Document created: 06 December 05
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2005


EDITORIAL

Reiteramos nosso convite aos leitores a que submetam artigos à nossa apreciação, para possível publicação na versão em português da Air & Space Power Journal. Todo e qualquer artigo que nos seja apresentado será cuidadosamente examinado por nossa editoria e encaminhado à análise de um de nossos árbitros editoriais, que também emitirá seu parecer. Para maiores informações, favor verificar a terceira capa.

A seguir, apresentamos sinopses dos artigos que configuram o presente número.

O primeiro artigo é uma contribuição do Dr. Alexandre S. da Rocha, em que esse pesquisador brasileiro mostra que os princípios subjacentes ao conceito de EBO—Operações Baseadas em Efeitos—têm abrangência maior do que apenas aplicações militares. Examinando de uma perspectiva teórica os resultados das ações intencionais, o Dr. da Rocha indica que os fundamentos do conceito de EBO podem ser assimilados à aplicação militar de uma técnica de análise denominada Análise Pragmática, desenvolvida para aferir resultados de políticas governamentais de qualquer natureza. Por exemplo, a técnica da Análise Pragmática foi, a pedido dos organizadores do VI Fórum Nacional, realizado em São Paulo, em1994, aplicada ao problema da educação no Brasil. O Dr. da Rocha aponta que esse tipo de tratamento teórico permite ampliar o poder de previsão acerca de determinados aspectos de EBO, além de distinguir, nas EBO, o que é de natureza especificamente militar do que corresponde à natureza intencional das ações, qualquer que seja seu campo de aplicação. Trata-se de um artigo de natureza teórica que abre perspectivas a numerosas possibilidades de aplicação.

Em "A Cooperação Anglo-Americana no Campo do Poder Aéreo Estratégico Durante e Após a Guerra Fria", o Group Captain [Coronel] Christopher Finn, da RAF, e o Tenente-Coronel Paul D. Berg, da USAF, narram de forma concisa, mas criteriosa, a longa e bem-sucedida história de cooperação entre a Real Força Aérea e a USAF. Os autores fazem uma análise retrospectiva do relacionamento anglo-americano, concentrando-se no campo do poder aéreo estratégico e, mais especificamente, nas áreas de planejamento e operações, organização e desdobramento, equipamento e treinamento interaliado. Descrevem, além disso, como os líderes de ambos os países, tanto militares quanto civis, conseguiram, por meio de esforço conjunto resoluto, superar problemas de curto prazo e gerar efeitos estratégicos de longo prazo. É um artigo bem documentado e bem pesquisado que ressalta os benefícios que podem ser derivados de uma saudável e sólida parceria que sobrevive às episódicas turbulências de natureza vária que surgem ao longo do caminho.

O Coronel R/1 Darrel D. Whitcomb, da USAFR, volta a compartilhar com os nossos leitores um pouco de sua vasta experiência nas áreas de Busca e Salvamento (SAR) e Combate SAR (CSAR). Em seu artigo anterior, publicado no 1º Trim 05, o Cel Whitcomb descreve duas situações de CSAR ocorridas em épocas e teatros de operações (TO) diferentes—Guerra do Vietnã e Tempestade no Deserto. Desta vez, o autor, em seu artigo "Operações de Resgate na Segunda Guerra do Golfo", narra, com completo domínio da temática, as atividades de resgate levadas a efeito durante o segundo conflito do Golfo, iniciado a 19 de março de 2003. Relaciona as unidades de resgate da Força Aérea dos EUA—formadas por componentes da Ativa, da Reserva Ativa e da Guarda Aérea Nacional—que se desdobraram para o TO e descreve, com minudência, o desempenho de todas elas em ação, mas seu objetivo maior é transmitir ensinamentos a serem colhidos dessas operações, na esperança de que venham a ser internalizados pelo pessoal da Força Aérea.

O artigo "A Primeira Regra da Guerra Moderna: não entre em um tiroteio armado de faca" traz a marca do estilo provocativo e da criatividade do seu autor, o Cel R/1 Richard Szafranski, USAF. Elaborando cenários possíveis para o futuro, o Cel Szafranski questiona a efetividade futura dos caças tripulados em seis cenários desfavoráveis. A discussão levantada pelo autor é de extrema importância para a decisão presente do comprometimento de fundos limitados, em processos de aquisição que se estenderão pelo futuro. O Cel Szafranski procura enfatizar a incerteza que afeta essa decisão, uma vez que as mudanças tecnológicas se aceleram a um ponto em que cenários estranhos e desconhecidos—mas não impossíveis—podem revelar-se a realidade de amanhã.

O Maj James C. Hoffman, USAF, e Charles Tustin Kamps apresentam, no artigo "Na Encruzilhada: futuras ‘tripulações’ para veículos aéreos não-tripulados", a interessante questão dos requisitos para conduzir (ou "tripular") um UAV—veículo aéreo não-tripulado. A utilidade militar dos UAV e a eventual supremacia das plataformas não-tripuladas sobre as tripuladas pressupõem a correta condução dos UAV por pessoas a isso habilitadas. O artigo discute exatamente esta questão, mostrando os requisitos mínimos para o desempenho adequado dessa função. A partir desses requisitos, é analisado o processo de formação dos "pilotos" de UAV, estruturando-se, com base nesse processo, uma relação custo-benefício entre aeronaves tripuladas e não-tripuladas. A otimista análise de Hoffman e Kamps conclui que "[o]s UAV trazem a promessa de serem eficazes em um amplo espectro de características do poder aéreo, de difícil realização com os atuais sistemas tripulados....A razoável expansão das áreas de missão, que poderia ser enfrentada, no futuro, pela tecnologia dos UAV, só tem limites em nossa imaginação".

Em "Veículos Aéreos Não-Tripulados/Veículos Aéreos de Combate Não-Tripulados: prováveis missões e desafios futuros relevantes para o estabelecimento de políticas", Manjeet Singh Pardesi, pesquisador-adjunto do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos de Cingapura, dá continuidade ao debate em torno do emprego dos veículos aéreos não-tripulados (UAV)/veículos aéreos de combate não-tripulados (UCAV) pelas Forças Armadas. Após afirmar que a cada conflito amplia-se o papel desempenhado pelos UAV, o autor propõe-se responder a duas perguntas que ele mesmo formula: "Qual será o impacto dos UAV sobre as aeronaves tripuladas e como o uso crescente de plataformas não-tripuladas altera o panorama estratégico"? Para respondê-las, ele discorre sobre algumas das missões consideradas mais relevantes—ISR, ataque/SEAD e supressão dos meios aéreos inimigos—com vistas a discernir se é possível que os UAV/UCAV venham a substituir aeronaves tripuladas na execução de algumas delas. Além disso, trata ligeiramente do papel que os microveículos aéreos/veículos aéreos em miniatura (MAV), tecnologia em que os EUA estão investindo fortemente, poderão vir a exercer no campo de batalha. É um artigo altamente interessante, informativo e agradável.

O interessante artigo de David B. Lazarus intitulado "Operações Baseadas em Efeitos e Contraterrorismo" representa, de certo modo, um complemento às considerações sugeridas pelo artigo do Dr. da Rocha, acima resenhado. O artigo de Lazarus faz uma brilhante e profunda análise do fenômeno do terrorismo internacional, mostrando que no caso do combate ao terrorismo global o conceito de operações baseadas em efeitos exige esse conhecimento como ponto de partida para ações realmente eficazes. Lazarus afirma que "[a] capacidade de superar o adversário na manobra e aplicar uma taxa excepcional de desgaste no campo de batalha é, com efeito, quase inteiramente inútil e irrelevante quando se trata de uma rede planetária de terror ideologicamente orientada". Desse modo, utilizando os conceitos típicos de EBO, procura identificar as ações que contribuiriam para a possibilidade de vitória nessa guerra global. "O que parece estar em questão é a incapacidade ou falta de disposição de muitas pessoas em conceber a guerra como algo que ultrapassa o exercício de enfrentamento de forças puramente físico e destrutivo que, até agora, constituiu a natureza da guerra", adverte o autor.

Em "Planejar a Legitimidade: tratamento da Comunicação Social do ponto de vista das operações combinadas", o Maj Tadd Sholtis estuda a importante questão da Comunicação Social nas operações combinadas. Examinando com profundidade o que já foi chamado de "batalha da mídia", o Maj Sholtis se detém sobre os conceitos de credibilidade e legitimidade, sublinhando a importância das ações da Comunicação Social na construção e manutenção dessas duas condições. Em especial, analisa as relações entre credibilidade e legitimidade, para concluir pela importância militar específica dessa última. O artigo envolve questões de teoria da comunicação, ética da comunicação e EBO. Embora com caráter eminentemente aplicado, fundamenta-se em uma base teórica que é tratada com competência pelo autor.

Convém observar que dos oito artigos que compõem o presente número, dois tratam especificamente de operações baseadas em efeitos (EBO), sendo que este conceito é importante também para um terceiro, e três concentram-se nos UAV/UCAV. Tomou-se essa decisão editorial na intenção de tornar o leitor mais familiarizado com os avanços que estão ocorrendo, a passos largos, tanto na doutrina quanto na tecnologia de emprego militar.


As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade do Ar ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


[ Home Page |  Emita sua opinião via Email a aspjportuguese@maxwell.af.mil ]