

Cocar da Força
Aérea Brasileira

A aviação militar mundial é codificada por símbolos, principalmente as forças aéreas. O distintivo de nacionalidade das aeronaves militares é conhecido como cocar. Pela definição, cocar é um símbolo heráldico representado por um penacho, laço, distintivo ou roseta que distingue um partido, nacionalidade, força, etc. Assim, a identificação visual das aeronaves de todas as forças aéreas é feita por meio de um símbolo em cores cuja utilização vem desde os primórdios da aviação.

As cores da aviação são traduzidas pelos seus cocares. Com isso temos os mais diferentes desenhos, cores e significados, tais como a Cruz de Ferro na Força Aérea Alemã, a estrela vermelha da antiga União Soviética, a Cruz de Malta na Força Aérea Portuguesa, o círculo vermelho (o sol) do Japão, o escudo de Davi na Força Aérea de Israel, o disco azul, a estrela branca central e a barra azul, vermelha e branca, adotada em 1947 pela Força Aérea Americana. Os discos nas cores azul, branco e vermelho identificam os aviões franceses, a cuja nação deve ser creditada a criação da forma básica de marcação dos aviões militares. Esta norma foi instituída em 26 de junho de 1912, por ordem do exército francês, que determinou a pintura de discos tricolores nas asas e na fuselagem de todas as aeronaves militares.

Na verdade o cocar é a identificação visual de uma aeronave aplicada como forma de distingui-la de qual país é a sua bandeira, divulgando não só as nossas cores, bem como nossas tradições culturais.

De maneira semelhante, a Força Aérea Brasileira também tem o seu significante, traduzido, na imagem do cocar, que é usado para distinguir suas aeronaves e sua utilização vai além de uma necessidade visual. Tem por base uma norma aprovada pela Convenção de Haia, de 18 de outubro de 1907, que fixou regras para as insígnias militares. No seu artigo 2º ficou determinado que os navios mercantes transformados em navios de guerra deveriam usar os sinais externos (distintivos) dos navios de guerra de sua nacionalidade. Assinada por 39 países e ratificada por 23, inclusive o Brasil, essa norma é extensiva às aeronaves de todas as forças aéreas, que a partir deste diploma jurídico internacional passaram a colocar em seus aparelhos uma logomarca, mais tarde chamada de COCAR.

Inicialmente o cocar da Aviação Naval e da Aviação Militar eram iguais, compostos de um círculo dividido em 3 cores: verde, amarelo e azul. A partir de 1934, o Ministro da Guerra, General Pedro Aurélio Góis Monteiro, tendo como base as Armas Nacionais, assinou despacho em 31 de janeiro, aprovando o novo "COCAR" de identificação dos aviões da aviação militar. Pelo Aviso nº 99, de 05 de fevereiro de 1934, foram suprimidos os círculos nas cores verde e amarelo, acrescentando-se uma estrela de cinco pontas gironada, subposta a um círculo azul e a uma coroa branca.

Em 04 de janeiro de 1937, ficou instituída uma nova configuração para o cocar constante de uma estrela de cinco pontas, cada uma verde e amarela.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica, o Ministro, Dr. Joaquim Pedro Salgado Filho, resolveu unificar os sinais distintivos das aeronaves, aprovando o mesmo cocar, com ligeiras modificações nas dimensões relativas, nas pontas da estrela e nos círculos internos, para ser usado nas aeronaves da Força Aérea Brasileira. A palavra "Exército", que existia nos aparelhos que tinham pertencido à Aviação Militar e a palavra "Marinha", a âncora e o cocar de círculos concêntricos dos aviões da Aviação Naval foram retirados.

O uso e aplicação do cocar nas aeronaves da Força Aérea Brasileira estão previstos na Ordem Técnica do Comando da Aeronáutica—Pintura de Aeronaves—OTMA 1-1-4, de 21 de janeiro de 1993, da Diretoria de Material da Aeronáutica.

Com a reativação da aviação naval, a Marinha manteve os círculos concêntricos nas suas aeronaves, conservando o antigo cocar da Aviação Naval. Mais recentemente o Exército voltou a reaparelhar sua força com aeronaves e adotou como símbolo nas mesmas o seu brasão e as cores vermelho e azul como distintivo, a Força Terrestre.

Verde e Amarelo—uma cor
nacional nas aeronaves

As cores verde e amarela refletem uma marca da nacionalidade brasileira. Instituídas no Brasil na época do Império, pelo Príncipe Regente D.Pedro I, por Decreto de 18 de setembro de 1822 como cores nacionais, fazem referência às riquezas naturais do nosso país—as florestas tropicais e os recursos minerais.

Desde 1937, foi adotada a pintura das cores verde e amarela nos lemes de direção das aeronaves da aviação militar. Nas aeronaves da Força Aérea Brasileira os lemes de direção são pintados nestas duas cores, em duas faixas verticais, da mesma largura.

Brasão do Comando
da Aeronáutica

O Comando da Aeronáutica possui um só brasão representando todas as suas organizações. O Brasão do Comando da Aeronáutica, aprovado pela Portaria nº 593/GC3, de 06 de setembro de 1999, é composto por um escudo francês, contendo atributos internos e externos.

O seu formato (escudo francês) homenageia o país onde o Marechal-do-Ar Alberto Santos-Dumont, Patrono da Aeronáutica Brasileira, desenvolvendo pesquisas aeronáuticas desde 1892, consagrou-se por seu feito histórico com o "mais-pesado-que-o-ar". Representa também o espírito das duas Unidades de preparo e emprego direto da Força, principalmente os grupos de aviação, esquadrões e esquadrilhas. O campo em blau (azul celeste) retrata o céu da Pátria, ambiente do piloto brasileiro.

No coração, encontra-se um escudete português, reverenciando a nossa Pátria-Mãe (Portugal), à qual devemos o nosso descobrimento. O campo em blau (azul ultramar), perfilado em prata, representa o espaço cósmico. Neste formato, o escudete retrata as Organizações do Comando da Aeronáutica com funções eminentemente administrativas, de vital importância para o seu funcionamento.

Sobreposto ao escudete, encontra-se em prata (branco), o Gládio Alado, símbolo da Força Aérea Brasileira.

Envolvendo o Gládio Alado, o Cruzeiro do Sul, também em prata (branco), constelação-primeira incrustada no Pavilhão Nacional, elo indissolúvel do Comando da Aeronáutica com os desígnios da Nação Brasileira. A constelação do Cruzeiro do Sul corresponde ao seu aspecto no céu, na cidade do Rio de Janeiro, às 8 horas e 30 minutos, do dia 15 de novembro de 1889 (doze horas siderais) e deve ser considerada como vista por um observador situado fora da esfera celeste. Contorna o escudo um filete em prata (branco), esmalte das insígnias usadas por seus Oficiais-Generais.

Encima o escudo uma águia estendida, em jalne (amarelo), ave que simboliza vitória, poder, prosperidade, domínio e liberdade. Sobrepõe-se ao contrachefe um listel, também em jalne (amarelo), com a inscrição "1941—COMANDO DA AERONÁUTICA—1999", em sable (preto). A primeira data indica o ano da criação do Ministério da Aeronáutica, e a segunda, o ano de sua transformação para Comando da Aeronáutica.

Estandarte do Comando da
Aeronáutica

O Estandarte do Comando da Aeronáutica, aprovado pela Portaria nº 592/GC3, de 06 de setembro de 1999, é outro símbolo heráldico da Força Aérea Brasileira.

Estandarte terçado em banda, com o primeiro terço superior e o terceiro terço inferior em blau (azul cerúleo), esmalte que lembra o céu brasileiro, em consonância com a cor predominante do Brasão. Este esmalte simboliza, também justiça, zelo, retidão do dever, fidelidade, perseverança, glória e amor à Pátria, caracterizando, assim, os métodos e propósitos do Comando da Aeronáutica.

O terço intermediário, em blau (azul ultramar), simboliza o espaço cósmico. Este esmalte, também constante no escudete português, sobreposto ao coração, corresponde ao centro do escudo.

No centro do Estandarte, destaca-se o Brasão do Comando da Aeronáutica.

Contornam o Estandarte, nos seus três bordos livres, franjas em prata (branco), representando o nível de comando do Comando da Aeronáutica, tradicionalmente exercido por Oficial-General do mais alto posto da hierarquia militar em tempo de paz.

O Estandarte do Comando da Aeronáutica o representa em desfiles militares, recebimento de comendas e demais eventos de relevante importância.

Emblemas e Estandartes
de Unidades da Força
Aérea Brasileira

Os emblemas são símbolos heráldicos com significado e tradição especiais para uma organização. Dentro desse tema os emblemas das Organizações Militares focam numa visão heráldica os atributos mais significativos ou representativos das coisas e seres da natureza formados pela insígnia de um brasão de armas para a missão daquela Unidade e da Força Aérea. Temos emblemas que retratam desde o índio, flora e fauna brasileiras, bem como aspectos folclóricos e arquitetônicos do nosso país, todos mostrando a força do nosso povo, dos nossos militares e de suas Unidades, numa visão abrangente e surpreendente de suas cores, estilos e formas, delineando o anseio da tropa como que exigindo pelos seus aspectos visuais um respeito histórico da grande força que tem a simbologia nacional estampada por meio dos símbolos heráldicos.

No campo do escudo podem ser apresentados símbolos ou atributos representativos do estado, município ou região onde estiver sediada a organização militar. Toda Organização Militar deve ser representada por um emblema. Tem por finalidade a representação simbólica da missão, da história e dos fatos marcantes da OM.

As OM que têm como missão específica o planejamento, o preparo e o emprego direto da Força Aérea devem utilizar-se do escudo francês, inclusive o Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER), em razão de sua abrangência na condução da política aeroespacial. As organizações com funções eminentemente administrativas devem utilizar-se do escudo português.

Os estandartes são símbolos heráldicos a exemplo das bandeiras, ou seja, uma bandeira de guerra, insígnia de uma corporação militar, com cores aplicadas sobre panos, geralmente confeccionados em tecidos ricos, a serem colocados em hastes e quando em posição de destaque ladeada por um grupo de soldados que formam sua guarda de honra.

Todas as Organizações Militares do Comando da Aeronáutica possuem estandartes cujo emprego está previsto na legislação em vigor.

A Águia

A águia é o mais antigo símbolo usado pelo homem, pois os egípcios já a ostentavam como símbolo nobre de coragem, astúcia e sagacidade, podendo proteger a grandes alturas os espíritos guerreiros.

É a figura mais significativa na heráldica da Força Aérea Brasileira. Ela veio do antigo estandarte da Escola de Aviação Militar. Surge sua imagem no Brasão do Comando da Aeronáutica em vigília, estando pousada com as asas espalmadas, animada, armada, bicada e sancada, como que a proteger o brasão.

Ela é considerada um símbolo das forças aéreas mundiais, um emblema da aviação inspirada nos romanos e franceses. Suas garras lembram a coragem e o sangue frio.

Como célula máter das forças aéreas significa presságio de vitória, símbolo imperial do poder, domínio, força, orgulho, vigor, conquista do espaço, arrojo, liberdade, soberania, realeza, nobreza, renovação, sagacidade, contemplação, autoridade, orgulho, prosperidade, benignidade, liberalidade, generosidade, vigilância, vôo de altitude, vastos horizontes, poderio aéreo, ataque e coragem.

Dentre as aves é aquela que pode olhar o Sol fixamente, jamais perde sua presa, se rejuvenesce, pode voar alto, é considerada como sinal de vitória.

Conclusão

Uma força aérea só tem história se forem cultivadas suas tradições. A heráldica da Força Aérea Brasileira, com as suas tradições do passado e com seus brasões e escudos, retrata seus feitos heróicos, como os da Itália estampados no Emblema do 1º Grupo de Aviação e muitos outros, para que as gerações que hão de vir, em cultivando-os, continuem a sua história, fortalecendo-a cada vez mais.

Dentre os estudos heráldicos, a Heráldica Corporativa Militar é uma das mais antigas. Ela é oriunda das grandes organizações de combatentes.

Esta ciência estampada em suas formas e cores, uma forma concisa aglutinada de uma política consentânea simbológica, que versa sobre a soberania e a grandiosidade da Aeronáutica Brasileira, prima pela simplicidade, com um máximo de objetividade, sem o abandono de motivações e estímulos ao respeito, ao entusiasmo e à veneração de símbolos criados e sempre identificados na arma alada.

Acreditamos que desta forma os estudiosos das Artes Aeronáuticas com este material possam conhecer um pouco das tradições brasileiras diante da Heráldica Corporativa Militar. Para disciplinar os símbolos heráldicos no Comando da Aeronáutica, o Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica conta com uma publicação a ICA 210-1, de 17 de dezembro de 1987, que disciplina o assunto na Aeronáutica Brasileira.

A heráldica da Força Aérea Brasileira nasceu de modo imperceptível, porém autêntico, carregada dos símbolos tradicionais da Arma, pronta para cruzar os séculos, cheia de tradições, falando de nossa história e mostrando ao mundo toda a pujança de seus Homens.

Os símbolos heráldicos são o retrato vivo da história de um povo, de uma força aérea de um país, simbolizando sua terra e sua gente, uma das mais legítimas manifestações de suas cores, um milagre constituído com a perseverança dos iluminados, o suor dos humildes e o sangue dos heróis.


Colaboradores

Capitão QOEA SVA Osíris Gomes do Nascimento, Força Aérea Brasileira

O Capitão QOEA SVA Osíris Gomes do Nascimento é formado pelo Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica—CIAAR/MG, no Estágio de Adaptação ao Oficialato—1998. É natural de Fortaleza-CE, exerce atualmente a chefia da Seção Auxiliar da Assessoria de Pessoal do Gabinete do Comandante da Aeronáutica—GABAER, em Brasília. Exerceu, entre outras, as funções de encarregado da Seção de Pessoal Militar do Sexto Serviço Regional de Aviação Civil, da Seção de Licitações do GABAER, da Consultoria Jurídica do Comando da Aeronáutica e da Secretaria de Conselhos do GABAER, todas em Brasília. Possui o Curso Básico de Inteligência do Centro de Inteligência da Aeronáutica, de Administração de Recursos Humanos e de Polícia Judiciária Militar do Centro de Instrução Especializada da Aeronáutica—CIEAR, de Gestão pela Qualidade Total do Instituto de Logística da Aeronáutica. Formado em Direito pela Associação de Ensino do Distrito Federal—AEUDF, Pós-Graduado em Direito do Trabalho pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília - CEUB, com Estágio Profissional Supervisionado pela Ordem dos Advogados do Brasil/DF, Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Escola Superior de Guerra/Seção DF e Curso de Direito Aeroespacial pela Sociedade Brasileira de Direito Aeroespacial. Foi agraciado com as seguintes condecorações: Medalha Militar de Ouro (30 anos de serviço), Medalha Bartolomeu de Gusmão, Medalha Mérito Santos-Dumont, Medalha do Pacificador, Medalha Mérito Tamandaré, Medalha da Ordem de Rio Branco, Medalha Prêmio Força Aérea Brasileira, Ordem do Mérito da Defesa—Cavaleiro, Ordem de Rio Branco—Cavaleiro, Ordem do Mérito Judiciário Militar—Distinção, Ordem do Mérito Aeronáutico—Cavaleiro, Ordem do Mérito Judiciário do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios—Distinção. É co-autor do livro "Medalhística Aeronáutica Brasileira", publicado em 1998, pelo Gabinete do Comandante da Aeronáutica. É colaborador da Revista Força Aérea.

 
Suboficial SAD Guerda Rachor

A Suboficial SAD Guerda Rachor é formada pelo Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica—CIAAR/MG no Estágio de Adaptação do Corpo Feminino da Reserva da Aeronáutica em 1983. É natural de Santa Cruz do Sul-RS, exerce atualmente a função de encarregada da Assessoria de Economia e Finanças do Gabinete do Comandante da Aeronáutica—GABAER, em Brasília. Exerceu entre outras funções, a implantação, acompanhamento e coordenação do Sistema SIAFI nas tesourarias do Quinto Comando Aéreo Regional/RS, da Base Aérea de Porto Velho/RO e da Base Aérea de Canoas/RS. Ministrou aulas de cerimonial e etiqueta e redação no Curso de Formação de Sargento Voluntário Especial e de Formação de Soldados nas unidades em que esteve baseada. Possui o Curso de Preparação de Monitores da Escola de Especialistas de Aeronáutica-EEAR/SP, Treinamento do SIAFI no Ministério da Fazenda/SP, Curso de Inglês—Estágio Elementar—do Serviço Regional de Proteção ao Vôo de Porto Alegre/RS e o Curso de Operador em Microcomputadores pelo SENAC/RS. É bacharel no Curso de Secretariado Executivo Bilíngüe/Português-Alemão, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos—UNISINOS/RS. Pós-Graduada em Estratégias e Gestão de Negócios Internacionais pela UNILASALLE em Canoas/RS. Foi agraciada em 1993 com a Medalha Militar de Bronze (10 anos de serviço) e em 2003 com a Medalha Militar de Prata (20 anos de serviço).

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