Publicado em dezembro 09
ASPJ  Em Português 4° Trimestre 2009

A Serviço da Nação

O Conceito Estratégico do Instituto de

Pesquisa da Força Aérea para 2018-2023

General John A. Shaud
Revisao: Dale L. Hayden, PhD

O General Stephen R. Lorenz em setembro de 2007, à época Comandante da Universidade da Aeronáutica, ordenou que o recém estabelecido Instituto de Pesquisa da Força Aérea (AFRI) investigasse o que a Força Aérea (USAF) deveria vir a ser no futuro, especificamente dentro de 10-15 anos daquela data – aproximadamente 2018-2023. Esse período de tempo vai além do Ano Fiscal para o Plano de Defesa, a fim de evitar certas restrições que agora existem, mas não tão longínquo assim para estar imune às tendências atuais. Ademais, reduzir o “futuro” a 15 anos limita a invenção de armas extraordinárias encontradas em certos jogos de guerra e outros estudos futurísticos (i.e., varas espaciais) e outras similares que delimitam a paisagem geo-política.

O estudo não tentou reinventar a USAF ou proteger o status quo em favor do conhecimento convencional. Não é completamente abrangente, mas oferece perspectiva referente às questões mais prementes que a Força Aérea encara após a Guerra Fria. Certas pessoas alegam que a pesquisa foi por demais fundada em questões atuais, sem suficiente enfoque em visão estratégica futura. Esse argumento ignora o fato de que agora encaramos problemas que se não forem solucionados dentro em breve terão um impacto adverso em 2018-2023. Além disso, os programas que necessitaremos em 2018-2023 devem ter origem nesta década para serem implementados a 10-15 anos de agora. Todo estudo avançado deve ser fundamentado no presente, a fim de pesquisar as questões e, de maneira apropriada, dirigir-se à estratégias viáveis para um possível futuro.

A USAF há muito vem debatendo a estratégia pertinente pós-Guerra Fria – aquela que ajudaria a moldar sua capacidade singular para fazer face às demandas da nação. Muitas vezes, quando o enfoque não se encontra em um só inimigo, toda estratégia fica complicada. A tarefa diante cada um dos Secretários e Chefes é a percepção de que devem estar enfocados no combate atual – o combate atual dentro daquele período de tempo em que se encontram no cargo – e [também] preparar a Força para o combate futuro. Esse estudo propõe tal estratégia. Uma estratégia fundamentada na realidade atual, aquela que tenta preparar a USAF a encarar com sucesso as tarefas a curto prazo e, ao mesmo tempo, providenciar a orientação para êxitos futuros.

A Estrutura da Estratégia

Ao tecer suposições acerca do mundo 10-15 anos de agora, o estudo baseou-se, principalmente, no Report of the National Intelligence Council 2020 Projected, Mapping the Global Future [Relatório do Conselho Nacional de Inteligência, Projeção para 2020, O Mapeamento do Futuro Global]. As suposições, então, foram as seguintes:

• Capacidades para campanhas convencionais – bases de soberania

• A Força Aérea deve entrar em “parcerias” para alcançar êxito

• A Longa Guerra e/ou Guerras Irregulares continuarão

• Sem pares militares globais; regionais, as vezes

• Menor liderança tecnológica (os pares votam)

• O problema de ADMs continua, apesar das tentativas norte-americanas e de Organizações Internacionais

• O aumento desequilibrado da população continua

• Competição de mercado / trabalho com a China, Índia, UE

• O orçamento do DoD será restrito

• O apoio público para com a segurança nacional é incerto

O ponto inicial básico para qualquer conceito estratégico da USAF deve ser a estrutura na qual toda a Força vê seu valor e contribuição. A interdependência dentro da Força é o elemento crítico que falta na estratégia atual – uma Força Aérea que busca operar em três domínios interdependentes: ar, espaço e ciberespaço. O conceito operacional básico de Vigilância Global, Alcance Global e Potência Global que forma o conceito operacional teve origem no muito aclamado informe oficial do governo referente ao Alcance Global – Potência Global, publicado em junho de 1990, que enquadrava a transição da USAF, de postura de dissuasão nuclear e defesa avançada, devido a Guerra Fria, a uma mais flexível, predicada na habilidade de movimentar forças e empregá-las em qualquer parte da Terra, de acordo com a necessidade. Foi mensagem potente que ainda perdura.

Os líderes, aproveitando ao máximo esse documento e debate de transição da Guerra Fria, seguiram um padrão similar com documentos subsequentes sobre a “Presença Global” (1995), “Engajamento Global” (1997) e “Vigilância, Alcance e Potência Globais” (2000). Entretanto mais tarde, em 2000, perdeu-se a mensagem principal encapsulada na frase interconectada de Alcance Global – Potência Global. Com o passar do tempo, os três elementos separados da estratégia – Alcance, Potência, Vigilância – evoluiram, na maioria, em declarações de defesa de causa para funções específicas dentro da estrutura das contribuições da USAF à segurança nacional. Quando introduzimos a mensagem estratégica da Força à declarações centradas em plataformas específicas ou programáticas, a tendência é isolar outros elementos operacionais e de apoio e a diminuir as conexões entre a estratégia geral e aquisição. Como tal, falta estrutura à estratégia, que a tudo cobre. O Alcance Global, a Potência Global e a Vigilância Global como definidas e usadas atualmente não alcançam o âmbito completo de opções estratégicas que a Força pode contribuir ao combate. A inclusão do ciberespaço exagera ainda mais essa falta de conexão.

A Proposta
“Redistribuição de Papéis”

1. Vigilância Global: a percepção da situação requerida para compreender, tanto a necessidade de ação, como o caráter dos efeitos necessários para alcançar a condição revisada da situação final. A Vigilância Global inclui capacidades de coleta e processos cognitivos necessários, a fim de criar a percepção. Além disso valida o sucesso atual ou o progresso adquirido através do uso do Alcance e Potência Globais.

2. Alcance Global: o acesso operacional ou conetividade ao objetivo através de ar, espaço e ciberespaço. O Alcance Global adota formas variadas, dependendo das circunstâncias. Por exemplo, pode ser linha de comunicação baseada no espaço, rota aérea para um C-17 ou conexão de internet de portal a portal. O Alcance Global é interdependente para com os outros pilares.

3. A Potência Global: a habilidade de criar e sustentar efeitos através do ar, espaço e ciberespaço. Esses efeitos abrangem um âmbito total de opções cinéticas e não-cinéticas, letais e não-letais, construtivas e destrutivas seguidas através do ar, espaço e ciberespaço individualmente, ou mais provável, via campanha sinérgica de mútuo apoio. Essa sinergia cria a capacidade de efeitos mais discretos com menor proporção de dano colateral e redução de efeitos contraproducentes.

Um dos grandes capacitadores para a obtenção de objetivos estratégicos é a parceria estratégica. As parcerias, relações colaborativas, quando feitas a fim de alcançar objetivos comuns, aperfeiçoam nossa capacidade e a dos parceiros de atingir os objetivos. As parcerias incluem amplo escopo de atividades com entidades estatais e não-estatais e atuam eficazmente ou obtêm reconhecimento formal em coalizões ou alianças. A parceria inclui atividades militar-militar tradicionais: defesa interna estrangeira; programas de treinamento e educação militar internacional; engajamento cooperativo com organizações não-governamentais, durante missão de assistência humanitária ou com instituição acadêmica que labuta para expandir a compreensão em campo social ou novas descobertas em experimentos científicos ou técnicos.

O Combate Atual

É difícil conceber que algum país desafie os Estados Unidos diretamento em terra, pelo menos durante os próximos anos. Podemos contar com o fato de que a guerra assimétrica continuará sendo o esteio do campo de batalha contemporâneo. O sucesso não será uma questão de fazer prevalecer a nossa força de vontade, mas sim como podemos moldar o comportamento – de amigos, adversários e, especialmente, daquelas pessoas próximas a eles. (Secretário de Defesa Robert M. Gates, Association of the United States Army, Washington D.C., quarta-feira, 10 de outubro de 2007).

A USAF deve planejar e adquirir sistemas, pessoal e capacitar estruturas e processos necessários para dissuadir, combater e vencer campanhas convencionais (também conhecidas como operações de contingência maior) – algo fundamental à soberania para ganhar a Longa Guerra. Se a campanha convencional de dissuasão falhar por qualquer motivo que seja, devemos estar de prontidão para engajar [o inimigo], fazendo parte da equipe para vencer a luta. Os Estados Unidos, ao manter postura dominante em campanhas convencionais, em essência, decidiu onde não vai lutar. Isso não exclui, por completo, a possibilidade de opções irracionais, devido a desespero de causa que resultem em conflitos rápidos, mas intensos.

Ao transformar a estrutura para o futuro, devemos deixar claro que, em relação a campanhas convencionais a nação não deve perder o direito à vantagem. Em 2003, os Iraquianos ficaram tão perplexos com o desempenho aéreo que enterraram os caças de linha de frente, avaliados em centenas de milhões de dólares, inclusive certos bens de guerra eletrônica bastante sofisticados. A fim de dissuadir campanhas convencionais, essa nossa postura de potência deve continuar clara como cristal aos adversários. Nessa agenda, contudo, a probabilidade de guerra de atrição entre nação-nação, força-força que venha desafiar a soberania norte-americana ou realinhamento significativo de potência nacional / regional é baixa – contanto que a USAF continue a manter a prontidão atual para campanhas convencionais.

Uma nação em guerra deve avaliar e compreender as prioridades de defesa nacional. Após negar aos adversários a oportunidade de guerra assimétrica, a única opção que lhes resta continua a ser assimétrica. As forças militares norte-americanas estão engajadas globalmente, não somente contra o terror, mas em contexto mais amplo, contra as forças que ameaçam a liberdade, quer seja terrorismo, narcóticos ou insurgências. Essa guerra assimétrica, também cognominada guerra irregular [Irregular Warfare - IW] não é um tipo de jogo improvisado, mas sim uma opção estratégica consciente tomada por nossos inimigos em lutar com meios que expõem nossas vulnerabilidades. A guerra irregular requer um estado mental particular e habilidades específicas não completamente usados ou comuns a estilos de guerra mais tradicionais. A relativa falta de previsão e limites a respeito do que constitui cada batalha com respeito a objetivos e recursos são características inquietantes que vão além de mera estatística. Por definição, a IW proporciona ao oponente mais fraco uma chance contra o mais forte. O resultado, de forma deliberada, é que a IW é um conflito onde o adversário mais forte deve reestruturar de que maneira irá usar a força tradicional contra um inimigo aparentemente mais fraco.

A USAF já obteve certo êxito em IW, mas perdeu muito devido a redução de forças ou conversões após cada conflito. Isso não deve causar surpresa, dado que os orçamentos para equipamentos não usados são um luxo que era alguma pode se dar. Mas o tempo disponível que se requer para, essencialmente, reaprender [como travar] cada IW afeta significativamente a capacidade da Força de contribuir de início e de forma eficaz a cada batalha.

Ao desenvolver uma estratégia eficaz, a USAF deve primeiro mudar de objetivo estratégico: de combater IWs com êxito a capacitar um parceiro a participar da luta. Se não existem outras alternativas, a Força deve servir, em primeiro lugar, de grupo combatente, mas até mesmo nesse ponto, deve adotar o estado mental estratégico de que está levando a efeito uma ação para manter o status quo, enquanto o parceiro apoiado desenvolve/aperfeiçoa suas capacidades. As estratégias para ganhar [a guerra] devem ser levadas a efeito por, com e através do parceiro apoiado. Além disso, salvo em ações de aniquilamento, não existem anais históricos que comprovam o fato de que potências estrangeiras ganham guerras internas.

Se desejamos ser eficazes em IW, devemos reconhecer a necessidade de cumprir com duas missões, por vezes contraditórias. A primeira, caso não existam alternativas é a capacidade total para engajar inimigos assimétricos de forma direta – combater em IWs como componente principal do empreendimento nacional. Isso inevitavelmente vai ocorrer em contexto conjunto, interagencial e de coalizão. Em segundo lugar, a função fundamental da USAF é ajudar a estabelecer uma força aérea digna de confiança, de propriedade da nação apoiada. Devemos criar, dentro da nação parceira, as habilidades e disciplinas ciberaeroespaciais requeridas, a fim de capacitar a mesma a alcançar as metas nacionais, sem deixar traços indeléveis de nossa presença militar. Nossas forças de propósito geral possuem o volume necessário. Com o programa de desenvolvimento de força apropriado, também possuirão o talento requerido.

A fim de assegurar a supremacia aérea os caças de 5a geração são essenciais. São necessários para possibilitar oportunidades iniciais, tanto em combates atuais como futuros. Contudo, com o custo aquisitivo cada vez maior, exacerbado pelos problemas de recapitalização, a quantidade de aeronaves necessárias para apoiar todos os teatros é problemática. As pressões orçamentárias futuras colocarão em risco a aquisição de aeronaves e sistemas ciberaeroespaciais – e o pessoal – necessários para apoiar campanhas convencionais. O que se requer, então, é uma solução “tecnologicamente correta” que faça face, tanto aos requisitos imediatos da IW, como forneça a capacidade aperfeiçoada para unir-se aos serviços aéreos da nação apoiada. Essa não é uma alternativa de “baixa tecnologia”, mas sim a solução tecnológica adequada à situação.

Devemos considerar a compra de aeronaves especificamente projetadas para operações de IW – em quantidade suficiente – para incrementar e equilibrar a força atual. Aquela aeronave que melhor aumenta e equilibra a força do parceiro. As novas aeronaves, altamente capacitadas com a tecnologia correta e que operam baixo cobertura de supremacia aérea, são adquiridas a menor custo e em maior quantidade do que aeronaves de ponta, mais caras. Também oferecem a oportunidade de plataformas assimiladas pelas forças da nação parceira, criando uma capacidade onde essa nunca antes existia. Essa estratégia beneficiará as parcerias durante décadas, através de acordos bilaterais, enquanto os EUA fornecem o apoio logístico e de assessoramento, à medida que se tornam necessários e apropriados a ambas as nações.

O aumento de capacidade de parceiros, dentro do contexto apropriado, não somente expande a proficiência tática e operacional militar, mas presta-se também aos objetivos estratégicos para edificar e criar a legitimidade e credibilidade do governo central da nação apoiada. Ademais, tal estratégia proporciona o benefício imediato de reduzir, e muito, o perfil americano em áreas de conflito. Como recém observado no Iraque e através da história, as impressões indeléveis de nossa presença são fator importante aos distintos grupos anti-governamentais já estabelecidos. Até mesmo grupos que, em circunstâncias normais, jamais seriam vistos juntos uniram-se, a fim de expulsar grupos de fora. Em vez de favorecer o governo central, a óbvia presença americana multiplica a propaganda e o recrutamento de insurgentes. Uma estratégia facilitadora que coloca ênfase apropriada às frases “junto a”, “com” e “através de” do governo central diminui o risco de nossa presença possuir o efeito contrário [aos objetivos desejados].

O Planejamento Distribuído: A Solução ao Controle Centralizado

A doutrina da Força Aérea declara que “O planejamento centralizado é o primeiro passo para se chegar a um controle centralizado eficaz ...” Essa declaração, embora correta em operações de combate tradicionais, é menos veraz em espectro total do tipo de guerra previsto para os próximos 10-15 anos. Estaremos envolvidos em guerra assimétrica, não-linear, que consiste em ofensiva simultânea e contínua e operações de estabilidade levadas a efeito em meio ambiente complexo, em rede, distribuído e altamente integrado. Além disso, essas operações provavelmente tomarão lugar sob o controle de um comandante da Força-Tarefa Conjunta [Joint Task Force JTF]. Esse ambiente vai requerer destacamentos de superfície em níveis táticos e operacionais da guerra para atuar predominantemente em áreas de operação distribuida forçando, assim, um planejamento tático para aproveitar a iniciativa individual de pequenos destacamentos (FM-3-0) [Field Manual-3-0 – Manual de Campo do Exército]. O que isso significa é que, embora o controle centralizado continue sendo primordial, a fim de reter a eficácia em todo o teatro, integrando, de modo eficaz as capacidades da Força às operações conjuntas no JTF, com impacto no planejamento aéreo e terrestre durante os estágios iniciais, deve passar a usar um modelo de planejamento distribuído para manter um controle centralizado eficaz. Pois, sem planejamento conjunto claro e distribuído não pode haver grande priorização – para um bom controle centralizado. O planejamento distribuído permite que coloquemos peritos com as ferramentas adequadas no ponto de origem e aperfeiçoamento dos planos de operações.

Na maioria dos comandos geográficos, a Força possui um Centro de Operações Aéreas (AOC) para apoiar toda a (AOR). Sob o conceito atual de planejamento, consolidamos a maioria da perícia – capacidades ciberaeroespaciais – na AOC. Quando se estabelece um JTF em teatro, não estamos em posição de enviar um JFACC [Joint Forces Air Component Commander – Comandante do Componente Aéreo das Forças Conjuntas] apoiado por um AOC àquela JTF. Em tentativa de estabelecer uma presença, optamos em designar um Elemento de Coordenação do Componente Aéreo (ACCE) aos JTFs. À medida que o ACCE providencia perícia aérea ao JTF, não está envolvido no processo de planejamento formal junto ao JTF ou AOC. O resultado final é que o pessoal da JTF não possui a perícia adequada em planejamento de potência aérea ou os contatos organizacionais para o processo de planejamento de operações aéreas conjuntas dentro da AOC. Essa situação é exacerbada quando se estabelecem múltiplos JTFs dentro de um Comando de Combate. Se esperamos algum dia ter um impacto no planejamento de JTF, devemos formular um conceito organizacional que adequadamente forneça um pessoal JTF com perícia em planejamento distribuído.

Na JTF, o conceito atual ACCE providencia perícia necessária para preencher o vácuo que agora existe em planejamento dentro da JTF, mas certas mudanças são necessárias. A USAF deve identificar indivíduos com a experiência necessária para servir na ACCE e rastreá-los dentro do sistema de pessoal. Esses membros devem possuir a perícia necessária para usar todo o âmbito de capacidades da USAF para apoiar possível JTF. Em segundo lugar, deve providenciar treinamento de qualificação e atualização para estar preparada a apoiar a JTF, quando estabelecida. Os módulos JTF ACCE devem ser pré-estabelecidos, usando Códigos Tipo Unidade (UTC), agilizando o destacamento de equipes ACCE qualificadas.

Além do mais, as operações requerem perícia em planejamento em níveis organizacionais abaixo de JTF. O Exército Norte-Americano designou o planejamento de operações terrestres aos níveis mais baixos – brigada e abaixo – a fim de aumentar a iniciativa e reagir à natureza específica de operações locais. Contudo, os planejadores da USAF não se encontram nos mesmos níveis. Assim, o conceito de planejamento do Exército coloca os Militares da Força Aérea no final do processo de planejamento, não no início onde serão mais eficazes. Para um bom planejamento, a USAF deve possuir perícia em níveis de brigada e abaixo. Os indivíduos envolvidos em planejamento e execução de ataques ar-superfície encontram-se, na verdade, abaixo do nível AOC, mas sua perícia reside em apoio aéreo aproximado e controle terminal da aeronave, não a perícia em planejamento necessária para apoiar a natureza dinâmica de operações distribuídas através de todo o âmbito de operações.

A Força Total em Transição

Desde o início da Diretriz de Força Total nos anos 70, A USAF foi o modelo para a integração da Reserva e Guarda, ultrapassando de longe as outras Forças em integração, sincronização e uso de capacidades das Forças Totais. As operações da USAF durante as últimas três décadas não teriam sido possíveis sem as contribuições da Força Total. Anteriormente, a Guarda e a Reserva operavam sob as regras de Guerra Fria, de “prontidão em camadas” e “Reserva Estratégica”, termos que na lexicografia atual descrevem o estereótipo de “Guerreiro de Fim de Semana” e são equivalentes à imagens de equipamento antigo e Militares da Força Aérea não preparados. O conceito mais atualizado de “Reserva Operacional”, sucintamente descreve a situação atual de prontidão e participação. Contudo, até quando será que esta Reserva Operacional continuará com a proporção de utilização atual?

A sustentabilidade desse alto ritmo operacional pela Guarda e Reserva está em questão. O “Cidadão-Militar da Força Aérea” [Citizen-Airman] é o vínculo mais chegado da USAF para com o público americano. Contudo, o constante destacamento de tropas ao estrangeiro coloca em perigo essa conexão entre os dois. Uma consequência não intencional de tal elevado ritmo de operações é que transformou o “Cidadão-Militar da Força Aérea” em “Militar da Força Aérea-Cidadão”.

A reação da Guarda ao furacão Katrina foi êxito bem publicado. Contudo, a função cada vez maior da Guarda no estrangeiro, pós 9/11 causa a preocupação de que será incapaz de reagir eficazmente dentro do país, devido a falta de pessoal e equipamento. As solicitações para reduzir a presença da Guarda fora do país continua, à medida que os estados notam que pode ser que a presença daqueles que são os “primeiros a postos” seja requerida no território nacional mais cedo e não mais tarde. Além disso, o antigo argumento de que é mais barato usar a Guarda e a Reserva, só é válido quando não estão sendo usados na ativa por longos períodos de tempo, tais como no Iraque e Afeganistão. Ainda assim, o método atual – frequentes rotações de Forças Expedicionárias Aéreas [Air Expeditionary Forces - AEF] e o uso de indivíduos em lugar de forças – gera, na verdade, outra conta de serviço ativo que se deve pagar.

Para voltar ao equilíbrio do conceito de “Cidadão-Militar da Força Aérea” a missão principal da Guarda deve ser, primeiro e acima de tudo a Defesa do Território Nacional. Isso inclui a Guarda Nacional Aérea [Air National Guard – ANG]. Contudo, aqueles que dizem que toda tarefa de Defesa de Território Nacional pode ser vista como um adjunto de treinamento para guerra, ignoram as sutilezas de se trabalhar junto a governos estatais e locais, que muito se assemelham a tribos. As missões de Defesa do Território Nacional, tais como salvamento e transporte de carga, devem ser adicionadas aos requisitos tanto para a ANG como para os destacamentos de Comando da Força Aérea de Reserva [Air Force Reserve Command – AFRC]. À medida que o equipamento atual é reciclado, devido a obsolência, os destacamentos ANG selecionados serão reequipados com plataformas de dupla utilização - IW e Defesa do Território Nacional. Outra área prioritária óbvia é o pessoal médico da MEDEVAC [Medical Evacuation – Evacuação Médica], equipamento da Guarda Aérea que possui dupla utilização – durante desastres nacionais e em operações de combate, quando destacados. Isso não quer dizer ceder a missão de combate da Guarda Aérea. Continua a existir a necessidade de capacidades de combate da Guarda para fazer face às operações atuais e qualquer campanha convencional necessária. O que queremos dizer é que é necessário aumentar as capacidades existentes.

A Luta Futura:
Como Manter a Superioridade
Tecnológica da USAF

Muitos historiadores insistem que o Século XX foi uma era aeroespacial e que o domínio americano resultou de sua habilidade de explorar ambos. Até agora, o Século XXI parece pertencer à informação e comunicação. As nações, como a Índia e a China, parecem estar colhendo os benefícios de novo domínio – o ciberespaço. Aos estudantes matriculados em Universidades Americanas que estudam ciências, a tarefa ante à nação e mais especificamente a USAF vem a ser como manter a superioridade tecnológica sem rival que hoje desfruta. Para isso, deve primeiro revigorar o processo de aquisição projetado durante a era pós-indutrial, uma era que estabelecia o ciclo de 15 anos para sistemas aquisitivos. Atualmente, a era de rápida mudança e informação em massa não permite que os EUA continuem a liderar o campo de tecnologia avançada, a menos que possamos adquirir e implementar sistemas com maior rapidez.

A Reforma Aquisitiva:
Como Adaptar o Processo

A maioria das pessoas reconhecem que o processo de aquisição do DoD deve passar por reforma. Não é necessário reinventar o processo. Deve ser redirecionado. Funcionou bem durante os últimos 50 anos, em geral. Possibilitou a liderança tecnológica sustentável da USAF no meio ciberaeroespacial, extremamente superior aos rivais principais. Colocou em campo tais maravilhas como o caça mais qualificado do mundo, o F-22A e veículos de lançamento espacial, tais como o Atlas V e o Delta IV, que irão assegurar o acesso dos EUA ao espaço, durante as próximas décadas. Esses programas, contudo, são caros. Em época de retrições orçamentárias deve haver reforma em aquisições, a fim de assegurar um processo mais eficiente, eficaz e reativo para garantir que a USAF permaneça como a força aérea mundial preeminente. Em consequência, deve limitar o ciclo de aquisição, a fim de reduzir custo e aproveitar totalmente a vantagem da inovação tecnológica.

Alguns proclamam que o processo de aquisição é muito complexo e é impossível que a USAF possa afetá-lo. Mas, esquecem-se de que a Força possui grande controle sobre o processo. O que complica a aquisição é o fato de que, embora os projetos de sistemas, de início sejam pequenos, no momento que chegam à etapa de produção aumentaram em tamanho, complexidade e custo – notem o processo de aquisição do F-15. Em primeiro lugar, a USAF deve aperfeiçoar as definições de requisitos para o processo e estabelecer guias claros que restringem as modificações apresentadas, após começar o desenvolvimento do sistema. Uma definição mais clara dos requisitos durante a fase inicial de solicitação reduz a necessidade de alterações, diminuindo, assim, o período de tempo do ciclo, evitando excessos orçamentários. A USAF deve determinar se as tecnologias existentes fazem face aos requisitos da missão, antes de ser seduzida por novos programas.

As tecnologias maturas proveem um custo, dependabilidade e vantagem de tempo, comparadas aos sistemas emergentes.

Ademais, a fim de corrigir deficiências, a USAF deve adotar uma estratégia de padronização e metodologia de incrementos à aquisição de sistemas para todos os três domínios. A padronização reduz o custo e possivelmente, os períodos de tempo de produção, tornando possível o aproveitamento de tecnologias existentes. O desenvolvimento por incrementos permite que os sistemas amadureçam e, ao mesmo tempo, aproveitem as capacidades existentes, reduzindo a necessidade de modificações após o início de desenvolvimento do programa. Os sistemas de próxima geração teriam o benefício do desenvolvimento do modelo A para o B para o C e D em vez de produzir o E como o primeiro disponível.

A fim de melhorar a definição de requisitos, a USAF deve aumentar o investimento em pessoal com perícia em engenharia e ciências. Também deve estabilizar e aumentar os turnos de gerenciamento de programas, a fim de assegurar fiscalização e prestação de contas. A longevidade provê familiaridade que torna possível maior perícia em fiscalização de programa. Maior número de pessoas com perícia técnica, permanecendo no local por períodos mais longos irá providenciar estabilidade ao processo de aquisição. Além disso, o pessoal da USAF – quer uniformizado ou civil – deve implementar a maior parte da fiscalização, revisão e continuidade do programa. Os contratistas que fornecem a fiscalização para outros contratistas colocam pressão no sistema e em potencial colocam em questão a integridade de todo o processo de aquisição e desenvolvimento.

Ademais, a USAF deve buscar soluções em “tecnologia correta”, a fim de simplificar o quebra-cabeças que é a aquisição. A necessidade de tecnologia correta quer dizer adquirir a solução tecnológica correta para dado requisito. Por exemplo, embora um único satélite possa ser menos capaz do que aquele que está substituindo, buscar, via rede, satélites menos caros, menos complexos resultaria em um grupo de satélites mais capaz e resiliente com custo e período de tempo reduzidos.

Além de mal gerenciamento do programa, a consolidação e fusões dentro da base industrial norte-americana também prejudicou o processo aquisitivo. Durante os anos 80, mais de 20 contratistas competiam para a maioria dos contratos de defesa. Atualmente, o DoD baseia-se em seis contratistas principais. Os programas tornaram-se tão complexos e custosos que frequentemente os seis contratistas devem compartir os custos. Por exemplo, a Boeing e a Lockheed Martin anunciaram que irão colaborar durante o projeto do novo bombardeiro. O resultado é menos competição e maior custo.

O que torna a questão mais complexa é a percepção de que é extraordinariamente difícil para as novas empresas norte-americanas – fora das seis grandes – competir para os contratos maiores de sistemas principais de armas. As novas tecnologias dão origem a novas empresas, mas essas incorporam-se às seis grandes, através de compra direta, a dinheiro ou permutas de ações. Contudo, certos sistemas são por demais críticos à defesa da nação para permitir competição internacional, tais como chips para computadores e subsistemas de bens nacionais. A fim de assegurar que esses componentes seletos estejam, não só disponíveis para o uso militar, mas sejam também confiáveis, i.e., livres de virus, o desenvolvimento de fabricação doméstica de ponta projetada para a maioria dos sistemas e subsistemas sensíveis é crucial.

Embora não tenham perdido a vantagem tecnológica, a distância que existia entre os EUA e o resto do mundo diminuiu durante as últimas duas décadas. O grande jogador de beisebol Satchel Paige disse certa vez: “Não olhe pra trás, pode ser que alguém esteja prestes a te alcançar”. Para continuar sem rivais os EUA devem acelerar o passo ou começar a olhar para trás.

A Modernização dos ICBMs:
A Dissuasão Nuclear
Norte-Americana

A dissuasão nuclear continua sendo crucial à defesa da nação, em particular tendo em vista o reaparecimento da Rússia e a China que aumentam a força nuclear, mais a postura de nações como a Coréia do Norte e o Irã. A dissuasão nuclear protege a segurança nacional como nenhum outro sistema de armas. Qual será o próximo passo da USAF referente ao problema da frota obsoleta?

Será que a nação deve abandonar os ICBMs e basear-se em bombardeiros estratégicos e submarinos de mísseis balísticos para a defesa nuclear ou financiar a modernização da força terrestre?

Construímos as presentes estruturas de comando e controle de ICBMs – Centros de Controle de Lançamentos [Launching Control Centers – LCC] e Dependências para Lançamentos [Launching Facilities – LF] durante os anos 60. As estruturas subterrâneas de concreto que abrigam as tripulações, equipamento e dependências de lançamento estão sujeitas à pressões do meio ambiente, tais como rios subterrâneos e deslocamento de solo. Além disso, os lançadores de Minuteman III em dado momento vão exceder a expectativa de vida. A constante manutenção, atualizações e modificações mantêm os sistemas viáveis mas, até quando e a que custo poderemos manter uma frota em fase de envelhecimento, à medida que tentamos refrear o passar do tempo.

A tríade nuclear serviu bem o país durante mais de 60 anos. A justificativa para sua existência ainda continua e continuará. Horrendo como foi o 9/11, não colocou a nação em perigo. Atualmente, somente uma nação com capacidade de entrega nuclear estratégica seria capaz de fazer isso. A Força Tarefa da Junta de Ciências de Defesa para Dissuasão Nuclear [Defense Science Board Task Force on Nuclear Deterrence] de outubro de 1998 concluiu que, “Grande número de ICBMs nega ao adversário o benefício de ataque limitado. Sem os ICBMs, os ataques surpresa contra um punhado de bases de bombardeiros e dependências de lançamento marinho de mísseis balísticos (SLBM), com negação plausível, podem alterar a correlação de forças de forma drástica.” Assim, as pressões que existem para eliminar os ICBMs terrestres não estão fundamentadas em dissuasão ou defesa nacional, mas sim em financiamento e percepção pública a respeito da utilidade nuclear. Não em ameaças externas.

Continuar a confiar em tríade reduz o risco e aumenta a segurança nacional através de dissuasão nuclear. Consequentemente, o que se requer é um programa de atualização sustentável e financeiramente viável para os ICBMs. O primeiro passo em criar tal sistema é atualizar os ICBMs com uma estrutura moderna de comando e controle. A fim de tomar conta dos centros de controle de lançamento em fase de obsolência, a USAF deve considerar a colocação do equipamento acima do solo. Isso reduziria o custo do ciclo de vida (fácil manutenção), ao mesmo tempo aproveitando as tecnologias de ponta em comunicação.

De certa forma, a vulnerabilidade aumenta, tornando-os em alvo mais fácil, mas via redundância, podemos reduzi-la bastante.

O novo sistema de lançamento deve ser baseado em um veículo comum – um que também seja usado para carga espacial comercial ou para uso militar mais amplo. Um míssil de uso mais amplo permite que os custos de [Pesquisa e Desenvolvimento [Research and Development - R&D] sejam distribuídos sobre grande número de veículos reduzindo, ao mesmo tempo, o custo de manutenção, devido ao uso da mesma estrutura. Do mesmo modo que com as dependências de comando e controle, a USAF deve considerar a transferência dos novos lançadores à superfície. Em essência a mesma justificativa existe para mudar os lançadores de comando e controle: redução de custo do ciclo vital. Uma vez mais, de certa forma a vulnerabilidade aumenta, mas pode ser amenizada via meios técnicos, tais como vigilância remota. Não é algo novo, porque já consideramos o conceito de lançadores de superfície durante os anos 70 e 80, especificamente montados em vagões de trem. Esse estudo não tenta determinar o número apropriado, mas qualquer estudo futuro que determinará nova estrutura de força ICBM deve levar em consideração a dissuasão contra ataque de nação hipócrita e futuros competidores quase-pares, especialmente como parte de tríade que também irá abranger bombardeiros e submarinos.

Como meio singular de operações, o espaço fornece certa perspectiva, capacitando a conscientização e reação irrestrita pelos limites nacionais. Ninguém hoje em dia questiona a importância de operações espaciais como parte integral da sociedade norte-americana. Os receptores GPS já são comuns em muitos veículos modernos. O sistema bancário depende de comunicações via satélite e receptores de televisão terrestre e via satélite baseiam-se em recursos espaciais.

A dependência militar para com o espaço não é menos dramática. Sendo a última palavra em “terreno vantajoso” o espaço verdadeiramente proporciona uma arena singular para se levar a efeito operações de defesa para a segurança nacional. Os satélites oferecem infraestrutura tecnológica que capacita os ataques de precisão atuais e a supremacia em campo de batalha espacial. Contudo, a dependência dos EUA em capacidades espaciais também criou vulnerabilidades – um alvo provável para possíveis adversários.

O lançamento recente do Sistema de Comunicação de Satélite de Defesa [Defense Satellite Communications System - DSCS] seguido pelo Sistema Global de Banda Larga [Wideband Global System - WGS] é um exemplo daquela velha história de boas novas/más novas. Embora cada satélite WGS funcione melhor do que toda a constelação de nove satélites DSCS, os seis satélites WGS em fase de planejamento aumentam a vulnerabilidade espacial norte-americana, ao colocar maior dependência em número reduzido de satélites cada vez mais caros.

A garantia de acesso ao espaço é essencial à segurança nacional norte-americana. O controle espacial, em conceito, não é muito diferente do controle aéreo e, possivelmente, do controle ciberespacial – mas é mais problemático. Os EUA possuem capacidade limitada de proteger os bens espaciais ou negar ações espaciais a outros. À medida que maior número de nações coloca sistemas no espaço, inclusive tecnologias anti-satélite, é impossível assegurarmos a supremacia espacial. O problema da USAF durante o período de 2018-2023 é estabelecer uma estratégia que avança os interesses nacionais e cria uma estrutura de sobrevivência para o controle espacial.

As vulnerabilidades espaciais existentes impulsionariam a estratégia que levaria os EUA a destacar armamentos espaciais. Embora essa seja viável, existe uma alternativa menos dispendiosa e com maior possibilidade de sucesso. Ao utilizar todo o âmbito de canais de informação, diplomáticos, militares e econômicos, o país desenvolveria um conceito de defesa abrangente para as operações espaciais.

Em primeiro lugar, a USAF tomaria a liderança, engajando a comunidade internacional, da maneira mais completa possível, estabelecendo um sistema de protocolos e relacionamentos que incentivaria o comportamento espacial benigno e benéfico. As parcerias também formam a base de negociação internacional, regulamentos e governo, de acordo com o preceito de direito, conceitos poderosos valorizados pelos aliados europeus.

Já ratificamos uma série de regulamentos terrestres, marítimos, aéreos e espaciais internacionais. Os acordos internacionais limitam o armamento nuclear espacial. Pode ser que nova rodada de acordos internacionais exijam a eliminação de armas espaciais, o que seria atraente a muitas nações. Já existe o precedente de regulamentação de atividades espaciais, através de negociação internacional. Após o êxito de teste de armas nucleares espaciais norte-americanas no início dos anos 60, a comunidade internacional movimentou-se para proibir essa classe de armas.

Outro elemento essencial ao controle espacial é acesso ao domínio. A USAF possui rico histórico de participação na corrida espacial. Contudo, não existem anais de registro de lançamento reativo. Os requisitos especiais para manobrar veículos de lançamento e satélites requerem meses de planejamento para todo tipo de lançamento a tempo. Os sistemas espaciais devem ser mais responsivos e, ao mesmo tempo, menos vulneráveis. Isso pode ser feito, de maneira eficiente, através do conceito cognominado Reação Operacional Espacial [Operationally Responsive Space - ORS]. O Sub-Secretário da Força Aérea, Peter B. Teets, definiu a ORS como meio para “estabelecer um grupo de pronta reação, digno de confiança e financeiramente viável, capaz de preencher os requisitos de lançamento presentes e futuros, bem como [providenciar] os satélites correspondentes de pronta reação e financeiramente viáveis.” (Declaração sob juramento ante o Congresso, 25 de fev. 04).

Os lançadores principais atuais, denominados Veículos de Lançamento Fungíveis [Evolved Expendable Launch Vehicle - EELV] – o equipamento do grupo Delta IV e Atlas V, bem como lançadores pesados – continuarão a ser os recursos principais, até mais além de 2023. Os EELVs entraram em operação em 2002. Com custo aproximado de US $100 milhões por veículo, foram projetados para padronizar e aperfeiçoar a operação de lançamento espacial, reduzir o envolvimento habitual do governo em processos de lançamento, poupando US $6 bilhões para o custo de lançamentos entre 2002 e 2020. Em 2006 um Painel designado pelo Congresso para [estudar] Requisitos de Lançamento Espacial de Segurança Nacional, referentes a lançamentos do DoD concluiu que os dois grupos de lançamento não eram “muito competitivos no mercado comercial atual” e, devido ao fato de que a ORS estava em fase de estabelecimento, “era prematuro especificar os requisitos de lançamento.” O objetivo deve ser mais baixo custo e período de reação calculado em dias e semanas e não em meses e anos. Os satélites e lançadores menores de mais baixo custo devem ser a norma.

A fim de amenizar ainda mais a vulnerabilidade espacial, os EUA devem reduzir a dependência em um só satélite ou constelação limitada de satélites. Se um adversário nega o uso de um ou mais satélites [podemos], via lançamento de rápida reação e capacidade de rápida substituição da constelação [perdida], reagir positivamente a tal vulnerabilidade. Além do mais, ao colocar satélites menos complexos em rede, como atualmente se faz com computadores, podemos aperfeiçoar muito a capacidade de operação. A nação sempre vai necessitar de satélites grandes e claro, mais caros, especialmente em órbita geoestacionária. Contudo, a demanda é para a mesclagem de ambos os sistemas, a fim de aumentar a capacidade e, ao mesmo tempo, reduzir a vulnerabilidade.

O Ciberespaço:
Futura Oportunidade

Durante os primeiros anos da revolução da informática o ciberespaço era visto, em grande parte, como região benigna e indefinida, cujo uso principal era correio eletrônico e atividade recreativa para adolescentes com acne ou rapazes de vinte e tantos anos que ainda moravam em apartamentos no porão da casa dos pais. Em contraste, o rápido aumento em popularidade de PCs e a disponibilidade cada vez maior da Internet gerou novo campo de batalha: o ciberespaço.

Atualmente, o ciberespaço unifica a comunidade internacional, oferecendo poder a governos e indivíduos de forma jamais imaginável pouco tempo atrás. O ciberespaço permeia quase todos os aspectos da vida diária, vital à sociedade que depende do uso de redes de informática. Contudo, como com o espaço, a dependência para com o ciberespaço transformou a vantagem tecnológica em vulnerabilidade que os adversários podem explorar. Assim, a questão é como melhor utilizar o meio e, ao mesmo tempo, proteger os interesses nacionais de ataque a esse novo domínio.

O ciberespaço, termo cunhado pelo autor William Gibson em sua obra Burning Chrome de 1982 e definido pelo autor como a “representação gráfica de dados extraídos de banco [de dados] de todos os computadores no sistema humano.” Desse início fictício, o mundo iria [mais tarde] captar o conceito de um domínio real, separado, distinto e identificável. O DoD em 2008 definiu o ciberespaço como “domínio global dentro do ambiente de informática, consistindo de rede interdependente de infraestruturas de informática, inclusive Internet, redes de telecomunicações, sistemas de computadores e processadores e controladores [nele] implantados.” (Carta de 12 de maio de 2008 DepSecDef).

As características distintas do ciberespaço imediatamente fizeram com que fosse identificado de forma completamente distinta de outros domínios de guerra de superfície, marítima, aérea e espacial. Suas características são baixo custo de ingresso – qualquer pessoa de posse de computador e conexão Internet pode lançar ataques contra interesses globais norte-americanos, [devido a] anonimato e jurisdição governamental incerta acerca de inferências de cruzar fronteiras internacionais. Ao mesmo tempo, o ciberespaço possui a habilidade de causar efeitos precisos que capacitam as tecnologias e táticas a operar simultaneamente através de amplo âmbito de alvos, irrestritos por local ou período de tempo.

O ciberespaço também é distinto da informação que nele reside ou é transferida através de seu meio. Se mal compreendido, em tentativas de proteger dados, a USAF pode equivocar-se ao manter enfoque em conteúdo e não no domínio em si. A analogia marítima [que aqui se aplica], seria equivalente a guardar os bens abordo em vez de patrulhar as linhas marítimas. Consequentemente, a USAF não se deve enfocar somente na proteção de base de dados, mas proteger as redes e o funcionamento de dispositivos eletrônicos para conseguir o controle ciberespacial. As ameaças podem ter origem em fontes tradicionais ou não, inclusive hackers em busca de fama ou gratificação pessoal, criminosos em busca de lucro, terroristas em busca de ganho ideológico e nações em busca de vantagem política e/ou militar.

O estabelecimento de controle ciberespacial não quer dizer uso exclusivo do domínio ou que a USAF esteja interessada em defendê-lo por completo. Mas, como com a supremacia aérea, o controle ciberespacial significa garantir a segurança de acesso a certas porções do domínio, como necessário, a fim de levar a cabo atividades desejadas através de todos os domínios. Isso quer dizer que devemos estar preparados a levar a cabo a guerra ciberespacial, a fim de garantir a segurança do domínio quando e onde necessário.

Para compreender o ciberespaço como campo de batalha é preciso enfoque no meio, à medida que se relaciona às operações militares e de segurança nacional. A habilidade de indivíduo ou Estado de “invadir o sistema” ou “SPAM a rede”, que resulta em negar serviço à bases de dados corrompidas, só vai aumentar durante os próximos 10-15 anos. Em consequência, embora a ofensiva ofereça distinta vantagem à potência aérea, no ciberespaço a dissuasão e a defesa devem estar em pé de igualdade. Quando os ataques podem vir de todas as direções e a qualquer momento, a defesa deve ter a supremacia. A seguir, apresentamos dois exemplos onde a USAF deve usar uma metodologia de dissuasão e defesa.

Em primeiro lugar, os sistemas abertos usados pelo DoD escancaram a porta à distribuição de virus entre sistemas abertos e fechados, não importa. A única solução é recuperar a Internet. Isso não quer dizer expulsar a população civil da rede. O que se requer, contudo, é uma rede verdadeiramente hermética, que não permita interação alguma com a população civil ou com outros sistemas abertos dentro do DoD. Ao passarmos a uma rede fechada, drasticamente reduzimos a possibilidade de contaminação externa. Além disso, tal rede oferece maior defesa contra ataques externos, sendo mais difícil determinar o portal de entrada para invasão ou spam.

Ademais, a USAF deve defender a base de dados crítica, de ataque. Não mais se pode dar ao luxo de fingir que as Bases são castelos feudais com as firewalls servindo de fossos e paredes de castelos que confinam a população “lá dentro”restringindo suas ações. Assim, oferecem sómente proteção limitada e tornam-se alvo interessante ao curioso. Como a Linha Maginot da II Guerra Mundial, as firewalls dão a sensação de falsa segurança, mesmo quando o inimigo manobra para circundar os flancos expostos. Em vez de considerarmos as bases [de dados] entidades individuais que funcionam no ciberespaço, devemos vê-las em sua totalidade, estabelecendo organizações e táticas de defesa, não importa o local, retendo, ao mesmo tempo, a liberdade de ação das forças.

A fim de antecipar ataques contra as firewalls a USAF deve dotar os sistemas de resiliência, onde uma defesa abrangente, em camadas, reage à ameaças e coloca em movimento procedimentos para a recuperação, pós-ataque. Da mesma forma que a construção de navios de guerra no início do século 20, a capacidade de sustentar golpes diretos e continuar a lutar será de suprema importância. Isso significa o desenvolvimento e colocação em campo de sistemas auto-diagnose e auto-correção redundantes adequados à sobrevivência. Os sistemas inteligentes devem reagir com prontidão, diferenciando, imediatamente, entre pedido de informação ou ataque, apresentando a solução ou o intento de operação ofensiva, a fim de podermos sustar o ataque. Por exemplo, as bases de dados devem empregar metodologias sub-reptícias onde a tecnologia de chip modulador capacita a morfose, camuflagem e o sigilo, de forma tão eficaz, como o agente que ataca.

Caso fracasse a dissuasão, a USAF deve possuir a capacidade de levar a cabo operações contra-ciberespaciais em toda a rede, a fim de incapacitar e derrotar aquele que ataca, “regressando fogo” quando necessário, baseada em regras de engajamento pré-estabelecidas. Contudo, a fim de reagir de forma eficaz, deve primeiro saber quando um ataque está tomando lugar. Assim, as operações contra-ciber requerem gerar e manter a percepção da situação ciberespacial. Os ataques contra os sistemas provavelmente iniciarão com sondagem e pedido de informação, a fim de determinar pontos fracos e nossa possível reação. Para derrotar um ataque ciber, necessitaremos de sistemas de alarme internos e externos avançados, similares aos da rede de detecção de lançamento de ICBMs. Os sistemas que residem fora da firewall identificarão as anomalias, analisando rapidamente “as impressões digitais forenses” do agente agressor para predizer futuro comportamento e comunicar opções viáveis, através de capacidades retroativas, a fim de evitar a agressão.

As soluções tecnológicas são somente um ponto da problemática ciberespacial. Um novo domínio requer o desenvolvimento de novo grupo de profissionais capazes de travar a guerra ciberal. A USAF deve identificar um grupo seleto, cuja missão será desenvolver opções ciberespaciais para a defesa da nação e interesses globais.

Sem dúvida, o ciberespaço é [matéria] que, tecnicamente, mais exige dos operadores. Inicialmente, a demanda seria para profissionais com diplomas especializados em matérias como Física, Engenharia Elétrica, Informática e Matemática. A USAF deve principiar empregando o pessoal correto. Isso significa oferecer bolsa de estudos a estudantes de instituições civis de elite da nação, como o MIT, a Georgia Tech e a Cal Tech.

Como campo de carreira em operações, os guerreiros-ciberais devem fazer parte de um programa de aperfeiçoamento profissional, altamente estruturado. Deve haver uma escola de armamentos, similar ao Treinamento Básico para Pilotos [Undergraduate Pilot Training - UPT] ou Treinamento de Míssil Espacial Básico [Undergraduate Space Missil Training - USMT]. Essa escola de Treinamento Ciberespacial Básica [Undergraduate Ciberspace Training - UCT] deve oferecer a educação militar refinada necessária a novos segundos-tenentes. Deve ser tão rigorosa como a UPT, onde a USAF espera que muitos serão reprovados, à medida que passam por programa altamente exigente e rigoroso. A nova escola deve enfocar-se em fundamentos de controle e operações ciberespaciais, aperfeiçoando o entendimento do estudante acerca desse tipo de supremacia e combate.

Após completar a UCT, os profissionais devem antecipar um processo educativo contínuo que perdura durante toda a carreira. Requer-se uma escola similar ao National Space Studies Institute em Colorado Springs, onde cursos de nível 100, 200 e 300 estão disponíveis a oficiais, à medida que progridem em hierarquia militar e responsabilidade. Os cursos da National Cyberspace Studies Institute (NCSI) providenciariam um aumento de entendimento às hierarquias avançadas, acerca de operações apropriadas.

A frequência à NCSI, combinada com os requisitos de aperfeiçoamento profissional anuais, irão assegurar a atualização da Força em tecnologias de ponta.

O ciberespaço também apresenta excelente oportunidade para o uso da Força Total. A USAF deve desenvolver conceito, a fim de incorporar a Guarda e a Reserva à “luta”. Quer seja através de destacamentos autônomos ou como parte de força híbrida, o pessoal da Guarda e Reserva pode desempenhar uma função significativa em defesa da nação contra a guerra ciberal. Quem não desejaria que gerente civil de programa de ‘empresa.com’ do Silicon Valley providenciasse a mesma perícia à nação como parte da Força Total uniformizada?

Além disso, operador algum deve ser obrigado a se perguntar: “Será que a minha arma vai funcionar?” Alguns sistemas e sub-sistemas de armas são importantes demais para optarmos pela “proposta de mais baixo custo”. A solução não é aumentar o número de regulamentações, mas sim revitalizar e proteger a base industrial sobre a qual depende a produção de sistemas e programas críticos. A USAF deve incentivar o desenvolvimento de programas de informática, manufatura de chips de ponta e de subsistemas dentro do limite territorial norte-americano, por indústria norte-americana. Embora a produção nacional não irá garantir que os componentes estarão livres de virus, oferece maior controle de qualidade e, ao mesmo tempo, inspira maior confiança. A aquisição ciberespacial também necessitará de nova lista de contratistas. Essa lista deve incluir algumas das maiores indústrias aeroespaciais e de informática, mas também empresas de software e hardware menores, cuja natureza inovadora impulsiona o desenvolvimento tecnológico.

Além disso, deve entrar em parceria com o setor privado – universidades e indústria comercial – para, de maneira apropriada, alavancar a perícia norte-americana interna. Apesar do âmbito de especialidades com que contamos, o setor privado continuará a definir os limites da revolução tecnológica ciberespacial. A função do novo grupo de profissionais ciberais será, não somente inovar, mas também traduzir a perícia civil à capacidade de defesa nacional. Assim, a parceria será necessária, a fim de providenciar a USAF o hardware e software de ponta, bem como os recursos para operações contra-ciberais.

Conclusão

O obstáculo diante de nós continua a exigir que questionemos noções preconcebidas de como melhor empregar a capacidade militar para servir os interesses nacionais. Essa estratégia possui o intento de sintetizar as melhores opções para garantir a segurança da nação e das Forças. Embora várias mentes perceptivas e ponderadas discordem dessas recomendações, todos devem estar de acordo que as autoridades competentes principais, em época de grande tumulto, pensaram de forma decidida e resoluta acerca da Força para investir recursos em análise introspectiva. O Técnico Paul “Bear” Bryant disse certa vez: “Deve ter plano pra tudo: um plano pra treinar, um plano pra jogar, um plano pra estar na frente e um plano pra quando estamos perdendo de 10 x 0 durante o primeiro período de jogo, com o capitão lesionado e o equipamento de comunicação sem funcionar, quando está chovendo canivetes e não existe uniforme pra chuva, porque o cara encarregado esqueceu de tudo em casa.” Embora plano algum consiga cobrir todas as contingências, oferecemos à nação e à Força um estudo que avalia o progresso, questões, suposições e propostas alternativas que ajudarão a enfrentar os desafios complexos do ambiente de segurança global futuro.

Colaboradores

Gen. John ShaudO Gen. John Shaud administra uma organização de 80 pessoas dentro da USAF encarregada de conduzir pesquisa independente, alcance e engajamento globais para aperfeiçoar a segurança nacional e assegurar a eficácia da Força Aérea Norte-Americana. Orienta uma equipe de quinze pesquisadores ciberaeroespaciais de alto nível, bem como a Air University Press e Diretoria encarregada de Apoio à Pesquisa e à Conferências da Universidade da Aeronáutica. O Gen Shaud também supervisa a produção da revista Strategic Studies Quarterly e dos periódicos Air & Space Power Journal (esses últimos de edição trimestral – publicados e distribuídos mundialmente em seis idiomas). Seu último posto na ativa foi como Chefe de Estado Maior do Supremo Quartel General das Potências Aliadas na Europa em Mons, Bélgica. Reformado em 1991, após 35 anos de serviço ilustre, o Gen Shaud exerceu a função de Diretor da Associação da Força Aérea. Também participou em comissão do DoD sobre a Qualidade de Vida e liderou o estudo do Sistema de Designação de Oficiais. Serviu de Mentor Líder da Escola Superior de Guerra, desempenhando, ao mesmo tempo, a função de planejador e coordenador principal da reunião anual do CSAF para generais quatro estrelas reformados; continuou servindo de mentor no Captstone Program para oficiais de todas as forças armadas que acabavam de ser promovidos a generais.

Dr Dale L. HaydenO Dr. Dale L. Hayden é Diretor Assistente do Instituto de Pesquisa da Força Aérea na Base Aérea Maxwell em Alabama. Possui vasta experiência em diretrizes norte-americanas, bem como operações espaciais e de mísseis. Completou carreira plena de realizações como membro da Força Aérea em 2007. No início de carreira foi membro do Grupo de Pessoal do Secretariado da Força Aérea e catedrático assistente de história para a Academia da Força Aérea Norte-Americana. A experiência que possui em operações espaciais e de mísseis inclui apoio especial e alerta de mísseis em teatro de guerra, durante as Operações TEMPESTADE NO DESERTO, providenciando comando e conforto durante operações de mísseis. Foi Harvard Fellow, Diretor do Instituto de Pesquisa de Potência Aérea e Reitor da Air Command and Staff College.


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