Publicado em julho 09
ASPJ  Em Português 2° Trimestre 2009

A Defesa Planetária
Os Papéis de Possíveis Paliativos
do Departamento de Defesa

Tenente-Coronel Peter Garretson, USAF
Major Douglas Kaupa, USAF

A ÓRBITA DA Terra ao redor do Sol é área perigosa. A segurança coletiva tem sido, até agora, puramente uma questão de sorte. Apesar da imagem que herdamos dos antigos de “perfeita harmonia das esferas”, o sistema solar é uma galeria cósmica de tiro ao alvo, repleta de resíduos da formação planetária. Esses detritos, inclusive asteróides e cometas, orbitam o sol à velocidades relativas de 10-25km por segundo, ou 10 vezes mais rápido que uma bala de revólver.1 À medida que o Planeta navega esse perigoso oceano, não estabelecemos sistema algum de alerta para possíveis colisões com fragmentos espaciais ou como mitigar tais efeitos.

Um documento do American Institute for Aeronautics and Astronautics intitulado “Como Proteger a Terra contra Asteróides e Cometas” (2004) e a Conferência referente à defesa planetária de 2007, em Washington, DC, examinaram a questão, a fim de encontrar um nicho no governo para a defesa, outorgando-a prioridade máxima.2 Este artigo propõe o estabelecimento de uma agência semelhante ao US Strategic Command (STRATCOM) para encabeçar os procedimentos de amenização, abrir linhas de comunicação e definir as diretrizes de defesa planetária dos Estados Unidos e talvez, das Nações Unidas.

Os Dados Fundamentais

Segundo a NASA - Administração Nacional do Espaço e da Aeronáutica [também conhecida como Agência Espacial Americana] “diariamente, a Terra é bombardeada por quase 25 toneladas de poeira e partículas [cósmicas] do tamanho de um grão de areia. Aproximadamente, uma vez por ano, um asteróide do tamanho de um automóvel penetra a atmosfera, produzindo uma bola de fogo impressionante.” 3 Os satélites norte-americanos de alerta contra mísseis, registram anualmente, cerca de 30 bólidos (meteoritos que detonam na atmosfera, também chamados bolas de fogo) que, frequentemente, liberam a mesma quantidade de energia de uma explosão nuclear (ver fig. 1, que inclui dados de 3 anos superimpostos sobre a superfície terrestre).4 Compostos de liga rocha-gelo, o tamanho desses corpos varia, em diâmetro, de alguns metros até 50-60 metros. É importante colocar ênfase ao fato de que objetos menores de 50-60 metros dificilmente penetram completamente na atmosfera, o que causaria catástrofes ao impacto.5 Contudo, as vezes, objetos de maior tamanho conseguem fazê-lo. É o que causa grande preocupação.

Figura 1. As Entradas dos Bólidos na atmosfera, observadas via satélite. Cortesia do Air Force Future Concepts.

Não devemos permanecer indiferentes ao fato de que objetos ainda maiores interceptam a órbita terrestre. A Lua, Mercúrio e Marte testemunham o fato de que detritos golpeiam suas superfícies com relativa frequência. Ao contrário desses corpos celestes, a Terra é um planeta ativo, com forças tectônicas e erosivas que disfarçam muito bem as crateras de impacto. Contudo, atualmente, geólogos confirmaram que asteróides ou cometas já deixaram as cicatrizes de160 crateras na Terra (fig. 2), e a cada ano esse número aumenta. Embora crateras de impacto tenham sido descobertas principalmente em terra firme (fig. 2), os bólidos podem cair em qualquer parte do Planeta (fig. 1).

Figura 2. As Localizações de 160 crateras de impacto da Terra.

Este artigo divide os asteróides em possível rota de colisão, em quatro categorias. Geralmente, asteróides com densidade menor ou igual à de rochas de diâmetro inferior a 0,5km podem causar “destruição local”, definida como uma área de destruição equivalente à cidade de tamanho médio, como Kansas City, Missouri. Esses “arrasa cidade” reduziriam a maior parte das casas e edifícios a escombros e incendiariam qualquer material combustível em um raio de 6-8km do ponto de impacto. Os detritos seriam dispersos por dezenas de quilômetros, possibilitando incêndios generalizados. Se o asteróide cair no oceano, produzirá tsunamis mais poderosas do que o terremoto de 2004, no Oceano Índico, que causou milhares de mortes. Estudos fundamentados em exame de crateras lunares indicam que, em média, asteróides de destruição local colidem com a Terra a cada 200-300 anos.6 (Outros estudos indicam que isso ocorre a cada milhares de anos. Uma defesa planetária [bem] definida deve refinar estas estimativas de risco de impacto).7 Um asteróide arrasa-cidade caiu em Tunguska, na Sibéria em 1908, deixando de atingir Moscou, Rússia, somente por três horas.8 Essa explosão atmosférica devastou uma área florestal três vezes maior que o Distrito de Columbia.9 Uma pesquisa definitiva publicada na revista Nature informa que, originalmente, o bólido de Tunguska foi um asteróide que detonou cerca de 10km acima do solo, com a força de 10-20 megatoneladas de TNT, 1.000 vezes mais poderoso que a primeira bomba atômica.10

Os asteróides com diâmetros de 0,5-2km, chamados “arrasa-país”, causam “destruição regional”, fazendo desaparecer nações como o Reino Unido ou a Índia. Com o potencial de matar e ferir grande parte da população humana (até 25 por cento), estes asteróides poderiam perturbar, e muito, a vida moderna.

Os asteróides de 2-10km em diâmetro produziriam “efeitos planetários”, devido à baixas por impacto e resíduo atmosférico. As nuvens de cinza e poeira envolveriam todo o Planeta, destruindo a agricultura meses ou anos a fim. Podem também produzir chuva ácida, poluindo áreas pesqueiras e contaminando plantações. A consequente eliminação de mais de 25 por cento da população humana afetaria muito a civilização, fazendo-a voltar atrás várias décadas.

Finalmente, asteróides com mais de 10km transformam-se em arrasa-planeta, comunicando uma energia cinética equivalente a 100 milhões de megatoneladas de TNT – centenas de vezes maior que as armas nucleares agora em existência (fig. 3).11  Impactos deste tamanho destruiriam o ecosistema, causando extinção em massa. Talvez a Terra já tenha passado por alguns impactos desse tipo, desde seu início. Pode ser que o impacto que criou a cratera Chicxulub, ao longo da Península de Yucatán, há cerca de 65 milhões de anos, foi o que eliminou os dinossauros. 12

Figura 3. Megatoneladas de TNT comparadas à frequencia de impacto.Passando à enorme velocidade, próximo da órbita terrestre, a maior parte desses objetos, potencialmente perigosos, possui órbitas previsíveis, o que nos permite localizá-los décadas antes. Contudo, apenas começamos a compreender a ameaça. Cometas como o Shoemaker-Levy 9 passam em órbita com pouquíssima frequência para podermos caracterizá-los e chegam muito em cima da hora. Este, em particular, golpeou Júpiter em 1994, precipitando cerca de 20 fragmentos de diversas centenas de metros, liberando centenas de megatoneladas de força explosiva, por fragmento.13 Além disso, os arrasa-cidade chegam, às vezes, sem aviso, em virtude da irregularidade da vigilância atual. Um desses alertas de última hora ocorreu a 18 de março de 2004, quando um asteróide chegou a 3,4 diâmetros terrestres, ou 43.000km de distância da Terra, só identificado com 48 horas de antecedência.14 Esta distância vai pouco além das órbitas dos satélites geoestacionários que circumnavegam a Terra.

Desde o início dos empreendimentos de detecção, em meados dos anos 90, a NASA e equipes de apoio (usando apenas telescópios terrestres e um escasso orçamento de $5 milhões/ano) catalogaram mais de 4.000 asteróides próximos à Terra (NEA).15 A proporção de descobertas aumentou, a cada ano, durante a última década (fig. 4). Há a previsão de que um subconjunto do total de NEAs na figura 4 – asteróides potencialmente perigosos (PHA) – chegarão a uma distância de 750.000 km daqui. Inferior ao dobro da distância entre a Terra e a Lua. Os PHAs são grandes demais para serem incinerados pela atmosfera terrestre. Desde novembro de 2006, detetamos 843, sendo que 700 possuem mais de 1km e causariam destruição regional.16

Neste dado momento ou durante os próximos anos, não estamos cientes de asteróides em rota de colisão. Contudo, isso pode mudar rapidamente. Ninguém sabe por quanto tempo a Terra será poupada. Antigamente, o Planeta não foi tão afortunado assim. Com 843 PHAs e o número aumentando, devemos considerar, seriamente, medidas paliativas. Em lugar de debater a necessidade de defesa planetária, devemos determinar quando será necessária. Sob o ponto de vista de diretrizes, sabemos que, pelo menos, 843 asteróides que rondam a vizinhança podem causar destruição local, regional ou planetária. Como se vê, estamos apenas começando a compreender a ameaça. Somente poderemos assimilar o risco, por completo, se pudermos conter “o riso” ao relegarmos tais ideias à ficção científica. Necessitamos de planos de contingência, regras, como diretrizes de segurança – uma medida muito menos dispendiosa do que as consequências de impacto direto.

Figura 4. NEAs descobertos.

As Perspectivas de Diretrizes

O lado positivo é que, ao contrário do que ocorre com a previsão de terremotos e furacões, podemos ver a maior parte dos asteróides e cometas que se aproximam com décadas de antecedência e tomar providências. A tecnologia necessária para evitar uma catástrofe está ao alcance e seu custo é, comparativamente, modesto. Contudo, não existe organização encarregada. Ninguém quer assumir o problema. Agência alguma foi comissionada. Nem mesmo a NASA, o Air Force Space Command (AFSPC) ou o Department of Homeland Security (DHS). Não existem planos de contingência já aprovados, projetos interagenciais sobre a mesa, memorandos entre agências, procedimentos padrão para operações ou equipamento disponível para missões de contingência.

Pode parecer que uma década de antecedência para o alerta seja suficiente para formular as diretrizes e implementar um plano de ação, mas não é. Necessitamos da maior parte deste tempo [somente] para afetar, lentamente, a velocidade de um asteróide, usando um reboque de baixa propulsão e alta eficiência. Levaria anos de voo para alcançar um asteróide em órbita de risco. Evidentemente, devemos planejar a missão, projetar espaçonaves e levar a efeito as provas necessárias. O atual sistema de projetos e aquisições do Departamento de Defesa (DoD) pode, muito bem, levar mais de uma década. Só o F-22 levou cerca de 25 anos para evoluir de lista de requisitos à operação.17

Os asteróides e cometas diferem muito. Não existem dois iguais. A velocidade de rotação afeta técnicas de acoplamento. As diferentes densidades e composição da superfície requerem número variado de táticas de deflexão. Restando tempo muito limitado para o impacto, talvez exista apenas uma opção: o uso de explosivos para reduzir a pedaços menores o asteróide que se aproxima. Contudo, a eficácia desse método continua sujeita a debate técnico e resultaria em impactos menores, por todo o planeta. Mesmo que cada pedaço seja suficientemente pequeno para ser incinerado pela atmosfera, país algum gostaria que bolas de fogo caissem em seu quintal. Antes de medidas proativas, é necessário pesquisa e documentação. Devemos estar preparados, porque talvez exista uma só oportunidade de evasão.

Pode ser que a defesa planetária pareça um risco de segurança nacional irreal e abstrato. Contudo, foi um problema de sérias consequências para os dinossauros que antes aqui viviam. A ameaça continua. Não importa se a possibilidade de pedras atingindo cabeças pareça além de remota, devemos, no mínimo, estar preocupados com o fato de que, [em geral] não existe plano governamental de contingência ou [em particular] do DoD para evitar o impacto ou amenizar as consequências.

As Diretrizes Recomendadas

Como não existem missões de defesa planetária designadas ou autorizadas pelos Estados Unidos, o DoD – a organização em si - não possui implementação de “defesa contra impacto”. Poucos dentro do Departamento veem esta ausência de diretriz como problema, e um punhado, ciente do fato, é ridicularizado. Este tipo de raciocínio bloqueia admissão ou pesquisa. A delegação de responsabilidade corrigiria o problema. Entretanto, quem deve assumir a responsabilidade pela missão de defesa planetária? Talvez cause surpresa aos leitores que os autores estejam indicando o STRATCOM, como possibilidade. Por que não outro setor do DoD? E por que o DoD? Talvez a NASA pudesse levar a cabo missões de detecção, reconhecimento e planos de contingência, ao mesmo tempo que tenta substituir o ônibus espacial e voltar à Lua. Talvez o DHS ou a Federal Emergency Management Agency (FEMA) seriam melhores opções, já que impactos causariam catástrofes nacionais.

Ambos a NASA e o DoD são peritos no que se refere ao espaço e operam recursos dedicados ao mesmo. Entretanto, a missão central da NASA é a exploração espacial. A missão central do DoD é a manutenção de segurança, a proteção de vidas norte-americanas e a garantia de segurança dos aliados. Deixando de lado a perícia, a defesa planetária é, obviamente, uma questão de defesa. Além disso, como o DoD mantém um programa espacial sólido, a missão proposta parece mais intimamente alinhada à competência e campo de atividades do DoD.

Dentro do DoD, possíveis opções incluem o AFSPC, o National Security Space Office, a Missile Defense Agency e o STRATCOM. Esse último é a melhor opção por diversos motivos. Um deles é que sua missão requer “prover o país com recursos de dissuasão mundiais e efeitos sincronizados do DoD, a fim de combater armas inimigas de destruição em massa, ao redor do globo”. 18 O STRATCOM, como comando, possui linhas de comunicação estabelecidas e a autoridade para reagir à ameaças estratégicas. Já mantém vigilância global e reconhecimento de situações espaciais. Através do AFSPC, o comando mantém vigilância espacial corriqueira, a fim de detetar lançamento de mísseis balísticos, rastrear satélites artificiais e escombros em órbita terrestre. Embora o AFSPC mantenha recursos espaciais, o controle operacional está sob a autoridade do STRATCOM. Controla, também, toda a capacidade nuclear militar, talvez a única opção em certos cenários de mínimo alerta. Além disso, o STRATCOM possui prática e competência em disseminação de rápido alerta à liderança civil e redes de defesa civil. Finalmente, o comando conta com anos de experiência em negociação e execução de acordos coletivos de segurança como os da North American Aerospace Defense Command, com o Canadá, e os que dizem respeito à Organização do Tratado do Atlântico Norte.19

Alguns detratores afirmam que é oneroso demais para os Estados Unidos arcarem, sozinhos, com este custo. A comunidade internacional deveria compartilhar o custo. Embora seja um argumento razoável, existem várias considerações. Primeiro, por questão de sobrevivência, tão crítica, os Estados Unidos não devem depender de plano internacional protelado ou incompleto. Segundo, a cooperação internacional implicaria em uso de recursos norte-americanos mas, sob seu menor controle. Terceiro, existem considerações de segurança nacional significativas para fazer com que busquem tal capacidade em defesa de outros. A América do Norte possui interesse em preservar a civilização democrática e manter a segurança internacional.

Como provedor de segurança internacional, os Estados Unidos recebem grandes benefícios econômicos. Temos tudo a ganhar com a manutenção de segurança e tudo a perder se fracassarmos. Ao buscarmos, publicamente, a capacidade de defender o Planeta, tornamo-nos cada vez mais essenciais à segurança internacional. Além disso, é bem provável que, ao final de tudo, teremos que pagar a conta. A crise humana resultante do impacto com um asteróide de 300m faz com que a tsunami de 2004 na Ásia, seja irrelevante. A assistência humanitária, transporte aéreo e marítimo, mais custos de reconstrução, seriam espetaculares. A probabilidade é que o resultado seria a perda econômica de investidores norte-americanos, enormes custos para as companhias de seguro e possível recessão ou depressão resultante da perda de cidade ou país.

Apesar da preocupação com o custo de desenvolvimento de sistema de defesa planetária, resultaria em vantagem competitiva para os Estados Unidos. A solução de problemas difíceis criaria capital intelectual, capacidade industrial e novas áreas técnicas de liderança, vitais, para reter a vanguarda espacial.

A tecnologia necessária para proteger o planeta apresenta outras vantagens, além do plano de contingência. A tecnologia que parece promissora à defesa planetária também é atraente ao uso civil e à defesa [geral], inclusive lançadores de alta capacidade, de rápida reação, foguetes de alta propulsão, suprimento de energia a longo prazo e acoplamento autônomo.

O STRATCOM já possui um programa de vigilância espacial. A criação de um sistema sólido e automatizado para contínua inspeção dos céus, em busca de asteróides e cometas para complementar os já existentes, provavelmente aperfeiçoaria a conscientização para com a situação espacial. Esses procedimentos poderiam usar áreas militares terrestres existentes, para que telescópios eletro-óticos de vigilância do espaço sideral rastreassem os NEAs recém-descobertos. Com um maior número de recursos e pessoal para examinar a missão de defesa planetária, projetaremos melhores sistemas e soluções.

Contudo, a simples atribuição da defesa planetária ao STRATCOM não soluciona o problema por completo. É somente o próximo passo. Após a autorização e delegação da missão à agência específica, poderemos começar a examinar outros marcos significativos. Um deles seria projetar cenários, com a finalidade de avaliar a capacidade de reação e encontrar grandes lacunas, a fim de determinar direções úteis de exploração e desenvolvimento de conceito de operações (CONOPS). Tal exercício colocaria o problema de defesa planetária e possíveis soluções, em mãos de mais amplo grupo de projetistas. Também reuniria agências fundamentais, dando lugar ao início de diálogo acerca de como levar a efeito comunicação e ações interagenciais. 20

O STRATCOM seria o ator principal, mas não o único. O desenvolvimento da coordenação adequada entre agências – o capacitador necessário da missão – ajudaria a identificar deficiências, como procedimentos de notificação de asteróide em rota de colisão, métodos, quando informar à imprensa e funções de cooperação internacional para alterar a trajetória do mesmo. A coordenação adequada entre agências internas e externas que tomam parte do plano de contingência (AFSPC, NASA, programa de busca, etc.) e das agências que tratam das consequências, se o plano de contingência fracassar (FEMA, DHS, etc.), pode muito bem ser explorada em cenário de estudo. É bem provável que o empreendimento de coordenação de agências para evento tão formidável geraria enormes benefícios em todo o âmbito de operações.

Precisamos solucionar muitas questões de adequação e financiamento. Se o STRATCOM for encarregado da defesa planetária, o comando deve aumentar, de modo significativo, a conscientização a respeito da situação espacial, a fim de dar caráter à ameaça. Não devemos apenas avaliar a adequação, analisando opções de mitigação, alternativas e estabelecendo um plano de contingência, mas também, devemos criar e colocar em prática cenários de mitigação interagencial e reação a desastre, a fim de compreender as funções de cada um. Não é necessário grande investimento inicial, quer seja recursos humanos ou capital. Uma das recomendações requer o estabelecimento de um gabinete para gerar planos de CONOPS. Outra, envolve a autorização de estudos, possivelmente [delegados] às grandes universidades, para examinar estruturas alternativas de detecção e amenização, semelhantes ao projeto Icarus21 do Massachusetts Institute of Technology. Uma terceira, iniciaria as tarefas da Defense Advanced Research Projects Agency e do Air Force Research Laboratory para formular o melhor curso de ação para o desvio de asteróide em rota de colisão. (fig. 5). Além disso, um pequeno grupo de peritos militares designados à NASA e à FEMA planejaria a integração e abertura de linhas de comunicação. O financiamento é uma restrição insignificante comparado à falta de autorização e de mandado claro. Pode-se conseguir muito com baixo investimento, que chegaria a menos do dobro do orçamento atual de $5 milhões dedicado à busca de PHAs.22

Figura 5. A ilustração de um artefato espacial de amenização em defesa planetária.

Conclusão

A primeira providência e a mais importante para a criação de um plano de defesa planetária é encontrar, dentro do governo norte-americano, um nicho para este programa – de preferência o US STRATCOM. Outras organizações estão mal-adaptadas ou são menos perfeitas para a segurança dos Estados Unidos. Podemos aprimorar a capacidade de defesa nacional, atuando sob os auspícios do STRATCOM, em busca de tecnologia que talvez não esteja disponível ou seja de fácil transferência, se desenvolvida por outra agência. Não é necessário nova agência exclusiva ou inevitável duplicação de esforços que isso criaria. Uma vez selecionada a agência líder, devemos desenvolver um CONOPS, incluindo as linhas de comunicação entre agências. O STRAT-COM [como já mencionado] não seria o único ator, porque as diretrizes de amenização exigem competência encontrada em outras organizações. Após modificarmos os atuais programas de busca, identificaríamos as opções de amenização que necessitam desenvolvimento e provas. Antigamente, houve extinção em massa e pode, certamente, ocorrer uma vez mais. A Terra não é imune à colisões com asteróides e cometas, mas podemos fazer preparativos, estabelecendo um sólido plano de defesa planetária.

Washington, DC
Base Aérea Edwards.

Notas:

1. Michael J. S. Belton et al., eds., Mitigation of Hazardous Comets and Asteroids (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2004), 167; and Maria Pereyra, “Speed of a Bullet”, in The Physics Factbook, ed. Glenn Elert. Disponível em: http://hypertextbook.com/facts/1999/Maria Pereyra.shtml (acesso em: 29 dez 2006).

2. “Protecting Earth from Asteroids and Comets”, AIAA Position Paper (Reston, VA: American Institute of Aeronautics and Astronautics, October 2004). Disponível em: http://pdf.aiaa.org//downloads/publicpolicyposition papers//Asteroids-Final.pdf (acesso em: 22 jan 2007); e “White Paper: Summary and Recommendations” (2007 Planetary Defense Conference, Washington, DC, 5–8 March 2007). Disponível em: http://www.aero.org/conferences/planetarydefense/2007papers/WhitePaperFinal.pdf (acesso em: 17 ago 2007).

3. “Keeping an Eye on Space Rocks, Part II: Size Matters”, NASA: Jet Propulsion Laboratory. Disponível em: http://www.jpl.nasa.gov/multimedia/neo/neo_flash2.cfm (acesso em: 29 out 2007).

4. Peter Bobrowsky e Hans Rickman, eds., Comet/Asteroid Impacts and Human Society: An Interdisciplinary Approach (New York: Springer, 2007), 150. “Os sensores de alerta contra mísseis, embarcados em satélites, demonstram grande número de impactos de asteróides na atmosfera superior, bem mais de 30 por ano, muitas vezes liberando até 10 quilotoneladas de energia em explosões aéreas”. House, Statement of Brigadier General Simon P. Worden, Deputy Director for Operations, United States Strategic Command, before the House Science Committee Space and Aeronautics Subcommittee on Near-Earth Object Threat, 107th Cong., 2d sess., 3 October 2002.

5. Clark R. Chapman, cientista, Southwest Research Institute, Boulder, Colorado, e-mail para os autores em 23 de julho de 2007.

6. Bobrowsky e Rickman, Comet/Asteroid Impacts and Human Society, 286.

7. Alan W. Harris, “Evaluation of Present and Future Ground-Based Surveys and Implications of a Large Increase in NEA Discovery Rate” (2007 Planetary Defense Conference, Washington, DC, 5–8 March 2007). Disponível em: http://www.aero.org/conferences/planetarydefense/2007papers/S1-3--Harris-Brief.pdf (acesso em: 20 ago 2007).

8. William E. Burrows, The Survival Imperative: Using Space to Protect Earth (New York: Forge Books, 2006), 33.

9. Lt Col Rosario Nici and 1st Lt Douglas Kaupa, “Planetary Defense: Department of Defense Cost for the Detection, Exploration, and Rendezvous Mission of Near-Earth Objects”, Airpower Journal 11, no. 2 (Summer 1997): 96. Disponível em: http://www.airpower.maxwell.af.mil/airchronicles/apj/apj97/sum97/nici.html (acesso em: 15 jan 2007).

10. Christopher F. Chyba, Paul J. Thomas e Kevin J. Zahnle, “The 1908 Tunguska Explosion: Atmospheric Disruption of a Stony Asteroid”, Nature 361, no. 6407 (7 January 1993): 40–44. Disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v361/n6407/abs/361040a0.html (acesso em: 20 ago 2007).

11. Bobrowsky e Rickman, Comet/Asteroid Impacts and Human Society, 211–13.

12. David E. Fastovsky e David B. Weishampel, The Evolution and Extinction of the Dinosaurs, 2d ed. (Cambridge, UK: Cambridge University Press, 2005), 425–32.

13. Duncan Steel, Target Earth: The Search for Rogue Asteroids and Doomsday Comets That Threaten Our Planet (New York: Reader’s Digest Association, 2000), 40–41, 102–3.

14. Robert Roy Britt, “Earth Safe from Ultra-Close Asteroid Flyby Today”, Space.com, 18 March 2004, http://www.space.com/scienceastronomy/asteroid_flyby_040318.html (acesso em: 19 jan 2007).

15. Belton et al., Mitigation of Hazardous Comets and Asteroids, 168; and Alan Chamberlin, “Near-Earth Asteroid Discovery Statistics”, NASA: Near Earth Object Program. Disponível em: http://neo.jpl.nasa.gov/stats (acesso em: 4 fev 2007).

16. “What Is a PHA?” NASA: Near Earth Object Program. Disponível em: http://neo.jpl.nasa.gov/neo/groups.html (acesso em: 4 fev 2007).

17. David C. Aronstein, Michael J. Hirschberg e Albert C. Piccirillo, Advanced Tactical Fighter to F-22 Raptor: Origins of the 21st Century Air Dominance Fighter (Reston, VA: American Institute of Aeronautics and Astronautics, 1998), 1.

18. United States Strategic Command. Disponível em: http://www.stratcom.mil (acesso em: 10 fev 2007).

19. North American Aerospace Defense Command. Disponível em: http://www.norad.mil (acesso em: 30 out 2007) e “Service Components”, United States Strategic Command. Disponível em: http://www.stratcom.mil/organizationsvc_comp.html (acesso em: 30 mar 2007).

20. O Air Force Directorate of Strategic Planning, que, sob o Título X, possui a responsabilidade de levar a efeito os Jogos de Guerra do Futuro na Força Aérea, poderia facilmente encarregar-se de tal jogo a nível suficientemente alto.

21. MIT estudantes, Project Icarus, rev. ed. (Cambridge, MA: MIT Press, September 1979).

22. Belton et al., Mitigation of Hazardous Comets and Asteroids, 168.


Colaboradores

O Tenente-Coronel Garretson é Chefe do Departamento da Future Science and Technology Exploration, Quartel-General da Força Aérea Norte Americana – Future Concepts and Transformation, Washington, DC.
O Major Kaupa, destacado à Base Aérea Edwards, California, é piloto de provas operacional e diretor de provas para o Diretor de Recursos Humanos do programa de aquisições de máxima prioridade da Força Aérea – o KC-45A.

As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista pertencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do Departamento de Defesa, da Força Aérea, da Universidade da Força Aérea ou de quaisquer outros órgãos ou departamentos do governo norte-americano.


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