Document created: 06 December 05
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2005


Cartas ao Editor

Estimulamos o envio de comentários por meio de cartas ao editor. Toda correspondência deve ser endereçada ao Editor, Air & Space Power Journal em português, 401 Chennault Circle, Maxwell AFB AL 36112-6428. Você também pode submeter seus comentários por e-mail para cadreaspj@aol.com. Reservamo-nos o direito de revisar o material em toda a sua extensão.

Prezado Senhor Editor,

Ao colectivo de trabalho que consigo funciona desejo muita saúde e paz. Tendes vós, como publicação, (56) cinquenta e seis anos de existência e cada um deles julgo representar trabalho, esforço e muita dedicação à causa formativa e informativa. É realmente estupendo o produto final da Revista Air & Space Power Journal. Isto é devido indubitavelmente à vossa capacidade de liderança e ao espírito de coesão que norteiam as diferentes edições de cada trimestre.

Portanto, o meu grito nesta hora não podia ser outro senão: "Força, companheiros! Estou convosco".

No entanto, a pergunta: desde quando é que lido com a Air & Space Power Journal? Meu primeiro contacto com a Revista foi em junho de 2005, quando cheguei à Air University na Base Aérea Maxwell para frequentar o curso de Comando e Estado-Maior da Força Aérea nos EUA (ACSC). Trata-se do número referente ao 1º Trimestre de 2005. Não só me chamou a atenção a qualidade gráfica, como e principalmente o conteúdo informativo da mesma. Uma das minhas grandes paixões é o jornalismo nos seus mais variados estilos e confesso que vós tendes uma linha editorial que se circunscreve a uma matéria que sem dúvida nenhum orgão de Comunicação Social abordaria com a mesma perspicácia e exactidão como o faz a Air & Space Power Journal.

Falar do poder aéreo e espacial e das mais variadas vertentes a ele ligadas é uma tarefa que contribui para a reflexão e promoção do diálogo entre aqueles que têm acesso à Revista, mas sobretudo entre os militares da Força Aérea e outros ramos das Forças Armadas. Isto é válido não só nos E.U.A. como também nos países falantes da língua portuguesa e que tenham acesso à Revista.

Angola é um desses países. A Força Aérea de Angola, para além da sua Revista Nacional, conta agora também com os artigos publicados nesta prestigiosa Revista. É, portanto, uma outra visão das coisas, é uma perspectiva diferenciada sobre um conjunto de temas como: liderança e suas vertentes; relações de comando no nível operacional da guerra; planeamento estratégico para a Força Aérea; ataque directo; modelos de optimização para aeronaves de ataque; a visão dos líderes da Força; o poder aéreo, operações combinadas e transformação, entre outros.

Transformação é exactamente o que as Forças Armadas Angolanas e particularmente a Força Aérea Angolana está a viver. Aliás, finda a guerra, o país tem agora um grande desafio pela frente, o da reconstrução, consolidação da democracia e desenvolvimento socio-económico.

Mas, militarmente falando e ainda sobre transformação na Força Aérea, com todo respeito que tenho pelos outros ramos, a vossa e nossa Revista Air & Space Power Journal —2º Trimestre de 2004, p. 39—enaltece o poder aéreo, colocando-o numa posição superior tanto ao poder marítimo quanto ao poder terrestre como meio de combate por duas razões. Primeira, o poder aéreo diminui a capacidade de uma marinha poderosa ou de um poderoso exército como meio defensivo porque qualquer um dos dois poderia ser transposto pelo poder aéreo. Segunda, com o advento do poder aéreo, nem uma marinha poderosa e nem um exército poderoso poderiam determinar o resultado de um conflito sem contar com as capacidades providas pelo poder aéreo. Contudo, o poder aéreo poderia—segundo a teoria de Douhet—determinar, por si só, o resultado desse conflicto.

Assim, em minha opinião a Revista Air & Space Power Journal pode constituir um elemento de ajuda reflectiva, já que acredito um exame do poder aéreo como elemento componente da estratégia nacional está na ordem do dia.

Quando li o 4º Trimestre do ano de 1999, e nessa época a Revista tinha o nome de Airpower Journal, um artigo me chamou a atenção: "Idéias São Armas", pp. 10-16. Não há dúvidas de que as armas mais poderosas para a guerra e sua preparação acham-se armazenadas na mente dos homens sob a forma de idéias. Isto para dizer que nesta Revista com facilidade se podem encontrar essas idéias, mas já passadas para o papel. É realmente uma contribuição valiosa para o poder aéreo e espacial das diferentes Forças Aéreas, bem como para o desenvolvimento de seus militares, o que pode permitir a criação de novas idéias.

A Revista tem sabido ir ao encontro dos problemas e das questões do momento ligadas ao poder aéreo espacial.

Certamente que como oficial da Força Aérea de Angola, bem como pelo interesse pessoal, continuarei a ler a Revista com agrado, pois ela permite-me compreender com valor acrescido a interacção do trinómio doutrina-tecnologia-homem. Eu penso que o poder aéreo tem nesta Revista um veículo de idéias que pode ser enriquecido com contribuições de outros países lusófonos com base nas suas experiências tanto de ordem táctica, operacional e estratégica. Um outro contributo pessoal e com todo o respeito que tenho pelo vosso trabalho é a sugestão de um espaço humorístico, assim do tipo humor de caserna, anedotas que envolvam pilotos e todos os Airmen, para entretenimento.

Creia-me, Senhor Editor, a Revista Air & Space Power Journal está em Angola para ficar e espero (desejo pessoal) que o número de exemplares enviados aumente periodicamente para satisfacção dos leitores que se encontram em todos os quartéis da Força Aérea, de Cabinda ao Cunene e do mar ao leste.

Reitero minhas saudações sinceras a todos quantos, ontem e hoje, fizeram e fazem a longa marcha desde o Airpower Journal até este Air & Space Power Journal, em nome do sucesso formativo e informativo que sois. Estou certo de que o amanhã será melhor, pois vós fazeis por isso agora. Bem Haja!

Pelo poder aéreo que todos pretendemos seja cada vez mais forte, e augurando que a cooperação fraternal entre a Força Aérea dos E.U.A. e a Força Aérea Nacional de Angola se consolide, recebam um abraço de amizade solidária.

Major Jorge Napoleão
Piloto Aviador e Oficial de Informação Pública
da Força Aérea Nacional de Angola
ACSC 2005-2006


As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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