Documento criado em 01 Novembro 08
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2008

Acrescentar Flechas Menos Letais à Aljava
para Operações Aéreas de Contra-Insurgência

Coronel Ernie Haendschke, USAF

Acrescentar Flechas Menos Letais

O conflito no Iraque permitiu ao combatente de guerra aperfeiçoar, e em alguns casos repensar, muitas técnicas, táticas e procedimentos Contra-Insurgências (COIN) e preencheu algumas lacunas nas nossas capacidades COIN. Neste artigo, explico uma dessas lacunas no nosso arsenal de armas e como resolvemos dar aos militares da Força Aérea mais duas armas para apoiar operações COIN. Esta discussão incide sobre o que acrescentamos ao nosso arsenal e como o acrescentamos.

Em meados de 2007, a unidade de combate de guerra identificou a necessidade de um efeito cinético para combater insurgentes em zonas urbanas durante confrontos de tropas em contato (um tipo de missão de apoio aéreo próximo [CAS]) mantendo o mínimo nas baixas de civis e permitindo ataques junto a objetos ou locais com importância cultural ou histórica.1 Os insurgentes usam locais como santuários, impedindo a opção cinética CAS para certas zonas-alvo. A seguinte descrição de como as forças aliadas identificaram e preencheram uma lacuna de capacidade de armamento de COIN ofereceu várias lições aprendidas que validam a importância de ter homens da Força Aérea envolvidos no planejamento e execução de operações terrestres ao nível estratégico, operacional e tático. A discussão também reforça a necessidade de os militares da Força Aérea continuarem a sua tradição de serem inovadores e ágeis, enquanto melhoramos as nossas futuras capacidades de combate em todo o espectro do conflito.

Operações Aéreas de
Contra-Insurgência no Iraque

A Força Aérea tem estado envolvida em todo o espectro do conflito no teatro de operações do Iraque há 18 anos. As campanhas de bombardeamento estratégico de alta intensidade assumiram um lugar central durante as semanas de abertura da Operação Tempestade no deserto e os dias de abertura da campanha de “choque e espanto” que derrubaram Saddam Hussein. Durante este período, a Força Aérea também passou anos patrulhando os céus sobre o Iraque, reforçando as zonas de proibição de vôo , prestando ajuda humanitária, e exibindo ocasionalmente as suas capacidades de combate quando confrontada com atentados hostis de acordo com as regras de combate como parte das Operações Southern Watch e Northern Watch.

A nossa supremacia aérea sobre os céus do Iraque tem sido uma constante ao longo deste período. Desde 1991 que o pessoal do serviço americano não tem que se interrogar se o avião que o está sobrevoando no Iraque é aliado ou não. Não podemos tomar como certo nem devemos subestimar isso , uma vez que controlar os céus é uma parte de todas as operações que atualmente apoiam o conflito no Iraque. Os conflitos futuros, nem mesmo operações COIN no futuro, podem nos permitir um tal luxo, por isso devemos continuar preparados para alcançar o controle dos céus e nos dar assim liberdade de ação no solo. Hoje em dia no Iraque a nossa força aérea é igualmente arrebatadora e dominadora - embora de formas diferentes, dada a natureza do conflito.

A melhor forma de definir o conflito depois da nossa invasão no Iraque em 2003 é como guerra irregular (IW), que o Documento Doutrinário da Força Aérea (AFDD) 2-3, Guerra Irregular, define como “um combate violento entre intervenientes do estado e de fora do estado por legitimidade e influência sobre as populações relevantes. A guerra irregular favorece as abordagens indiretas e assimétricas, embora possa empregar toda a gama de capacidade militar e outras para enfraquecer o poder, influência e vontade do adversário.”2 Este tipo de guerra tem características únicas que requerem uma abordagem e estratégias diferentes daquelas que treinamos para a guerra tradicional. A guerra irregular se caracteriza pelas atividades necessárias para a conduzir. No seu centro encontram-se a insurgência e a COIN.

Tradicionalmente, os militares mostraram-se relutantes a manter a sua doutrina de guerra irregular – especialmente desde o fim da Guerra do Vietnã. Antes de Dezembro de 2006, havia 20 anos que o exército não publicava um manual dedicado exclusivamente a COIN. A Marine Corps não publicava um havia 25 anos.3 Até 2007 a Força Aérea não tinha directivas oficiais nem doutrina para guerra irregular, exceto para a área de defesa interna contra o exterior. Relegamos a doutrina de guerra irregular para o fundo das nossas prioridades ou a subestimamos mesmo por diversos motivos, incluindo os seguintes:

•  Não era para isso que tínhamos treinado (ou seja, não é o tipo de conflito em que os militares querem combater).

•  Não é centrada nos militares (ou seja, implica muita coordenação inter-departamentos e inter-agências).

•  Era difícil justificar as aquisições de custo elevado e tecnologia avançada que constituem a base dos serviços (ou seja, a guerra irregular conta com consideravelmente menos material de tecnologia avançada do que o que é usado na guerra tradicional).

•  Foi complexa e difícil de executar com sucesso, por isso algumas pessoas preferiram ignorá-la.4

Estes motivos refletem um modo de pensar que se concentra mais em conflitos anteriores de força contra força bem sucedidos dentro da zona militar de conforto do que em conflitos mais confusos e complexos e com menor taxa de sucesso fora dessa zona. A força militar americana tem um registro de trajeto misto neste campo no Sudeste Asiático, na América Latina e na África. Esta visão míope pertence agora ao passado.

Desde finais de 2003, o conflito no Iraque realçou este tipo de guerra e resultou em ações definitivas. O Exército e a Marine Corps desenvolveram em conjunto o Manual de Campo (FM) 3-24 e A Publicação de Combate de Guerra do Marine Corps (MCWP) 3-33.5, Contra-Insurgência, em Dezembro de 2006, e a Força Aérea publicou posteriormente o AFDD 2-3 para ajudar a moldar a forma como a Força Aérea organiza, treina, equipa e mantém as suas forças para este tipo de guerra. Tudo isto é bom e irá assegurar que os futuros militares da Força Aérea estejam preparados para os desafios associados às operações de guerra irregular e atividades associadas, incluindo COIN, apoio a COIN, combate ao terrorismo, modificação e impedimento, e apoio à insurgência.5

A Força Aérea suporta atualmente operações COIN, tal como o faz com todos os tipos de guerra, através de 17 funções-chave operacionais.6 Por exemplo, desde a deposição de Saddam e a cessação de “operações de combate importantes,” recorremos extensivamente a operações de suporte terrestre, operações de informação, apoio a combate, comando e controle, elevação aérea, abastecimento aéreo de combustível, operações especiais, operações de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), operações de recuperação de pessoal, navegação e posicionamento e serviços meteorológicos. Contudo, dada a natureza e as características das operações COIN, algumas funções são mais relevantes que outras e estão tomando um lugar principal. De fato, aumentamos regularmente o número de saídas ISR e CAS em 2007. Por exemplo, as missões ISR por veículos aéreos sem piloto no Iraque aumentaram em cerca de um terço nos últimos seis meses de 2007 em conjunção com a acumulação de tropas.7 O número de missões CAS também aumentou em 30–40 por cento na primavera de 2007.8 Durante esse tempo, também aumentamos o número de bombas lançadas. Nos primeiros seis meses desse ano, aviões da Força Aérea e da Marinha lançaram 437 bombas e mísseis no teatro de operações iraquiano, um aumento de mais de cinco vezes do que os 86 usados no mesmo período em 2006 e três vezes mais que na segunda metade de 2006.9

Com o drástico aumento de veículos aéreos sem piloto e a utilização de caças convencionais equipados com capacidade de ROVER (receptor de visualização por vídeo de controle remoto), o teatro de operações iraquiano viu a evolução de novas missões, atualmente designadas como supervisão armada e ISR não tradicional. A capacidade ROVER permite aos comandantes em terra e aos controladores de ataque terminal conjunto (JTAC) ver vídeos em tempo real do espaço de batalha da perspectiva do avião, oferecendo assim uma visão situacional do campo de batalha e capacidade de controle do alvo essenciais.10 As missões CAS e de reconhecimento armado foram complementadas pela missão de supervisão armada.11 Por oposição ao reconhecimento armado, a supervisão armada se concentra na vigilância persistente e em longos tempos de permanência—uma espécie de olhar permanente sobre o campo de batalha, associado à capacidade de combater letalmente, quando e se necessário. Embora o veículo aéreo sem piloto MQ-1 Predator seja atualmente o mais utilizado neste tipo de missão, em breve partilhará a honra com o MQ-9 Reaper, o seu derivado maior, mais rápido e mais letal. Outras plataformas além das conhecidas plataformas ISR dedicadas realizam a ISR não-tradicional – no Iraque, estas são habitualmente caças convencionais equipados com capacidade ROVER, o que lhes permite partilhar o seu vídeo animado com comandantes em terra associados. Todos os esquadrões de caças no Iraque foram equipados com capacidade ROVER no Outono de 2007.12 Esta capacidade vídeo é o novo padrão de alto nível para a percepção situacional acionável para os comandantes em terra e seus JTACs. Isto é apenas um exemplo de como o atual conflito no Iraque está repensando táticas, técnicas e procedimentos para o emprego de potência aérea, à medida que introduzimos novas tecnologias no teatro de operações iraquiano e o conflito evolui.

Operações Aéreas Cinéticas e
Contra-Insurgência

Embora a maior parte das operações COIN realcem funções não-cinéticas, as operações cinéticas têm o seu lugar, adequadas aos objetivos do comandantes das forças conjuntas, como o demonstram os recentes aumentos de CAS. Algumas destas missões foram ataques pré-planejados, mas na sua maioria resultaram de encontros de tropas de contato com insurgentes ou no decorrer de missões de supervisão armada que capturaram insurgentes colocando dispositivos explosivos improvisados (IED).

A economia de força, um princípio de guerra, é muito adequada no âmbito de uma discussão sobre operações COIN cinéticas. Segundo o mais recente esboço da AFDD 1, “Doutrina Básica da Força Aérea,” “a economia de força é definida como a sensata utilização e distribuição de forças... . Embora este princípio sugira o uso de força arrebatadora, num sentido, também recomenda a proteção contra o ‘excesso de mortes’ inerente ao uso de força excessiva. Isto é particularmente relevante quando a força excessiva pode destruir a obtenção e manutenção de legitimidade e apoio para uma operação.”13 FM 3‑24/MCWP 3-33.5 reserva o potencial para alturas em que é necessária uma força arrebatadora, como para destruir ou intimidar um opositor ou transmitir segurança a uma população. Mas o comandante também tem de usar níveis de força adequados e medidos. Isto implica aplicar “a força precisamente para que cumpra a missão sem causar perda de vidas, sofrimento,” ou danos de propriedade física desnecessários.14 Para as forças em terra, isto significa utilizar procedimentos de escalonamento de força para minimizar o potencial de perda de vidas e danos colaterais(DC).15 Os planejadores aéreos, tripulações aéreas, e JTACs do centro de operações aéreas e espaciais combinadas (CAOC) têm os seus próprios procedimentos deste tipo e um arsenal correspondentes que podem utilizar para minimizar o potencial de baixas de civis e a destruição de edifícios civis e de propriedades particulares. Em operações COIN, minimizar os DC se torna cada vez mais um multiplicador de efeitos durante o processo de conquistar o coração e a mente da população. Qualquer incidente com DC impróprios terá implicações tremendas para as operações de informação estratégica dos insurgentes, devido ao escândalo político associado.

Qual é a quantidade certa de força a utilizar para garantir que não alienamos a população civil que estamos tentando influenciar? Por outras palavras, como minimizamos os DC, privando assim os nossos inimigos – os insurgentes - de material para a sua campanha suas operações de informações de mídia, a fim de voltar a população contra o governo e os contra-insurgentes do anfitrião? No Iraque os insurgentes dominaram rapidamente os canais de meios de comunicação públicos e entradas de Internet – por exemplo, a sua utilização de uma escola para lançar rockets para iniciar um ataque de retaliação que matou ou feriu crianças da escola. Se isso acontecer, eles mostram os mortos ou feridos como vítimas inocentes ou mesmo alteram o balanço final para desacreditar o governo anfitrião e os contra-insurgentes.

Para determinar a quantidade certa de força, é necessário começar pela lei do conflito armado, que o pessoal da Força Aérea é obrigado a respeitar. Entre outras coisas, a lei estabelece um enquadramento para garantir o uso de meios de combate legais. A necessidade militar, um princípio básico legal da lei do conflito armado, afirma que “os ataques se devem limitar a objetivos militares.” Ela “permite a aplicação de apenas o grau de força regulada que não seja de outra forma proibido pelas leis de guerra e que seja necessário para a submissão parcial ou completa do inimigo com a mínima perda de vidas, tempo e recursos físicos.”16 O princípio seguinte, a proporcionalidade, significa que “as operações militares devem ter em consideração a dimensão de destruição de civis e de baixas prováveis que delas resultem e, na medida adequada às necessidades da situação militar, procurar evitar ou minimizar tais baixas e destruição. As perdas de civis devem ser proporcionais à vantagens militares procuradas.”17 Em caso algum deverá o militar da Força Aérea atacar civis ou empregar armas que possam causar demasiados DC.

A questão seguinte a que devemos responder depois de considerar a lei de conflito armado diz respeito aos efeitos pretendidos com o uso da força. Por efeito me refiro aos resultados pretendidos, acontecimentos ou consequências resultantes do uso da força. Não é suficiente simplesmente falar dos efeitos diretos, uma vez que os efeitos de segunda e terceira ordem de qualquer ação conduzida no espaço de batalha pode se sobrepor aos efeitos diretos. A AFDD 1 afirma que as funções operacionais da Força Aérea estão ligadas para atingir efeitos específicos.18 Os efeitos táticos de CAS também podem ter efeitos operacionais e estratégicos baseados naquilo que chamo um multiplicador de efeitos de DC. Quaisquer DC resultarão naquilo a que podemos chamar de efeito multiplicador exponencial, em que o número de baixas ou a quantidade e importância de propriedade danificada determinam os efeitos negativos operacionais ou estratégicos. Quanto maior for o número de baixas/mortes de civis ou a dimensão de danos em infraestruturas civis (água, eletricidade, refinarias de petróleo, transportes, etc.) ou em estruturas históricas/religiosas/culturais, maior o dano ao esforço COIN, uma vez que isto influencia negativamente a população não combatente – precisamente as pessoas que os contrainsurgentes estão tentando influenciar e conquistar.

O Documento Explicativo do Centro de Doutrina da Força Aérea (AFDCH) 10-01, Manual do Comandante Aéreo e Espacial para o JFACC [Comandante de Componente das Forças Aéreas Conjuntas] discute princípios baseados em efeitos, três dos quais são muito aplicáveis às atividades de COIN. O manual recomenda considerar “toda a variedade de resultados, eventos e consequências—não só os efeitos diretos (físicos) mas também os indiretos (incluindo psicológicos e paralelos ao sistema).”19 O segundo princípio observa que devemos “tentar afetar o comportamento, e não apenas causar mudanças físicas (mesmo o atrito consiste em fazer as unidades inimigas quebrarem ou se renderem).”20 O terceiro princípio—um muito importante, especialmente em operações de COIN — exige de nós que “determinemos formas de medir todos os efeitos e objetivos pretendidos.”21 Sem a medida adequada de eficácia, se torna muito difícil determinar se a atividade produziu o efeito desejado.22 As avaliações de danos de batalhas, tal como os relatórios pós-missão das tripulações aéreas e do JTAC completam o ciclo de feedback de medida de eficácia que usamos para determinar a obtenção do efeito pretendido. Esta medida se torna ainda mais significativa para armas não-cinéticas e de baixos DC, concebidas para ter o efeito de minimizar os danos físicos e modificar o comportamento. Exemplos de métodos não cinéticos incluem as saídas de demonstração de força (SOF) ou de demonstração de presença (SOP).23 Os efeitos deste tipo de saídas não são quantificáveis. Por exemplo, usamos saídas de SOF durante as eleições no Iraque para influenciar a população civil e os insurgentes através de uma série de operações de força aérea e terrestre.24 Neste caso, não tínhamos forma de quantificar mesmo o aumento no número de votantes resultante destas saídas, mas permitiram aos iraquianos conduzir uma eleição bem sucedida com apenas perturbações de pouca importância.

Para estas saídas serem bem sucedidas, a população e os insurgentes tinham de saber que as forças de coalizão tinham a capacidade e a intenção de combater. Igualmente importante, as populações e insurgentes tinham de estar vulneráveis (ou seja, superados em capacidade e com falta de medidas defensivas contra o avião). Além disso, a população deveria saber que a potência aérea apoiava as forças em terra. Para incentivar a população a sair para votar, uma presença visível de forças terrestres realçou as saídas de SOP voando em altitudes médias perto de locais de voto. Para desencorajar insurgentes ou extremistas, aviões de combate realizaram saídas de SOF perto de zonas com suspeita de perturbação para demonstrar a resolução das forças de coalizão de intervir caso surgissem problemas.

Em resumo, os militares se encontram num ato de equilíbrio em operações COIN – tentando conquistar a população civil, o verdadeiro centro de gravidade neste tipo de guerra, vencendo ao mesmo tempo os insurgentes. Infelizmente estas duas ações ocorrem no mesmo espaço físico partilhado por ambos os grupos – especialmente num contexto urbano. “O objeto da guerra consiste em impor a nossa vontade ao inimigo destruindo a sua vontade” (também conhecido por coação) “ou capacidade de resistir” (também conhecido como negação).25 Na COIN, quando as tropas estão em contato com insurgentes, o objeto é exatamente o mesmo, mas ao nível tático. Ao mesmo tempo, contudo, as forças de coalizão devem prevenir os DC de forma a não alienar nem perder o apoio da população civil. Durante as operações COIN, as baixas de civis e a destruição de objetos civis podem assumir uma importância estratégica que os insurgentes podem explorar, definindo meses de criação de relações e de forjar relações de confiança com a população residente. Devido a este ato de equilíbrio, as armas de baixos DC são essenciais para combater numa COIN. Na verdade, um dos paradoxos da COIN do FM 3-24 / MCWP 3-33.5 avisa que por vezes quanto mais força usamos, menos eficazes nos tornamos.26 O nosso inventário atual de armas de baixos DC não reflete totalmente estas realidades.

Arsenal Atual de Armas-
de Baixos Danos Colaterais

Durante muito tempo, procuramos formas de aumentar a letalidade de armas lançadas do ar. Esta procura se mantém, mas se uniram a ela esforços paralelos para minimizar a letalidade em alguns casos. Com o advento do sistema de posicionamento global e suas capacidades de precisão correspondentes, nem sempre precisamos de uma maior letalidade para alcançar os efeitos pretendidos das armas. O atual inventário de armas lançadas do ar inclui de fato algumas destas armas de baixos DC que os aviões da Força Aérea, da Marinha e da Marine Corps podem lançar para obter efeitos precisos à medida.

A Força Aérea tem algumas armas cinéticas letais que foram bem sucedidas nas atuais operações COIN no Iraque. Primeiro, a unidade de bomba guiada (GBU)-39/B Bomba de Pequeno Diâmetro (SDB) obteve uma capacidade operacional inicial no F-15E no Outono de 2006.27 Desenvolvida pela Boeing, esta bomba foi caracterizada como “a próxima geração de armas de baixo custo e baixos DC de ataque de precisão para utilização a partir de caças, bombardeiros e [veículos aéreos sem piloto].”28 Sendo uma munição guiada da classe 250 libras, de longo alcance, para todo o tipo de tempo, para dia e noite, dispõe de um sistema de posicionamento global/navegação por inércia para se auto-conduzir até ao ponto de impacto pretendido.

Em seguida, utilizamos armas de inércia durante o Nothern Watch e o Southern Watch para atacar alvos que ameaçavam os nossos aviões que reforçavam as zonas de proibição de vôo. Especificamente, a coalizão utilizou uma munição de inércia de precisão de 500 libras guiada por laser, com enchimento de cimento, a GBU-12, para destruir zonas selecionadas sem os efeitos explosivos de uma arma de lançamento direto.29 A coalizão as utilizou contra ameaças que apresentavam uma intenção hostil mas se situavam perto de escolas ou estruturas de civis, fazendo-o para destruir locais de radar ativo de superfície para o ar, limitando os DC. Adicionalmente, utilizamos o míssil de inércia ar-terra (AGM)-114 Hellfire—um míssil de precisão guiado por laser, da classe 100 libras—para minimizar os efeitos de DC.30 A versão inerte consegue penetrar os alvos sem os efeitos de rebentamento associados de uma carga direta. Outro míssil de baixos DC transportado pelos aviões da Força Aérea—o AGM-65 Maverick, um míssil tático, do ar para a superfície—tem uma variante com carga menor de 125 libras, anti-blindagem, de carga formada que vem com condução eletro-ótica/televisão (AGM-65A ou B) ou condução por imagem de infravermelhos (AGM-65D). Em 2007 a Força Aérea começou a usar o Maverick AGM-65E guiado por laser, que inclui uma carga de 300 libras, penetrante, e de fragmentação no rebentamento (anteriormente utilizada exclusivamente pelos aviões da Marinha e da Marine Corps).31

A Marinha e a Marine Corps introduziram a sua própria arma específica de baixos DC em Maio de 2007: a unidade de bomba direta (BLU)-126/B Bomba de Baixos Danos Colaterais, idêntica à BLU-111/B de 500 libras, mas contendo uma massa explosiva cerca de 16 por cento menor e produzindo um padrão de fragmentação e raio de explosão reduzidos.32 Este armamento usa os mesmos kits de orientação de precisão que o BLU-111/B, incluindo os das bombas guiadas por laser Paveway II (designadas GBU-51/B) e os kits de Munição de Ataque Direto Conjunto (JDAM) (designados GBU-38 [v] 4/B).

Existe algum potencial para um armamento de ainda menores DC para conjuntos de alvos específicos? No futuro deverá estar disponível uma variante do SDB. A Munição de Letalidade Concentrada (FLM), agora em desenvolvimento para diminuir ainda mais os DC, irá substituir a estrutura de aço da SDB por uma estrutura de fibra de carbono e irá incluir um enchimento explosivo de metal denso.33 Este enchimento de “alto explosivo multifásico” é mais denso que o da SDB original e proporciona uma explosão ligeiramente maior, mas com DC reduzidos, uma vez que a estrutura não produz fragmentação.34 Cria o efeito geral de uma arma apenas de explosão com letalidade reduzida. O programa FLM em curso irá demonstrar que a arma tem a mesma precisão que a SDB e depois será submetida a uma avaliação de utilidade militar em três fases.35 O gabinete do programa irá fornecer 50 armas residuais ao Comando Central americano (USCENTCOM) para tal avaliação após ficar completa a demonstração de capacidade tecnológica conjunta na Primavera de 2008. Se o USCENTCOM considerar os resultados da avaliação favoráveis, o plano atual dará origem à produção de mais 450 armas FLM ao longo dos próximos quatro anos.36

O Problema do Combatente de Guerra

Em 2007 o combatente de guerra necessitava de um efeito cinético situado entre as saídas SOF e SOP e a arma de mais baixos DC do nosso inventário. As saídas SOF e SOP não cinéticas usadas regularmente se revelam eficazes quando as utilizamos adequadamente com funções de detenção e prevenção. Contudo, precisávamos de algo mais quando eles não produziram os efeitos desejados num ataque de tropas em contato. O combatente das forças conjuntas precisava de uma capacidade para ameaçar insurgentes diretamente no contexto urbano. No mínimo, esta arma deveria ter o efeito de forçar os insurgentes a abandonar as suas posições cobertas, criando caos e permitindo às nossas tropas ganhar ou retomar a iniciativa. Esta arma de “efeito de choque” teria de reduzir mais o padrão fragmentário a ponto de este ser menor que o das atuais armas de baixos DC para minimizar os danos físicos e as baixas de civis.

O combatente de guerra precisava desta capacidade muito rapidamente para operação que se aproximavam – ou seja, uma arma que pudéssemos fazer chegar rapidamente ao teatro, e que fosse familiar ao pessoal da logística que a iria armazenar e transportar, as tripulações aéreas que a iria utilizar e ao pessoal da manutenção que a iria montar e carregar para o avião. Por outras palavras, esta arma de preferência requeriria apenas uma formação mínima aos homens da Força Aérea envolvidos.

A Solução

A unidade de combate do Exército, juntamente com a Corporação da Força Aérea no Iraque (MNC-I), identificaram esta necessidade. Estes homens da Força Aérea – planejadores aéreos, JTACs e oficiais de ligação aérea – destacados para o grupo de operações de apoio aéreo expedicionário estão em posição de influenciar diretamente e aconselhar o batalhão, brigada, divisão e liderança da corporação do Exército sobre como a potência aérea pode apoiar as manobras terrestres. Ao mesmo tempo, fornecem feedback ao comando combinado de componentes das forças aérea e espacial e seu pessoal sobre problemas atuais e operações futuras.

Os membros do pessoal do CAOC e seus equivalentes do Exército e da Força Aérea no Quartel-General MNC-I identificaram este problema durante uma das teleconferências em vídeo de sincronização semanais. Estes homens da Força Aérea também estão conscientes das GBU-12s inertes usadas no Northern Watch e Southern Watch, mencionados anteriormente. A questão se tornou então se poderíamos usar GBU-38 JDAMs inertes de modo semelhante para conduzir os insurgentes para fora dos seus santuários urbanos durante combates de tropas em contato com forças da coalizão.

O Departamento da Defesa desenvolveu um processo para lidar exatamente com este tipo de problema sentido pelos combatentes de guerra do comando de combate (COCOM). No passado, a comunidade de aquisição fornecia equipamento e serviços a um COCOM envolvido em uma operação em curso, recorrendo a um processo muito rigoroso, complicado e ineficiente. Isto resultou na criação de uma célula de aquisição rápida unida (JRAC), pertencente ao Gabinete da Secretaria da Defesa, que reportava ao secretário da defesa através do subsecretário do revisor da defesa e do subsecretário da defesa para a aquisição, tecnologia e logística. O JRAC supervisiona, coordena e facilita a satisfação das necessidades urgentes derivadas de operações do COCOM através do processo de necessidades operacionais urgentes conjuntas (JUON).37

Uma JUON que não possa ser satisfeita num enquadramento temporal adequado por um processo de agência de serviço/defesa vai ao COCOM para certificação e priorização. O COCOM ou o rejeita ou o certifica e prioriza, enviando a JUON para o Pessoal Conjunto e para o JRAC simultaneamente. Com uma recomendação do Pessoal Conjunto, o JRAC designa ou recusa o JUON como uma necessidade imediata de guerra num prazo de 14 dias após a submissão à célula.38 O JRAC localiza esta necessidade e facilita a sua solução. Este processo assegura que a necessidade receba atenção imediata, seja submetida a verificação cruzada com todos os serviços para determinar se alguma solução semelhante já está disponível ou em processamento, e confirma a disponibilidade de financiamento no ano em curso.

Neste caso particular, a equipe conjunta sentiu que uma abordagem bifurcada ajudaria a resolver a necessidade a tempo das próximas operações. Como tal a Força Multinacional no Iraque (MNF-I) submeteu um JUON ao USCENTCOM. Simultaneamente, o comandante do MNC-I enviou um memorando pessoal ao comandante das forças aéreas e espaciais conjuntas—o comandante de apoio e que acumula as funções de comandante das Forças Aéreas Centrais (CENTAF) —solicitando as armas inertes. A utilização anterior de GBU-12s inertes com as suas cargas de cimento contra alvos de tipo baixos DC criara um precedente não-oficial e se tornou uma consideração importante para transmitir segurança a algumas das preocupações neste caso. Adicionalmente, em consequência das videoconferências de sincronização semanais entre os planejadores aéreos MNC-I, os oficiais de ligação aérea e o pessoal do CAOC, os participantes tiveram conhecimento de que as armas inertes já se encontravam no teatro de guerra e seriam rapidamente entregues nas bases certas.

Considerações para a
Utilização da
Munição Inerte de Ataque
Direto Conjunto

Para investigar inicialmente a viabilidade da utilização de JDAMs inertes, foi pedido ao Centro de Armamento Aéreo Seek Eagle e aos Gabinetes de Programas Conjuntos de JDAM em Eglin AFB, Florida, que comentassem sobre quaisquer problemas de transporte, entrega e precisão. Estes foram muito úteis e indicaram alguns fatores a considerar na utilização de JDAM inertes para este fim em particular. A sua principal preocupação era de que o processo de enchimento da carga inerte produz propriedades de massa e peso inconsistentes que não condizem com as correspondentes na versão direta, podendo assim afetar o desempenho da JDAM.39 Felizmente, descobriram que estas variações não eram um fator significativo para a JDAM de 500 libras GBU-38. O mesmo não se poderia dizer para a versão de JDAM de 2.000 libras GBU-31, que tem grandes variações que afetam drasticamente a sua precisão. Além disso, confirmaram que, em comparação com a versão direta, estas cargas de cimento inertes em geral não se fragmentam muito, o que é um fator muito importante quando se tenta limitar os DC. Por fim, a experiência anterior com GBU-12s inertes revelou uma tendência das bombas de cimento inertes para perfurarem ou virarem em ângulos de impacto superficiais—mas a JDAM permite ao operador planificar ângulos de alto impacto que minimizem o risco.40 Esta informação preliminar não revelou problemas significativos com o transporte, a entrega ou a precisão.

Os Resultados

O USCENTCOM adjudicou a JUON e determinou que o CENTAF deveria examiná-la. Com base nas necessidades específicas e nos efeitos pretendidos, o pessoal do CENTAF concordou que a JDAM GBU-38 satisfaria as necessidades da JUON e atingiria o efeito pretendido pela unidade de combate de guerra.

O pessoal do CENTAF e do USCENTCOM trabalhando na JUON também descobriu que a Marinha estava prestes a receber a primeira das suas GBU-51/Bs e GBU-38 (v) 4/Bs de baixos DC no teatro de operações do Iraque. Contudo, nenhum avião da Força Aérea fora certificado para transportar e lançar estas armas. Num esforço para dar à unidade de combate mais flexibilidade ao atacar zonas de alvos de baixos DC, o comandante do CENTAF instruiu o pessoal do CAOC e do CENTAF que investigasse a possibilidade de certificar algum avião da Força Aérea. Após discussões com a Marinha sobre a disponibilidade de armas e com o gabinete Seek Eagle relativamente a certificações de transporte e lançamento, o comandante do CENTAF decidiu proceder a uma análise e teste para certificar o transporte e o lançamento dos F-16s e A-10s da Força Aérea. Ambos os aviões receberam pouco tempo depois autorizações de vôo para transportar e utilizar as armas. Em resultado disso, o comandante terrestre e os seus JTACs teriam ainda outra opção para obter os efeitos destas armas de baixos DC em particular de aviões da Força Aérea.

O memorando pessoal do comandante do MNC-I também resultou em algumas ações imediatas. O comandante dos componentes aéreo e espacial combinados respondeu positivamente ao memorando depois de examinar a viabilidade e a adequação da JDAM inerte. Esta munição tinha um padrão de fragmentação mínimo; a artilharia já estava instalada no teatro de operações, e o pessoal da logística e da manutenção, assim como as tripulações aéreas, estava familiarizado com os procedimentos de transporte, manutenção, carregamento e lançamento da arma, uma vez que a utilizamos regularmente para fins de treinamento e testes.

Os transportadores aéreos transportaram as JDAMs GBU-38 para a Base Aérea de Balad para carregamento imediato como opção disponível para JTACs. No dia seguinte, os caças F-16 voaram com as JDAMs inertes, e os JTACs receberam documentos informativos sobre a arma ideal disponível para sua utilização. Tinham agora um efeito de choque disponível para as operações intensivas do Verão de 2007, em que os insurgentes lutaram com os seus soldados no contexto de DC urbanos e quando as opções Hellfire, canhões, ou SOF não cinéticos eram inadequadas devido a preocupações com o padrão de fragmentação ou a ineficácia.

Lições Aprendidas

As lições aprendidas durante este processo se aplicam em qualquer caso futuro em que a unidade de combate pretenda acrescentar um efeito ao repertório de potência aérea. Primeiro, quanto mais depressa conseguirmos identificar uma necessidade, melhor, para que os processos de requisitos possam seguir o curso, assegurando a avaliação por todas as vias possíveis. Neste caso particular, o comandante das forças terrestres necessitava de um efeito para as tropas em contato no contexto urbano durante as operações que se aproximavam, porquanto a celeridade de tornar uma preocupação impositiva. Em segundo lugar, deveríamos utilizar todos os recursos disponíveis desde o início, para determinar que potenciais opções eram válidas e quais não eram, evitando assim o desperdício de tempo e de recursos para fins sem saída. Os homens da Força Aérea que deram origem ao pedido fizeram a sua tarefa de casa para acelerar o processo. Ao contatar a Seek Eagle e os Gabinetes de Programa Conjunto da JDAM no início do processo, pouparam muito tempo assegurando a ausência de entraves antes de enviar o memorando pessoal. Em seguida, a importância de ter homens da Força Aérea não só ao nível tático, como também aos níveis operacional (divisão e MNC-I) e estratégico (MNF-I) garantiram que colocássemos as questões certas relativas aos efeitos pretendidos, permitindo assim à potência aérea tornar-se mais experiente em se integrar com as necessidades únicas e sensíveis em termos de tempo do Exército. Estes homens da Força Aérea integrados são um canal para os planejadores e líderes do Exército, assim como para os seus JTACs nas linhas da frente. Esta estrutura organizativa assegura que a planificação das operações seguintes pode aplicar os meios adequados para satisfazer os objetivos solicitados pela unidade em terra em relação aos pontos básicos de eficácia e eficiência. Outra lição aprendida implica não pressupor nada, por muito óbvio que possa parecer. O fato de as versões de JDAM inerte e direta terem diferenças nas propriedade de massa e peso que podem afetar a precisão não é intuitivamente evidente, especialmente porque utilizamos as armas inertes por rotina em saídas de treino.

Além disso, há duas razões muito importantes para educar os decisores do Exército adequados e os JTACs quando utilizamos uma nova capacidade – particularmente num ambiente de combate fluido. Primeiro, esta “gestão de expectativas” assegura que os comandantes em cena percebam que têm outra arma que podem utilizar e lhes dá conhecimento do que podem esperar em termos de efeitos. Segundo, dá ao comandante em terra e aos JTACs a percepção de qualquer limitação, o que previne a má utilização de uma nova capacidade. Obviamente, não queremos empregar recursos limitados contra alvos a não ser que produzam os resultados pretendidos.

Outra lição valiosa aprendida em relação à experimentação em combate surgiu após os GBU-38s terem voado para apoiar a Operação Liberdade no Iraque. A liderança do MNC-I queria experimentar utilizar as JDAMs inertes para combater IEDs ao longo das estradas. Teoricamente, a arma detonaria o IED e não causaria muito mais danos às estradas, uma vez que não tinha carga explosiva. Isto tornaria a reparação das estradas rápida e relativamente pouco dispendiosa, comparativamente à reparação necessária se tivéssemos usado carga. Uma vez que isto respondia a uma necessidade de alta prioridade de derrotar os IEDs nas bermas das estradas, a Força Aérea concordou com a experiência, apesar de a análise de engenharia de armamento revelar uma probabilidade de sucesso muito reduzida. Infelizmente, após alguns testes sem sucesso, interrompemos a experimentação.

Apesar desta falta de sucesso, haverá outros momentos legítimos em que necessitaremos de experimentação em combate para produzir um efeito específico contra um alvo específico, especialmente se o que está em causa for importante - por exemplo, se estivéssemos tentando descobrir uma forma rápida de derrotar uma tática desenvolvida recentemente responsável por baixas da coalizão, como era o caso aqui. Contudo, essa experimentação deveria ter lugar apenas depois de os líderes adequados terem tomado uma decisão consciente, após terem consultado um plano de avaliação concebido que incluísse medidas de eficácia e mecanismos de feedback preparados, incluindo meios de documentar as condições de teste antes e depois do acontecimento. Caso contrário, os resultados se revelariam suspeitos, e as descobertas não permitiriam determinar respostas conclusivas. Utilizar JDAMs inertes em locais com IED “suspeitos” ou “historicamente conhecidos” IED sem um certo conhecimento da presença de um dispositivo ou da sua localização exata não é forma de conduzir experimentação de campo.

Conclusão

Operações COIN eficazes requerem uma re-observação de algumas táticas, técnicas e procedimentos utilizados anteriormente, assim como dos tipos de armas usadas em conjunto com eles. Com a ajuda de homens da Força Aérea destacados para o grupo de operações de apoio aéreo expedicionário, os planejadores do exército identificaram um efeito necessário entre um SOF não cinético e a arma com os mais baixos DC do nosso inventário. A Força Aérea preencheu a lacuna rapidamente com a JDAM inerte, disponibilizando-a imediatamente para operações de combate intensivo durante o Verão de 2007. Além disso, em resultado deste esforço, os caças F-16 e A-10 da Força Aérea foram certificados para utilizar as armas de baixos DC da marinha GBU-51/Bs e GBU-38 (v) 4/Bs até a arma de baixos DC da próxima geração, a FLM, estar disponível. Tanto a JDAM inerte como a Bomba de Baixos Danos Colaterais da Marinha oferecem aos combatentes maior flexibilidade quando estes necessitam de efeitos associados a uma arma de baixos DC. Esta artilharia dará acesso a alvos antes restritos por limitações de DC e tornará a potência aérea mais eficaz e letal em operações COIN. Os homens da Força Aérea que combatem hoje em dia no Iraque e no Afeganistão mantêm as boas tradições de agilidade e inovação, assegurando que a potência aérea continua a responder às necessidades das unidades de combates conjunto em todo o espectro do conflito, incluindo as operações COIN.

Notas:

1. Para uma definição de cinético, ver Documento de Doutrina da Força Aérea (AFDD) 2-1.9, Targeting, 8 June 2006, 115, https://www.doctrine.af.mil/afdcprivateweb/ AFDD_Page_HTML/Doctrine_Docs/afdd2-1-%209.pdf.

2. AFDD 2-3, Irregular Warfare, 1 August 2007, 1, https:// www.doctrine.af.mil/afdcprivateweb/AFDD_Page_HTML/Doctrine_Docs/afdd2-3.pdf.

3. Field Manual (FM) 3-24/Marine Corps Warfighting Publication (MCWP) 3-33.5, Counterinsurgency, December 2006, foreword, http://www.fas.org/irp/doddir/army/fm3-24.pdf.

4. A IW nunca deverá ser concentrada nos militares, dada a natureza do conflito. Uma vez que estamos tentando influenciar uma população anfitriã e ou apoiar o governo constitucional ou ajudar a introduzir uma outra forma de organização governamental, todos os elementos de poder nacional entram em jogo, incluindo alguns dos ou todos os seguintes: ações políticas, diplomáticas, econômicas, informativas, paramilitares e cívicas.

5. AFDD 2-3, Irregular Warfare, 5.

6. AFDD 1, “Doutrina Básica da Força Aérea,” documento provisório de coordenação de primeira linha, versão 3, 19 de Junho de 2007, 37, lista as 17 funções operacionais como ataque estratégico; suporte aéreo; suporte espacial; suporte terrestre; suporte marítimo; operações de informação ; apoio de combate; comando e controle; transporte aéreo; reabastecimento aéreo; transporte espacial; operações espaciais; inteligência; vigilância e reconhecimento; operações de recuperação de pessoal; navegação e posicionamento e serviços meteorológicos.

7. Lolita C. Baldor, “Military Branches Fight for Control of Drones,” Oakland Tribune, 6 July 2007, http://findarticles.com/p/articles/mi_qn4176/is_20070706/ai_n19359009.

8. Charles J. Hanley, “U.S. Doubles Air Attacks in Iraq,” Boston.com, 5 June 2007, http://www.boston.com/news/world/middleeast/articles/2007/06/05/us_doubles_air_attacks_in_iraq.

9. Charles J. Hanley, “Air Force Quietly Building Iraq Presence,” ABC News, 14 July 2007, 1, http://abcnews.go .com/International/wireStory?id=3378044.

10. SSgt Amanda Savannah, “Battlefield Technology Key to Atlantic Strike V,” Air Force Link, 19 April 2007, http://www.af.mil/news/story.asp?id= 123049599. “ROVER pode receber dados de vídeo e telemetria de aviões com piloto [e] veículos aéreos sem piloto . . . para visualizar [em vídeo animado] num computador portátil ou monitor de televisão. O terminal de recepção pode receber a maior parte das frequências banda de vídeo da Inteligência, Vigilância e Reconhecimento C, L, e KU.” Ibid.

11. Publicação Conjunta (JP) 1-02, Department of Defense Dictionary of Military and Associated Terms, 12 de Abril de 2001 (com emendas até 17 de Outubro de 2007), define o termo reconhecimento armado como “uma missão com a finalidade principal de localizar e atacar alvos de oportunidade, ou seja, material, pessoal e instalações inimigos em zonas gerais atribuídas ou ao longos de trajetos terrestres atribuídos, e não com a finalidade de atacar alvos designados especificamente” (44).

12. Hanley, “Air Force Quietly Building,” 3.

13. AFDD 1, “Air Force Basic Doctrine,” 27–28.

14. FM 3-24 / MCWP 3-33.5, Counterinsurgency, 1-25. Acrescentei os danos de propriedade física, uma vez que qualquer dano à propriedade pessoal civil também tem um efeito para convencer a população local de que tudo foi feito para minimizar os DC.

15. Ibid. De acordo com o JP 1-02, Department of Defense Dictionary, danos colaterais são “lesões ou danos não intencionais ou incidentais a pessoas ou objetos que não seriam alvos militares legais nas circunstâncias vigentes no momento. Tais danos não são ilegais, desde que não sejam excessivos à luz da vantagem militar geral prevista pelo ataque” (93).

16. Ver “The Law of Armed Conflict,” http://milcom.jag.af.mil/ch15/loac.doc. Objetivos militares são aqueles “objetos que pela sua natureza, localização, finalidade ou utilização constituem um contributo eficaz à ação militar e cuja destruição parcial, captura ou neutralização ... oferecem uma vantagem militar definida.” “Objetos civis são objetos como locais de culto, escolas, hospitais e habitações. [Tais] objetos podem perder o seu estatuto protegido se forem utilizados para prestar um contributo eficaz para a ação militar.” Ibid.

17. Ibid.

18. AFDD 1, “Air Force Basic Doctrine,” 36.

19. Air Force Doctrine Center Handout (AFDCH) 10-01, Air and Space Commander’s Handbook for the JFACC, 27 June 2005, 67.

20. Ibid.

21. Ibid.

22. JP 1-02, Department of Defense Dictionary, define o termo medida de eficácia como “um critério usado para avaliar as mudanças no comportamento, capacidade ou ambiente operacional do sistema que está ligado à medição de atingimento de um estado final, alcance de um objetivo ou criação de um efeito. Também chamado MOE” (335).

23. As saídas SOF são sobrevôos de baixa altitude ou lançamentos de armas secas que podem ou não incluir a emissão de foguetes luminosos. As saídas SOF são usadas como reforço ou transmissão de segurança. Habitualmente usamos ambos os tipos para fins preventivos num papel detentor para alterar um comportamento. No caso de civis, transmitem uma sensação de segurança; para insurgentes/extremistas, demonstram uma sensação de vulnerabilidade ou uma forma de intimidação.

24. Lt Gen Robert J. Elder Jr., “Effects-Based Operations: Questões e Respostas,” Air and Space Power Journal 21, no. 1 (Primavera 2007): 14, http://www.airpower.maxwell.af.mil/airchronicles/apj/apj06/spr06/spr06.pdf.

25. Col Phillip S. Meilinger, “Air Strategy: Targeting for Effect,” Aerospace Power Journal 13, no. 4 (Inverno 1999): 56, http://www.airpower.maxwell.af.mil/airchronicles/apj/apj99/win99/meiling.pdf.

26. FM 3-24 / MCWP 3-33.5, Counterinsurgency, 1-27.

27. TSgt Russell Wicke, “ACC Declares Small Diameter Bomb Initially Operational,” Air Force Link, 5 de Outubro de 2006, http://www.af.mil/news/story.asp?id=123028580.

28. Ibid.

29. Dr. Thomas R. Searle, “Making Airpower Effective against Guerillas,” Air and Space Journal 18, no. 3 (Outono 2004): 19, http://www.airpower.maxwell. af.mil/airchro nicles/apj/apj04/fal04/Fal04.pdf. As GBU-12s inertes tiveram um sucesso limitado na restrição de DC durante a Northern Watch devido ao ricocheteamento e deslize das bombas para longe do seu alvo pretendido.

30. Vago Muradian, “An Interview with Gen. T. Michael ‘Buzz’ Moseley,” Defense News, 22 de Maio de 2006, 1, http://integrator.hanscom.af.mil/2006/May/05252006/ 05252006-08.htm.

31. Jack Gillum, “Air Force Mulls Maverick,” Arizona Daily Star, 22 de Agosto de 2007, 1; and “AGM-65 Maverick Guided Missile,” United States Navy Fact File, 28 de Agosto de 2007, http://www.navy.mil/navydata/fact_display.asp?cid=2200&tid=500&ct=2.

32. O penetrador BLU-111/B é uma carga de revestimento térmico e caixa de aço forjado—uma variante com maior tolerância de precisão da bomba de fins generalizados de 500 libras MK-82. Ver também “BLU-111/B,” GloralSecurity.org, http://www.global security.org/military/systems/munitions/blu-111.htm; “NAVAIR Delivers Low Collateral Damage Bomb,” news release, 11 May 2007, Naval Air Warfare Center Weapons Division, http://www.nawcwd.navy.mil/nawcwd/news/2007/2007-05_low_collateral_damage_bomb.htm; e Lt Col James Auclair, Air Force Seek Eagle office, para autor, comunicação pessoal, 4 de Agosto de 2007.

33. SSgt Ryan Hansen, “Small Diameter Bomb Timeline Remains on Schedule,” Air Armament Center Public Affairs, 22 de Março de 2006, http://www.afmc.af.mil/ news/story.asp?id=123017916.

34. Maj Heidi Cornell, monitor de Elemento de Programa de Armas de Ataque de Precisão, para autor, comunicação pessoal, 26 de Agosto de 2007.

35. Maj Heidi Cornell, monitor de Elemento de Programa de Armas de Ataque de Precisão, para autor, comunicação pessoal, 27 de Agosto de 2007. A avaliação trifásica de utilidade militar (fogo estático direto), três workshops de engenharia de armamento, e testes de vôo direto.

36. Cornell, comunicação pessoal, 26 de Agosto de 2007.

37. Para uma cobertura detalhada do processo de JUON, ver Presidente dos Chefes Unidos de Instrução de Pessoal(CJCSI) 3470.1, Rapid Validation and Resourcing of Joint Urgent Operational Needs (JUON) in the Year of Execution, 15 de Julho de 2005 (atual de 9 July 2007). Para o JRAC, ver Gabinete do Subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística (OUSD) (AT&L), documento informativo, assunto: Overview to NDIA [National Defense Industrial Association] Central Florida Chapter Defense Forum, 21 de Março de 2007. Uma JUON é “uma necessidade operacional urgente priorizada e certificada pelo COCOM, fora dos processos militares do DOD 5000, que requer uma solução do DOTMLPF (Doutrina, Organização, Treinamento, Material, Liderança e Formação, Pessoal e Instalações) que, se não for satisfeita, colocará em sério perigo o pessoal e/ou representará uma importante ameaça para as operações em curso.” Documento informativo OUSD (AT&L), diapositivo 13.

38. CJCSI 3470.1, Rapid Validation and Resourcing, define uma necessidade de combate imediata como “um subconjunto de JUONs ... [com] uma solução material ou logística que deve ser resolvida em 120 dias ou menos” (GL-1).

39. Dr. Louis R. Cerrato, 678th Esquadrão de Sistemas de Armamento/EN, gabinete JDAM, para autor, comunicação pessoal, 14 de Junho de 2007. O método de encher a carga produz este fenômeno. As cargas diretas são enchidas verticalmente e as cargas inertes de cimento são enchidas na horizontal, resultando em propriedades de massa diferentes. Adicionalmente, o peso da carga também tende a variar mais para as armas inertes, que costumam ser mais leves que os seus equivalentes diretos.

40. Ocorre perfuração quando uma arma atinge o solo ou o alvo e continua noutro sentido, de forma semelhante à de uma bala em ricochete ou a uma pedra deslizando sobre a água.


Colaborador

Coronel Ernie Haendschke, USAF,  é professor do Air and Space Studies na Universidade de Maryland e da Fighter Weapons School. É graduado da Test Pilot School.  Ele se destacou no ano passado para Bagdá, Iraque, como Diretor do Air Component Coordination Element.

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