Documento criado em 01 Novembro 08
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2008

O Papel dos Engenheiros Civis da
Força Aérea nas Operações
de Contra-Insurgência

Tenente-Coronel Kendall Brown, USAFR, PhD, PE

O Papel dos Engenheiros Civis da Força AéreaQual é o papel das forças para fins gerais da Força Aérea no apoio a operações de contra-insurgência (COIN)? Os organizadores do Simpósio da Força Aérea sobre a Contra-Insurgência 2007 colocaram essa questão em Maxwell AFB, Alabama, em Abril de 2007. Uma apresentação por David Ochmanek da RAND Corporation analisou zonas do mundo em que existiam insurgências—ou estavam a se desenvolver—e nas quais os Estados Unidos podem determinar que os seus interesses nacionais requerem o envolvimento militar americano.1 A sua análise concluiu que a Força Aérea não tem suficientes Esquadrões de Acionamento Rápido de Engenheiros para Reparos Operacionais Pesados, Engenheiros (RED HORSE) e Primeira Força Básica de Engenheiros de Emergência (Prime BEEF) esquadrões para manter operações nesses conflitos COIN como parte das forças para fins gerais da Força Aérea. Mas qual é o papel das suas forças de engenheiros civis (CE) no ambiente COIN? Como contribuem para o combate depois de terem estabelecido a base para as forças aéreas que apóiam a missão conjunta ou combinada? Têm capacidades especiais? Podemos simplesmente delegar esse papel a uma entidade comercial ou outro serviço? Para responder a essas questões, precisamos rever as origens e a história da engenharia civil na Força Aérea, examinar as suas capacidades e então identificar a sua possível utilização em futuras operações COIN.

História da Engenharia Civil
da Força Aérea

Iniciando em 1918, o Exército dos Estados Unidos criou unidades especializadas para dar apoio aos seus ativos de aviação em desenvolvimento.2 Durante a 2ª Guerra Mundial, foram criados batalhões de engenheiros de aviação e batalhões aéreos de engenheiros de aviação dentro do Corpo de Engenheiros do Exército para construir, reparar e defender aeroportos do Corpo Aéreo do Exército em teatros no exterior.3 Após a formação da Força Aérea Americana em1947, a construção de instalações para bases da Força Aérea continuou a ser da responsabilidade do Corpo de Engenheiros.4 Contudo, “para proceder ao apoio de engenharia de combate, foi feito um acordo segundo o qual o Exército organizaria, colocaria pessoal e treinaria unidades colocadas sob o controle da Força Aérea para apoio exclusivo à missão da USAF (Força Aérea Americana). Tais batalhões foram denominados Exército de Categoria Especial com a Força Aérea.”5 Quando a Guerra da Coréia começou em 1950, essas unidades tinham níveis reduzidos de prontidão, dado o seu singular estatuto como batalhões do Exército Americano atribuídos à Força Aérea. Embora os batalhões de engenheiros de aviação tenham realizado enormes feitos durante a Guerra da Coréia, as dificuldades de recursos, organização, comando e controle criados por esta relação indicavam que a Força Aérea necessitava de unidades orgânicas com capacidades especializadas para construção e reparação de aeroportos. Os acontecimentos mundiais em finais dos anos 1950 e início dos anos 1960 (Líbano em 1958, Berlim em 1961, e a crise de mísseis cubanos em 1962) “revelou uma necessidade de equipes móveis de EC prontas para destacamento imediato para realizar obras de construção em tempo de guerra ou outras emergências.”6 A Força Aérea criou o conceito de equipe Prime BEEF em 1965 para adquirir capacidade de resposta a tais emergências. Quando o serviço passou a se envolver mais no Vietnã, voltou a necessitar de capacidade de reparação pesada com mais equipamento, competências e pessoal do que aqueles que as equipes Prime BEEF podiam oferecer; assim, a Força Aérea criou esquadrões de EC dedicados—RED HORSE—para satisfazer esta necessidade.7

Os EC apoiaram as operações de contingência da Força Aérea em todo o mundo desde a Guerra do Vietnã, incluindo as que resultavam de desastres naturais domésticos e no estrangeiro, assim como de ataques terroristas. Com início nos anos 1980, num período de Guerra fria no qual a Força Aérea raramente usou as capacidades do contingente de EC, muitas das suas unidades de serviço ativos e de Reserva começaram a participar de missões de assistência militar estrangeira na América Central, América do Sul e Caribe. Estes destacamentos serviram diversos objetivos, sendo o principal fornecer treinamento em mundo real de tipo contingente ao pessoal das unidades. Secundariamente, no entanto, durante estes destacamentos, os EC construíam ou reparavam hospitais locais, escolas, estradas, pontes ou outros projetos de infra-estruturas, trazendo benefícios significativos às populações locais. Os ECs da Força Aérea continuam a participar em exercícios tais como o New Horizons, realizado anualmente pelo US Southern Command com uma força conjunta e combinada para prestar ajuda humanitária.8 Os exercícios melhoram a prontidão dos engenheiros americanos, assim como das unidades de apoio médico e de serviço de combate através de atividades humanitárias e de auxílio cívico. Cada exercício New Horizons dura vários meses, oferecendo serviços e infra-estruturas de primeira necessidade, e ao mesmo tempo proporcionando um treinamento inestimável às forças militares americanas destacadas. Estes exercícios geralmente têm lugar em zonas rurais e desfavorecidas. O US Southern Command tenta combinar estes esforços com os dos médicos da nação anfitriã, sejam eles militares ou civis, para que os benefícios sejam ainda maiores.

Capacidades dos Engenheiros
Civis da Força Aérea

As capacidades dos ECs da Força Aérea consistem em três áreas funcionais primárias e em áreas de missão especializada associadas, a primeira incluindo (1) construção de instalações e infra-estruturas, assim como o funcionamento, manutenção e reparação de pavimentos, estruturas, sistemas hídricos, sistemas elétricos, sistemas de combustíveis, iluminação, sistemas de retenção de aviões e saneamento básico; (2) combate a incêndios em aviões e estruturas e salvamento de pessoal; e (3) eliminação de artilharia explosiva, incluindo a detecção e eliminação de artilharia por explodir e de dispositivos explosivos improvisados. A perícia em áreas de missão especializada inclui o aumento de engenharia de pessoal, gestão de emergência e resposta a incidentes explosivos, assim como químicos, nucleares, biológicos e radiológicos.

Em situações de contingência, os ECs apresentam forças à medida ao comandante do teatro de operações como equipes Prime BEEF ou RED HORSE, proporcionais às necessidades da missão.

As equipes [Prime BEEF] são unidades de engenheiros civis especializados rapidamente destacáveis que oferecem uma variedade completa de apoio de engenharia necessário para criar, fazer funcionar e manter bases aéreas de guarnição e de contingência. A principal missão das Prime BEEF é oferecer apoio de engenharia civil para a acomodação de pessoal e aviões. As capacidades das Prime BEEF incluem inquéritos no local das bases aéreas, estabelecendo campos de base e operações simples e a instalação de sistemas utilitários.9

“As unidades RED HORSE são esquadrões móveis auto-suficientes de construção pesada de 404 pessoas capazes de uma resposta rápida e de operações em ambientes remotos e de grande risco em qualquer parte do mundo.”10 Uma das mais recentes evoluções das capacidades de engenharia civil teve lugar durante o ano fiscal de 2005, em que a “RED HORSE acrescentou uma capacidade de ‘aerotransporte’ para entregar rapidamente pequenos pacotes de pessoal e equipamento por meio de lançamento aéreo ou transporte aéreo.”11 Os engenheiros da Força Aérea são membros integrais dos grupos de resposta de contingência, estruturas que facilitam a consecução das atividades discutidas mais adiante neste artigo.

A engenharia civil da Força Aérea depende da Força Total para cumprir as suas missões de mobilidade, residindo uma parte substancial das suas capacidades no Comando de Reserva da Força Aérea e na Guarda Nacional Aérea. Na verdade, os membros da Reserva e da Guarda muitas vezes chegam ao destacamento com conhecimentos, competências e experiência superiores aos dos seus equivalentes em serviço ativo devido ao seu serviço ativo anterior e às suas carreiras civis.

Aplicar as Capacidades dos Engenheiros Civis
da Força Aérea em Operações de Contra-Insurgência

A missão primária dos ECs é prestar apoio de combate às forças do comandante do teatro de operações durante todas as fases da campanha conjunta.12 Habitualmente, esta consiste em operações iniciais para acomodar as forças destacadas, seguidas de operações de sustento e de uma série de melhoramentos para oferecer à força melhores instalações e serviços. O planejamento de operações COIN é único. Não é um processo linear e sequencial; ou envolve fases que têm lugar de forma concorrente ou, no mínimo, o planejamento da operação em uma fase considera explicitamente os efeitos pretendidos e não pretendidos nas outras fases. Da mesma forma, as próprias operações podem ser de algum modo pouco convencionais. Nestas operações COIN e de guerra irregular, devemos também usar os ECs de forma não convencional—mesmo com papéis de missão direta. Podemos usar as capacidades orgânicas das equipes Prime BEEF ou RED HORSE destacadas para estabelecer e fazer funcionar a base aérea de contingência e para fornecer pessoal, competências e equipamento para levar a cabo operações de influência. Planejar neste ambiente requer uma mudança de paradigma, e o comandante do teatro de operações deverá aproveitar as capacidades de todas as suas forças.

No início de um planejamento de operações conjuntas para prestar apoio de COIN ao governo de uma nação anfitriã, a Força Aérea deverá determinar a capacidade e a condição dos aeroportos a partir dos quais poderia funcionar e fornecer essa informação às células de planejamento. Se ainda não estiver disponível informação adequada, uma equipe de planejamento antecipado de EC, seja uma equipe de apoio ao pessoal ou um grupo de oficiais de EC e oficiais não comissionados poderia visitar os aeroportos e realizar inquéritos e avaliações.13 Se a condição do aeroporto for tão incerta que não seja aconselhável aterrissar um avião de mobilidade, a capacidade aerotransportada RED HORSE acrescentada recentemente poderia realizar as avaliações e dar início a reparações de expediente. No Afeganistão, durante a Operação Liberdade Duradoura, as equipes de EC realizaram avaliações de aeroportos Taleban capturados e realizaram avaliações de danos de batalha (das nossas próprias bombas) para determinar como reparar as pistas rapidamente para serem usadas pelos aviões da coalizão.14 No extremo oposto, quando a Força Aérea combateu na Operação Força Deliberada, com a maior parte dos aviões de combate destacados para a Base Aérea de Aviano, Itália, o esquadrão de EC residente, com o apoio de equipes especializadas de planejamento, realizaram a maior parte do planejamento.15

Em locais mais remotos, uma equipe de planejamento avalia os pavimentos, as instalações, os utilitários e a proteção contra incêndios do aeroporto, além de procurar nele explosivos. A avaliação do pavimento determina que aviões da pista, das vias de táxi e dos aventais de permanência podem suportar. A avaliação das instalações avalia os hangares e edifícios existentes para determinar a sua adequação à manutenção, funcionamento e acomodação dos aviões. O inquérito do sistema utilitário avalia a condição, a capacidade e a compatibilidade das instalações elétricas, hídricas, de saneamento e de armazenamento e distribuição de combustível do aeroporto. A equipe de planejamento se coordena com as forças de segurança da Força Aérea para identificar as obras de construção necessárias para melhorar a defesa da base aérea, como os revestimentos, as vedações, as posições de combate e as zonas interditas. Se o aeroporto servir à aviação comercial internacional, já terá pessoal e equipamento de proteção contra incêndios; contudo, aeroportos menores poderão possuir pouco equipamento ou pessoal treinado. Os EC de combate a incêndios avaliarão as capacidades existentes e determinarão o equipamento e pessoal necessário para apoiar os aviões militares destacados. Os membros finais da equipe avançada – pessoal de eliminação de artilharia explosiva – irá investigar a zona procurando artilharia por explodir, minas, dispositivos explosivos improvisados ou outros explosivos. Estas atividades de planejamento são as áreas que os manuais exigem para qualquer destacamento de avanço da Força Aérea, mas no ambiente de COIN, a equipe avançada de EC deve procurar fora do aeroporto e sentir a zona local e as necessidades da população civil. A equipe de planejamento de operações conjuntas usa estas avaliações do aeroporto da base de funcionamento da contingência ou base de operação de avanço enquanto procede ao planejamento da estrutura de forças e do destacamento.

Os Ecs habitualmente chegam ao aeroporto com as forças de segurança, comunicações e controladores para estabelecer a base aérea e preparar a chegada das restantes unidades destacadas. Depois de a base aérea tornar-se operacional, os ECs podem fazer a transição da missão de apoio para as operações da missão. Em muitas situações, o local destacado não irá requerer muito esforço para sustentar as operações da base, por isso a maioria dos engenheiros pode voltar a ser destacada ou atribuída a outras atividades de apoio à campanha. Cada fase do plano de campanha conjunta pode usar as capacidades dos EC para produzir os efeitos pretendidos do comandante do teatro de operações.

Durante as fases de “molde” e “detenção”, os ECs podem participar em operações de influência através do encontro com a população local fora da base aérea. O seu equipamento pesado pode melhorar ou construir estradas, furar poços para fornecer água potável e reparar ou construir escolas, hospitais e instalações comunitárias. Contratar trabalhadores locais para fazerem parte da equipe de construção para o máximo possível destes projetos tem diversas finalidades. Primeiro, os trabalhadores locais têm menos probabilidades de ser influenciados pela insurgência se esses trabalhos lhes derem os meios econômicos para sustentar as suas famílias. Segundo, os projetos, por si mesmos, ajudam a demonstrar à população local o apoio do seu governo e o dos Estados Unidos. Podemos empregar trabalhadores locais diretamente para trabalharem lado a lado com as forças americanas, ou os empreiteiros com o Programa de Fomento de Contratos da Força Aérea pode contratar empreiteiros locais. Desenvolver estes empreiteiros disponibiliza uma forma de incentivar o desenvolvimento econômico e de promover as práticas de negócios profissionais necessários a um mercado moderno. Usar operários locais para apoiar os projetos de construção também tem o benefício suplementar de reduzir as suas oportunidades de participar em atividades insurgentes. Se um habitante local estiver trabalhando numa obra realizando trabalho braçal, tem menos probabilidade de causar distúrbios do que se ficar o dia inteiro sem nada o que fazer, ganhando assim tempo para tratar de assuntos subjacentes à insurgência.

Os ECs têm uma experiência recente de realizar este trabalho no Horn of África. Em 2004 o 823º Esquadrão RED HORSE participou na Força de Operação Conjunta Combinada – Horn of África, realizando ajuda humanitária e projetos de construção de contingência no Djibouti, Etiópia, e Quênia.16 A equipe RED HORSE reparou estradas e pontes, construiu uma clínica de 304 metros quadrados e um edifício escolar de 900 metros quadrados, e renovou a acomodação militar etíope.17 O Capitão Javier Velazquez, líder do projeto da escola em Jijiga, Etiópia, explicou sucintamente a importância destas operações: “Quando chegamos, as pessoas agiram como se perguntassem, ‘Que fazem aqui?’ Quando terminamos, as pessoas saíam correndo de suas casas para acenar para os nossos comboios, percebendo que estávamos ali para ajudar.”18

Pode existir um papel inovador para os ECs da Força Aérea na fase de “domínio” do plano de campanha conjunta. Numa abordagem de planejamento/escolha de alvos de operações baseadas em efeitos, os efeitos pretendidos podem exigir a destruição de infra-estruturas (aeroportos, estradas, pontes, rede elétrica, água, etc.) em regiões dominadas pelos insurgentes. Como parte do processo de planejamento, devemos avaliar os efeitos a longo prazo do ataque a essa infra-estrutura. Parte dessa avaliação deve determinar se precisamos reconstituir o sistema durante as operações de estabilização. Um possível slogan para um tal conceito—Se decidir quebrar, planeje consertar—exemplifica a sinergia e o paralelismo entre as fases de “domínio” e “estabilização”.

Se fizermos um processo de planejamento de reconstrução integrado no processo de escolha de alvos, podemos repor as infra-estruturas em tempo oportuno, permitindo uma transição mais rápida desde as operações de condução à estabilidade até ao reconhecimento da autoridade civil. Num exemplo extremo, após a aprovação da ordem de tarefa aérea (ATO) para destruir um sistema de infra-estruturas, podemos submeter um pedido de obras para dar início ao planejamento de reconstrução pela Corporação de Engenheiros do Exército ou pelos ECs da Força Aérea. Usar apenas o nível de força necessário para alcançar os efeitos pretendidos ajudará a evitar uma reconstituição mais difícil. Implementar uma tal abordagem não seria difícil. Os líderes das equipes de destacamento RED HORSE ou Prime BEEF poderiam participar no ciclo de planejamento ATO para avaliar o efeito a longo prazo de atacar edifícios, estradas, pontes, sistemas de fornecimento e distribuição de água, sistemas de fornecimento e distribuição de energia elétrica, sistemas de fornecimento e distribuição de combustíveis, e por aí diante. O núcleo de planejamento do centro de operações aéreas e espaciais, em conjunto com as organizações não governamentais da nação anfitriã e os analistas políticos podem identificar os efeitos de COIN se repusermos rapidamente esse sistema. Ao seguirmos e estabelecermos prioridades na lista de alvos, enquanto procedemos à avaliação pós-ataque de danos de batalha para avaliar os danos exatos, podemos começar o planejamento para evitar atrasos significativos no restabelecimento das atividades.

Os oficiais de EC necessitarão de formação suplementar se quisermos que interajam com a comunidade de operações de vôo e com o processo ATO.19 As forças de EC possuem o conhecimento técnico para desempenhar este papel, mas necessitariam também da atitude cultural e específica de COIN para poder de fato desempenhá-lo. Os ECs e outras forças de apoio de fins gerais complementariam o núcleo de planejamento ATO. Tal apoio provavelmente obrigaria a aumentar a equipe de destacamento de EC habitual com um a três oficiais de campo e quatro a seis suboficiais seniores. A implementação de fato do esforço de reconstituição pode estar ou não ao alcance da capacidade e dimensão da equipe de engenharia destacada; como tal, podemos necessitar de uma equipe de nível de comandante combatente para gerir a lista de projetos de reconstituição e conduzir o planejamento. Em muitos casos, o método preferencial implicará a utilização da população local, seja por contratação direta ou trabalho subcontratado sob a direção das forças americanas ou dos conselheiros de empreitada.

Uma vez estabelecido o aeroporto para ser utilizado pelas forças da coalizão, este fornece inerentemente uma potencialidade para o desenvolvimento econômico. A RED HORSE pode continuar a desenvolver a pista, as vias de táxi, as rampas de parqueamento de aviões, a iluminação do aeroporto e os sistemas de armazenamento e distribuição de combustível, para apoiar os aviões de passageiros e de carga. Com os bombeiros da Força Aérea destacados e disponibilizando proteção contra incêndios para os aviões, estes podem apoiar a comunidade local treinando e desenvolvendo um departamento profissional contra incêndios que vá de encontro aos padrões da aviação internacional. Enquanto as forças da Força Aérea estão destacadas, podem continuar a prestar apoio às comunidades locais. Contudo, durante as fases de “estabilização” e de “reconhecimento da autoridade civil”, a Força Aérea precisa mudar para um papel de estímulo, tutoria e treinamento, fornecendo as competências, o conhecimento e a experiência para que o governo local se torne auto-suficiente.

Muitas operações americanas recentes em nações estrangeiras como Kosovo, Kuwait, e Iraque confiaram a empresas comerciais um número significativo de funções de apoio ao combate como a acomodação, funcionamento e construção da infra-estrutura da base, a organização do alojamento e o transporte.20 Por sua vez, esta entrega a empreiteiros levou a cortes na quantidade de pessoal de apoio ao combate.21 Decidir utilizar apoio de combate militar americano ou empreiteiros civis requer um bom entendimento do ambiente cultural, político e social da população local. Em alguns ambientes COIN, ter pessoal com o uniforme americano se revelou menos produtivo do que utilizar empreiteiros civis. Antes das Operações Liberdade Duradoura e Liberdade no Iraque, a mídia era muito sensível à morte ou lesão de civis americanos nos conflitos. Mais recentemente, contudo, essa sensibilidade mudou, e a mídia parece mais concentrada nas baixas de militares com uniforme americano do que nas de empreiteiros civis. É quase como se os meios de comunicação e a opinião pública vissem os empreiteiros como mercenários que aceitam voluntariamente o risco, enquanto que os homens da força aérea, os soldados ou os marines não tivessem voto na matéria. Num ambiente COIN, habitualmente não é possível identificar uma linha da frente distinta, e toda a zona de operações pode passar por um combate a qualquer momento. Esta situação pode levar o comandante a desejar que os membros militares americanos sirvam de pessoal de apoio, com autoridade legal para levar a cabo ações hostis. Inversamente, se a área local tiver uma predisposição contra os Estados Unidos, o comandante pode querer diminuir o pessoal com uniforme contratando empreiteiros civis. Fazê-lo cria um enigma interessante ao comandante, obrigando-o a avaliar completamente a estrutura da missão usando uma abordagem baseada nos efeitos e um entendimento profundo da cultura local.

As operações COIN também incluem habitualmente um grau mais elevado de integração das forças conjuntas, em que a maior parte das forças vêm das comunidades de operações especiais dos serviços e são complementadas por outras unidades. À medida que os militares americanos se tornam mais envolvidos em operações COIN, a procura irá exceder a oferta das forças de operações especiais existentes. Podemos construir unidades convencionais para apoiar a missão, combinando aviões de asa rotativa e fixa de todos os serviços com forças de combate em terra. O apoio de combate pode vir de qualquer um dos serviços, sendo o Corpo de Engenheiros do Exército Americano, as Forças de Construção Naval Americanas e os ECs da Força Aérea todos capazes de fornecer a construção e funcionamento da base. Contudo, o Exército tem principal experiência em engenharia de combate terrestre (cavar bermas, fazer passagens em rios, etc.), e a Marinha em instalações e bases para apoiar os seus navios na área de destacamento; os ECs da Força Aérea têm capacidades especializadas para apoiar as bases aéreas. Segundo a doutrina da Força Aérea, quando a Força Aérea fornece a preponderância dos seus equipamentos aéreos, cada homem da Força Aérea deve servir como se fosse o comandante componente da força aérea conjunta; da mesma forma, quando a maior parte dos equipamentos aéreos vêm da Força Aérea, os ECs da Força Aérea devem apoiá-los.22 Fazê-lo ajuda a eliminar problemas de má comunicação e problemas com as relações de controle e comando; mais ainda, evita voltar a aprender a lição da Coréia em relação ao Exército de Categoria Especial com batalhões de aviação da Força Aérea.

Conclusão

Os ECs da Força Aérea, na forma de esquadrões de Prime BEEF e de RED HORSE destacáveis, disponibilizam capacidades para construir, reparar e fazer funcionar bases aéreas de contingência e de avanço. Os EC’s oferecem a experiência necessária, o equipamento, o treinamento e o pessoal se a Força Aérea precisar operar a partir desses aeroportos para combater terroristas ou prestar treinamento e ajuda ao combate de uma nação amiga contra uma insurgência. O ambiente COIN oferece oportunidades únicas aos Prime BEEF e aos RED HORSE para fornecer apoio de missão direto. Quando vão para fora da base e ajudam a melhorar as infra-estruturas, satisfazendo as necessidades de água limpa, reparando o sistema elétrico ou reparando estradas, ajudam a conquistar o coração e a mente da população local. Quando empregam habitantes locais em projetos de construção, prestando apoio econômico, além das competências e treinamento necessários para melhorar o seu futuro, retiram poder à insurgência. Quando a população indígena pode voltar a uma vida normal pouco tempo depois de pararem as operações de combate, acumulam menos rancor em relação às forças americanas, diminuindo ainda mais o recrutamento para a insurgência. As capacidades de construção que os ECs da Força Aérea têm para deixar à população local infra-estruturas mais seguras e confiáveis pode ir mais de encontro aos interesses nacionais americanos do que as capacidades destrutivas dos sistemas de armas da Força Aérea. Segundo o Manual da Força Aérea (AFM) 3-2, Doutrina de Apoio ao Combate pela Engenharia Civil,

Os engenheiros civis da Força Aérea são embaixadores que representam a Força Aérea e a nação, no exterior e no nosso país. A imagem profissional projetada nas relações com outras pessoas é muitas vezes essencial para fazer avançar os objetivos militares e políticos da nação. Construtores de profissão, os engenheiros oferecem uma presença militar não ameaçadora que pode trazer benefícios a longo prazo através de treinamento e construção de uma nação, e ao mesmo tempo suportar a segurança de um compromisso do Governo americano.23

Voltando à proposta levantada pelo investigador RAND durante o simpósio COIN, vemos que a capacidade das unidades Prime BEEF e RED HORSE existentes para apoiar operações COIN depende do número e da intensidade das operações em que o seu apoio é requerido. Embora a engenharia civil da Força Aérea possa oferecer ao comandante do teatro de operações as capacidades necessárias para apoiar a operação COIN, temos apenas um fornecimento limitado de ECs e de equipamento. Se pedirem à Força Aérea para aumentar o seu envolvimento em ambientes COIN e de guerra irregular, necessitaremos de recursos Prime BEEF e RED HORSE adicionais para evitar taxas de destacamento insustentáveis.

Notas:

1. Adam Grisson e David Ochmanek, “The Long War: Demands for USAF Capabilities” (apresentação no Simpósio da Força Aérea 2007 sobre Contra-Insurgência, Maxwell AFB, AL, Abril de 2007).

2. Dr. Ronald B. Hartzer, “Foundations for the Future: A Brief History of Air Force Civil Engineers,” 1, http://www.afcesa.af.mil/shared/media/document/AFD-070607-002.pdf.

3. Ibid., 2.

4. Ibid.

5. Don K. Tomajan, “A Korean War Retrospective: Aviation Engineer Contributions to the Air War in Korea,” Air Force Civil Engineer Magazine 9, no. 4 (Inverno 2001–2): 13.

6. Hartzer, “Foundations for the Future.”

7. Ronald B. Hartzer, “RED HORSE History,” Air Force Civil Engineer Support Agency, http://www.afcesa.af.mil/library/factsheets/factsheet.asp?id=8760.

8. “New Horizons 2007,” United States Southern Command, 12 September 2007, http://www.southcom.mil/AppsSC/factFiles.php?id=11.

9. “United States Air Force Prime BEEF Units,” United States Air Force Fact Sheet, https://www.my.af.mil/gcss-af/USAF/AFP40/Attachment/20070703/Prime%5fBEEF%5ffact%5fsheet%5f2006.pdf (acessado em 28 Janeiro 2008).

10. “United States Air Force RED HORSE Squadrons,” United States Air Force Fact Sheet, https://www.my.af.mil/gcss-af/USAF/AFP40/Attachment/20070709/REDHORSE%5ffact%5fsheet2007% 5f000.pdf (acessado em 28 Janeiro 2008).

11. Ibid.

12. Joint Publication (JP) 3-0, Joint Operations, 17 de Setembro de 2006, http://www.dtic.mil/doctrine/jel/new_ pubs/jp3_0.pdf, identifica as seis fases do plano de campanha conjunta como: formar, deter, tomar a iniciativa, dominar, estabilizar, e fazer reconhecer a autoridade civil (xxi).

13. “United States Air Force Prime BEEF Units,” United States Air Force Fact Sheet, https://www.my.af.mil/gcss-af/USAF/AFP40/Attachment/20070703/Prime%5fBEEF%5ffact%5fsheet%5f2006.pdf (acessado em 28 Janeiro 2008).

14. See TSgt Ginger Schreitmueller, “A Combat Fix: Combat Controllers, RED HORSE Join Forces to Open Mazar-e-Sharif Airfield,” Air Force Civil Engineer Magazine 10, no. 1 (Primavera 2002): 8–9, 11.

15. A Agência de Apoio de Engenharia Civil da Força Aérea tem várias equipes que prestam apoio de missão de engenharia civil especializado. Por exemplo, a Equipe de Avaliação de Pavimentos de Aeroportos fornece uma avaliação detalhada de aeroportos e sugestões detalhadas de reparação e manutenção, e a Equipe de Manutenção, Inspeção e Reparação de Engenharia Civil realiza manutenção ao nível de depósitos e reparação de geradores elétricos, sistemas de distribuição elétrica, sistemas de aquecimento e ar condicionado, e sistemas de detenção de aviões. See TSgt Michael A. Ward, “Pavements Team Brings Expertise to the Fight,” Air Force Civil Engineer Magazine 9, no. 4 (Inverno 2001/2002): 9.

16. Capt Matthew “Scott” Stanford, “RED HORSE Rides ‘Round the Horn,’ ” Air Force Civil Engineer Magazine 13, no. 1 (2005): 18.

17. Ibid., 20.

18. Ibid.

19. Essa perícia especializada pode ser um bom papel para o componente de Reserva. Em particular, os elementos de aumento da mobilização individual atribuídos a unidades de EC em serviço ativo dedicados a operações COIN poderiam interagir regularmente e treinar com os “operadores” ao longo de alguns anos. Se necessário, poderíamos ativá-los e destacá-los com a equipe para prestar esse apoio.

20. Em alguns casos, a mudança para funções de apoio à base fornecidas por empreiteiros representaram uma forma de reduzir a visibilidade do envolvimento militar americano. Em outros casos, a mudança ocorreu devido a reduções anteriores no pessoal militar de apoio a missões e ao ritmo elevado das operações.

21. Dada a necessidade de aumentar o financiamento ao Exército para atividades prolongadas nas Operações Liberdade Duradoura e Liberdade no Iraque, assim como de liberar fundos para substituir aviões da Força Aérea envelhecidos, a decisão de verba programada (PBD) 720 resultou no corte (em curso) de pessoal de 40.000 homens em serviço ativo e 17.000 homens no componente de Reserva da Força Aérea. Tal ação afeta frequentemente os códigos de especialidade da Força Aérea (AFSC); especificamente o PBD 720 exigiu cortes no CE AFSCs. Contudo, para ajudar a aliviar o efeito na prontidão em tempo de guerra, movemos posições de engenharia de base para RED HORSE para manter as capacidades de guerra necessárias. See Maj Gen Del Eulberg, “Transforming the CE Career Field,” Air Force Civil Engineer Magazine 15, no. 1 (2007): 4–7.

22. Air Force Doctrine Document 2, Operations and Organization, 3 de Abril de 2007, 39, http://www.dtic.mil/doctrine/jel/service_pubs/afdd2.pdf.

23. Air Force Manual (AFM) 3-2, Civil Engineering Combat Support Doctrine, 26 de Abril de 1991, 24–25. (Considerar que este manual se tornou obsoleto.)


Colaborador

Tenente-Coronel Kendall Brown, USAFR, PhD, PE Tenente-Coronel Kendall Brown, USAFR, PhD, PE é engenheiro de sistemas de motores de rocket líquido no NASA Marshall Space Flight Center e analista técnico no Air Force Research Institute, Universidade Aérea, Maxwell Air Force Base, Alabama. Realiza pesquisas para apoiar CADRE e Air University na área de tecnologias avançadas de sistemas espaciais e serve para colmatar o fosso entre os tecnólogos e operacionais warfighter. Ele tem mais de 20 anos de experiência dentro da Força Aérea, NASA, empresas privadas, e universidades na investigação, concepção, desenvolvimento e teste de equipamentos, motores de foguetes de combustível líquido, desenvolvimento e lançamento. Brown é engenheiro registrado no estado do Alabama e empregado pela National Aeronautics and Space Administration’s Marshall Space Flight Center, em Huntsville, Alabama, como engenheiro de sistema de foguetes de motor de combustível líquido. Bacharel em Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Oklahoma e Master of Science em Aeronáutica e Astronáutica da Universidade de Washington, e ainda detém um doutorado em engenharia mecânica pela Universidade de Alabama, em Huntsville. Sua formação militar inclui Squadron Officer School, Air Command e Staff College.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade da Força Aérea ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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