Documento criado em 01 Fevereiro 08
ASPJ Em
Português 1° Trimestre 2008
Convidamos nossos leitores a submeterem artigos à nossa apreciação para possível publicação na Air & Space Power Journal (ASPJ) em português. Todo material que nos venha a ser apresentado será examinado por nossa editoria e encaminhado para fins de análise por um de nossos árbitros editoriais, que também emitirá seu parecer.
Seguem, abaixo, as sinopses dos artigos que conformam o presente número.
Em seu artigo “Guerra Irregular e a Força Aérea dos Estados Unidos: O Caminho a Seguir”, o Coronel R1 Robyn Read sustenta que nos próximos anos a Força Aérea dos Estados Unidos precisa estar preparada para atuar em guerras irregulares (G Irreg) efetuando ou apoiando operações de contra-insurgência (COIN) em países estrangeiros, em conjunto com as forças da nação hospedeira. O artigo discute minuciosamente os diversos aspectos militares de COIN, bem como sublinha a importância das questões políticas e psicossociais envolvidas nesse tipo de operações. Mostra que o poder aéreo desempenha papel fundamental nesse tipo de guerra irregular e formula recomendações para que a Força Aérea dos Estados Unidos esteja pronta para enfrentar esse desafio. Essas recomendações referem-se aos tipos específicos de plataformas adequadas a esse tipo de operações, às necessidades estratégicas e doutrinárias, ao problema do treinamento de pessoal com vistas ao preparo para esse tipo de ação e à relevância das operações de informação, apontando a necessidade do fortalecimento da USAF neste aspecto. Preconiza, ainda, que a Força Aérea dos Estados Unidos desenvolva um conceito de operações (CONOPS) específico para COIN e que a USAF incorpore a seu estoque plataformas de tecnologia adequada para que maximize sua capacidade de interação e apoio às forças aéreas das nações parceiras.
Em “Alvorecer da Era Cognética: Travar a Guerra Ideológica Colocando Pensamento em Movimento com Impacto”, o Tenente-Coronel Bruce K. Johnson sustenta estarmos em uma Era Cognética, termo resultante da aglutinação de cognitiva e cinética. Seu foco é o poder da mídia planetária e seu uso na guerra ideológica, particularmente na guerra do islamismo militante contra o Ocidente. O Cel Johnson sustenta que as soluções militares convencionais são, em certa medida, inúteis ou, até, contraproducentes em uma guerra ideológica. Recomenda mudança de mentalidade para reorientar a atual grande estratégia dos Estados Unidos, sem que isso signifique abandonar ou minimizar a enorme capacidade coercitiva de seu poder militar. Entretanto, aponta a necessidade de que os Estados Unidos se tornem mais capazes de adotar a forma ideal de combate na guerra ideológica: colocar o pensamento em movimento com impacto. Fazendo uma comparação entre a natureza da guerra ideológica e da guerra convencional o Coronel Johnson oferece exemplos de como o islamismo militante se vale dos recursos que preconiza, mostrando um caminho novo e instigante para o desenvolvimento das ações americanas na longa guerra ao terrorismo.
No artigo “Por que Falhou Israel”, o Tenente-Coronel R1 J. P. Hunerwadel comenta o isucesso de Israel na guerra de 34 dias contra o Hezbollah, no verão de 2006. O Cel Hunerwadel recusa a tese do fracasso do poder aéreo e aponta as falhas de natureza política e estratégica que conderam ao insucesso as operações. Sustenta que uma análise deficiente do problema e uma indefinição dos estados finais desejados está na raiz das dificuldades encontradas, e discute possíveis alternativas para o curso de ação israelense. Trata-se de um artigo ponderado e de uma análise estratégica que se revela enriquecedora para os estudiosos do assunto.
O objetivo maior do artigo “A Margem de Gerenciamento: Essencial à Vitória”, do Dr. Robin Higham e do Dr. Mark P. Parillo, é pôr em evidência a diferença dos conceitos de liderança e gerenciamento. Com isso em mente, os autores fazem um percurso histórico sob o ponto de vista do impacto do gerenciamento na evolução de cada conflito por eles analisado. Atendo-se sempre ao tema que se propõem discutir, levam a efeito uma análise abrangente de conflitos ocorridos em diversas regiões do mundo—Atântico, Pacífico, Báltico, para citar alguns. Os argumentos que apresentam também evidenciam as conseqüências do gerenciamento inadequado ao ambiente em que ocorre o conflito. O artigo serve de alerta para a necessidade de se adotar esquemas de gerenciamento adequado ao estado tecnológico da atualidade. Apesar de seu conteúdo histórico, é oportuno e atual em virtude dos ensinamentos nele contidos, que são atemporais.
O Coronel Ludovico Chianese, da Força Aérea Italiana faz, no artigo “Comando e Controle do Predator: Perspectiva Italiana”, uma apreciação do comando e controle (C2) dos veículos aéreos não-tripulados (UAV) Predators da Força Aérea Italiana na operação Antica Babilonia. Esta operação, integrando a participação italiana nas operações bélicas no Iraque, foi a primeira operação militar das forças armadas italianas com os UAV Predator. O Coronel Chianese mostra que a estrutura de C2 adotada pelas forças italianas nessa operação não atendeu adequadamente aos princípios de unidade de comando, unidade de esforço, simplicidade, prioridade e comando de militares da força aérea por militares da força aérea. Sugere que as forças armadas italianas aperfeiçoem sua capacidade operacional por meio da criação de uma doutrina de UAV que aproveite as lições fornecidas pela Antica Babilonia, bem como incorpore as experiências consagradas na doutrina dos Estados Unidos, considerando-se a maior experiência desse país no emprego de UAV.
Outra análise do poder aéreo de uma nação, esta mais abrangente, encontra-se no artigo “Poder Aéreo Ofensivo com Características Chinesas: Desenvolvimento, Capacidade e Intenções”, de Erik Lin-Greenberg. O artigo analisa a recente evolução da Força Aérea do Exército de Libertação do Povo (PLAAF) e, fazendo breve histórico dessa Força, analisa a possibilidade de que a PLAAF tente desenvolver capacidades estratégicas planetárias. Nesse sentido, aponta a aquisição de plataformas como aeronaves reabastecedoras e o bombardeiro H-6 atualizado como indicadores da possível intenção da PLAAF de alcançar um poder aéreo estratégico planetário. Observa o caráter fundamental da aquisição de um bombardeiro de longo alcance e sugere que essa plataforma poderia ser produzida pela indústria de aviação chinesa, em acelerado crescimento. Afirma que uma capacidade ampliada de projeção do poder aéreo chinês representaria ameaça aos Estados Unidos e ampliaria a influência chinesa em regiões geoestrategicamente importantes, como África e América Latina. Recomenda que os Estados Unidos procurem limitar o desenvolvimento ofensivo da China e estimulem uma força aérea chinesa responsável, por meio de contatos bilaterais entre a PLAAF e a USAF.
Em “O Paradoxo do Poder Aéreo Irregular”, o Major Benjamin R. Maitre, da USAF, afirma que o moderno poder aéreo exige que as equipagens aéreas mantenham a atenção voltada para a otimização do desempenho do equipamento na guerra. A guerra irregular, por outro lado, exige um enfoque mais voltado para o ambiente em que os homens do ar aplicam o poder aéreo. O paradoxo a que se refere o autor “reside em combinar esses dois conceitos contraditórios em uma perspectiva integrada de poder aéreo irregular”. O Maj Maitre sustenta ainda que para ter êxito na guerra irregular a Força Aérea precisa estender sua atenção para além do painel de instrumentos.
O artigo do Dr. Conrad C. Crane “Princípios e Imperativos do Combate à Insurgência” analisa as alterações da doutrina da Força Aérea dos Estados Unidos com vistas a adaptar-se às novas exigências impostas pela COIN. O Dr. Crane recusa a crítica de que a doutrina elaborada seja exageradamente concentrada nos aspectos terrestres; sustenta que ela deve caracterizar-se como concentrada no povo, o que está de acordo com a importância dos aspectos psicossociais para COIN. Sustenta que o tratamento doutrinário tradicional concentrado no inimigo não é o mais adequado para enfrentar os desafios constituídos pela COIN. Sublinha a pluralidade de agências participantes nas operações de COIN e a necessidade de que a USAF se adapte para trabalhar com essa variedade de participantes. Aponta que, além das vantagens da mobilidade aérea e das aplicações de meios de inteligência, vigilância e reconhecimento, a Força Aérea pode oferecer significativa contribuição a COIN por meio da influência no ciberespaço.
Contemplando o tema atualíssimo da longa guerra ao terrorismo e apresentando análises do poder aéreo de diferentes países, bem como esclarecedoras análises estratégicas, este número da ASPJ em português pretende colocar perante seus leitores, como é sua missão, material de reflexão atual, relevante e intelectualmente estimulante. Busca, assim, permanecer compatível com o interesse e a atenção que lhe são dedicados pelo público cujo interesse tem prestigiado esta publicação.
ABL
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